terça-feira, 3 de março de 2009

Custos escondidos no transporte e na exportação

Quando se fala sobre exportação, invariavelmente o que nos vem à cabeça é o transporte marítimo e a utilização do cofre de carga, mais conhecido como conteiner, como a melhor maneira de reduzir os custos envolvidos no processo.
Quaisquer tipos de mercadorias, sejam elas líquidos, gás, granéis sólidos, caixas ou engradados podem ser transportados via conteineres. A padronização de tamanhos, a capacidade de carga e a inviolabilidade, fazem dos conteineres um dos mais versáteis meios para se transportar mercadorias uma vez que se adaptam perfeitamente tanto ao transporte marítimo quanto ao rodoviário e ferroviário utilizados nas pontas. Desse modo, seu uso contribui para eliminar o manuseio da carga nos diversos pontos de transbordo permitindo que se obtenha ganhos logísticos importantes tanto pela redução de custos de mão de obra quanto pela redução no índice de avarias nos produtos.
Porém aos exportadores iniciantes lembramos que usar conteiner não garante que o seu produto chegue intacto ao seu destino.
Nós que vivemos no Brasil e infelizmente convivemos no dia a dia com o péssimo estado de pavimentação de uma grande maioria de nossas vias sabemos intuitivamente que a carga sofre esforços importantes durante o transporte, que invariavelmente se traduzem em danos e assumem a forma de reclamações de nossos clientes relacionadas com caixas amassadas, produtos quebrados ou danificados, etc...
Mas será que os buracos nas estradas são os únicos responsáveis pelos danos aos produtos?
Há uma gama de esforços dinâmicos que são transmitidos ao produto durante o transporte, independente do estado das estradas, e que são devidos à aceleração, frenagens, curvas, vibrações, etc...
Por exemplo:
• Transportes aéreos são caracterizados por transmitir esforços de vibração de alta freqüência.
• O transporte rodoviário transmite principalmente esforços verticais motivados pela suspensão dos veículos e por solavancos da estrada, esforços esses que podem chegar em condições extremas até a 15 vezes o peso do produto.
• Transportes ferroviários por outro lado transmitem intensos esforços horizontais (também da ordem de 15 vezes o peso do produto) por conta dos choques durante o engate dos vagões.
• E transportes marítimos apesar de sujeitarem as cargas a esforços menores, estes ocorrem tanto na vertical quanto na horizontal motivados pelos movimentos do navio. No momento das manobras dos conteineres pelos guindastes os choques podem chegar a mais de 5 vezes o peso do produto.
Além disso, a umidade aprisionada dentro do conteiner no momento em que é fechado pode se condensar sobre seus produtos durante as noites frias ocasionando danos por corrosão ou fungos.
Muitos exportadores iniciantes, por puro desconhecimento da ocorrência desses esforços não se dão ao trabalho de reestudar suas embalagens e proteger melhor os produtos para o transporte achando que se as caixas suportam o empilhamento então estão bem dimensionadas. Desse modo continuam tomando prejuízos e causando insatisfação aos seus clientes.
A equação dos custos logísticos deve levar em conta não só aqueles mais conhecidos como: armazenagem, movimentação e frete, mas também o custo intrínseco da caixa ou engradado e os acessórios de acolchoamento e protetores contra umidade, fungos e corrosão, e por outro lado levar em conta que eventuais custos adicionais nesses elementos podem reduzir em muito as perdas por danos, avarias e importadores descontentes.
Portanto, exportar não é simplesmente colocar seus produtos num conteiner mas obter previamente informações sobre toda a cadeia de transporte, conhecer o coeficiente de fragilidade de seus produtos e os meios adequados para protege-los, obter informações sobre os métodos de recebimento no destino, enfim oferecer ao seu cliente a garantia que você tomou os cuidados necessários para evitar a ele os dissabores de comprar e não receber os produtos íntegros e na qualidade contratada.
Lembre-se, o menor custo logístico é obtido pela otimização dos custos do sistema logístico como um todo. Desse modo, querer economizar na embalagem, no pálete, e ainda no método de manuseio, poderá ter como conseqüência um custo final maior devido a retrabalhos, reclamações, danos ao produto e perdas futuras de vendas que eliminará toda a economia obtida nos diversos elos da cadeia.
Portanto, ao planejar sua operação, nunca se esqueça: “A otimização das partes não leva necessariamente à otimização do todo”.
E sucesso em suas novas exportações!

Nenhum comentário:

Postar um comentário