segunda-feira, 16 de março de 2009

Coisas simples - Os quatro preceitos da lógica de Descartes

“...Cheguei à conclusão de que, ao invés do grande número de normas de que se compõe a lógica, eu devia achar quatro que passaria a considerar absolutas, desde que adotasse o firme e constante propósito de nunca, em circunstância alguma, deixar de observá-las.
A primeira delas seria não aceitar nada como verdade enquanto não o reconhecesse claramente como tal, ou seja, evitar cuidadosamente precipitações e preconceitos nos julgamentos e aceitar somente aquilo que se apresentasse à minha razão tão clara e distintamente que não deixasse nenhum motivo de dúvida.
A segunda seria dividir cada uma das dificuldades que eu examinasse em tantas partes quanto possível, e como fosse oportuno, afim de que pudessem ser resolvidas da melhor maneira possível.
A terceira seria conduzir as minhas reflexões na devida ordem, começando pelos assuntos de mais simples e fácil compreensão, para depois, gradativamente, chegar ao conhecimento dos mais complexos, adotando uma ordem fictícia para aqueles que não mantivessem entre si uma seqüência natural.
A quarta seria fazer sempre enumerações tão completas e revisões tão precisas que me permitissem ter a certeza de nada haver omitido...”

“Discurso sobre o método de bem conduzir a razão
e procurar a verdade nas ciências”
René Descartes
1596 - 1650

Portanto podemos resumir os quatro preceitos de Descartes como:

1. Evidência
Nunca aceite como verdadeira qualquer coisa, sem conhece-la evidentemente como tal. Isto é, evite cuidadosamente a precipitação e a prevenção. Não inclua nos juízos nada que se não apresente tão clara e distintamente ao espírito que não tivesse nenhuma ocasião para o por em dúvida.

2. Análise
Divida cada uma das dificuldades que tenha de abordar no maior número possível de parcelas que sejam necessárias para melhor as resolver.

3. Dedução
Conduza por ordem os pensamentos, começando pelos objetos mais simples e mais fáceis de conhecer, para subir pouco a pouco, gradualmente, até ao conhecimento dos mais compostos; e admitindo mesmo certa ordem entre aqueles que não se prendem naturalmente uns aos outros.

4. Enumeração
Faça enumerações tão completas e revisões tão gerais, para se ter certeza de nada omitir.

Apesar de emitidos na primeira metade do século XVII esses conceitos contribuiram para a formação de muito da lógica moderna e hoje, muitas técnicas ditas modernas nada mais são do que rearrumações da lógica cartesiana.

Baseado nisso, podemos listar algumas dicas interessantes:

Jeito simples de tratar um problema
• Não se desvie do problema
• Não se esqueça da realidade
• Não os crie
• Não forme parte deles
• Não os misture

Normas simples para a racionalização
• Projete o ideal e só depois tente aproveitar o existente na medida do possível
• Não ajuste o novo método ao existente
• Não fique condicionado ao existente pois ficaríamos onde estamos.

Melhor ferramenta para o analista

Coloque esse sinal junto aos métodos antigos e... Procure novas soluções!

Nenhum comentário:

Postar um comentário