segunda-feira, 20 de abril de 2009

Cronometragem de Operações Indiretas - parte 2

Vamos então às etapas da cronometragem:

1. Em primeiro lugar sempre comunique os envolvidos. Nunca faça medição escondido ou sem que os colaboradores saibam que você os está controlando;

2. Antes de iniciar a medição assegure-se que os trabalhadores tenham sido treinados. A medição do trabalho de colaboradores não treinados não refletirá os padrões corretos;

3. Caso o trabalho envolva deslocamentos, então primeiramente plote numa planta do local quais são os caminhos utilizados, a distância entre os pontos de origem e destino, e as condições desse caminho. Veja se é possível simplificar.
• Os deslocamentos exigem uma técnica diferente para a determinação dos tempos envolvidos. Não se preocupe com eles na primeira fase.

4. Observe o trabalho sendo realizado e questione, usando as “palavras mágicas - que, quem, quando, onde, quanto, como", se não há maneiras de melhorar o método, reduzir o esforço, reduzir as distâncias envolvidas, melhorar a ergonomia dos movimentos, eliminar obstruções, talvez eliminar a própria operação ou parte dela, etc...

5. Reduza a operação a elementos curtos e repetitivos, e que tenham um início e fim bem determinado (um som, um ponto de partida ou chegada, uma ação bem definida (ex.: apertar um determinado botão);
• O uso de elementos curtos permite melhorar o conhecimento do todo e melhorar a avaliação da aplicação do operador.

6. Antes de anotar o tempo do elemento julgue se o operador trabalhou de modo aplicado. Existe um fator em cronoanálise que é chamado “ritmo”. O ritmo permite ao cronoanalista determinar se o operador trabalhou corretamente, se fez “corpo mole” ou se está acima do desempenho normal.

A avaliação do ritmo exige um grande preparo do cronoanalista. Considerando que as operações indiretas tendem a não ser repetitivas, é praticamente impossível se estabelecer “a priori” um padrão de ritmo que sirva como comparação. Desse modo, antes de iniciar a medição, observe a atividade durante vários ciclos e procure estabelecer um critério de pontuação.
• De forma simplista o ritmo poderá ser avaliado usando 1 para o normal, e dividindo as variações por um fator: 0,8 - 0,9 - 1 - 1,1 etc... Atenção: Isso é uma simplificação!

7. Uma vez anotado o ritmo, anote o tempo registrado ao lado – Sempre anote o ritmo em primeiro lugar;

8. Repita a medição de cada elemento pelo menos 30 vezes.

9. Anote se durante a medição ocorreu alguma coisa incomum;
• Se ao longo da medição, alguns poucos registros revelaram algo incomum, mantenha a anotação mas analise posteriormente o descarte da medição incomum. No entanto, se ocorrerem muitas anomalias desse gênero então é bom reanalisar a operação.
Ex.: Durante a realização da tarefa, caiu uma ferramenta. Isso é incomum! Mas se a ferramenta caiu várias vezes, então algo está errado com a operação.

10. Normalize os tempos registrados através do fator de ritmo;

11. Elimine os 10% dos tempos mais baixos e mais altos;

12. Calcule a média e o desvio padrão dos registros remanescentes;
• Verifique (é legal fazer isso graficamente) se a dispersão dos registros é razoavelmente pequena (o que quer dizer desvios padrões pequenos).
• Se a dispersão for grande (curva achatada e desvios padrão grandes) isso significa que não há consistência nos tempos observados. Em outras palavras, a média encontrada não é representativa.
Isso não é um bom sinal. Você poderá aumentar o número de amostras mas se com umas 100 amostras o gráfico não mostrar nenhuma redução na dispersão, então o elemento em si não é consistente. Ou você está cometendo erros demais de avaliação. Reflita sobre isso!

13. No caso de elementos não consistentes, faça um histograma classificando-os do menor para o maior. Isso deixará claro onde os tempos da operação estão concentrados. O histograma ajudará você a identificar graficamente se valerá a pena considerar a média aritmética ou uma outra medida de tendência como por exemplo a mediana ou a moda.

Ao invés de tirar 10% das extremidades, tire 25% das extremidades e calcule novamente a média e o desvio. Isso deve oferecer um resultado mais coerente. Lembre-se que um indicador de que a média é razoavelmente representativa é o fato de se localizar próximo da mediana.
• Normalmente nesses casos, a média resultante é mais baixa do que a anterior. Isso ocorre porque você está eliminando a influência das medições extremas.

14. Agora está na hora de você se preocupar com as tolerâncias.
Durante o trabalho o trabalhador dispende energia e consequentemente se cansa. Quanto maior for o dispêndio de energia, maior o fator de recuperação que será necessário. Esse fator deve multiplicar o tempo médio que foi calculado.
• Existem várias tabelas de fatores de recuperação. Você terá que consultar qual delas é utilizada na sua empresa.

• Ex.: A tabela em uso indica que para as suas condições de trabalho um separador de mercadorias precisa de um fator de recuperação de 18%. Um elemento de seu trabalho foi medido e tem média 5’. O tempo padronizado deverá ser então = 5*1,18 = 5,9’. Isso ocorre porque num instante ele estará trabalhando de modo a fazer a operação em 4’ mas ao longo do período ele vai se cansando e sua capacidade de trabalho vai se reduzindo. Esse fator de recuperação costuma incluir as necessidades pessoais básicas.

15. Uma vez medidos todos os elementos da tarefa, some os tempos normalizados e você terá o padrão para execução.

16. Uma dica para os deslocamentos: Acompanhe o trabalhador em diversos trechos e cronometre o tempo para, digamos, 100 passos.
Daí tire o tempo de um passo. Como você sabe a distância saberá também o comprimento de um passo. Pronto! Estabeleceu um padrão simples e reutilizável.
Para simplificar ainda mais vale a informação: 1 passo de 70cm carregando qualquer objeto ou empurrando um carrinho ou paleteira manual vale 1 segundo.

Cronometragem de Operações Indiretas - parte 1

A cronoanálise é ao mesmo tempo uma ciência e uma arte e deve ser praticada com muita seriedade. Exige muito treinamento e dedicação e tem como base um curso profissionalizante. Portanto aqui caberia aquela frase comum em programas de TV "Não tente repetir isso em casa"!

Sua finalidade básica é o estabelecimento do Tempo Padrão (ou standard) para uma tarefa. Portanto reflete o tempo que um colaborador treinado, no ambiente adequado, e usando toda sua aplicação, levará para cumpri-la com qualidade.
Seus resultados poderão ser pífios se as medições não forem bem executadas. No entanto, no dia a dia de uma empresa, nem sempre dispomos de um cronoanalista experimentado e temos que realizar, nós mesmos, medições de tarefas e estabelecer padrões. Para essas situações é que compilei estas dicas.

Entenda-se como operações indiretas todas aquelas que não estejam ligadas a operações repetitivas tais como operações de montagem, ou outras de linha de produção, que normalmente tem ciclos curtos. A medição destas deve ser deixada sempre à cargo dos especialistas.

O uso de cronômetro para determinar os padrões de tempo de tarefas indiretas deve ser muito bem planejado para contemplar as principais variáveis envolvidas, visto que estamos falando de tarefas não repetitivas ou com um grau baixo de repetibilidade, e que muitas vezes não acontecem num local fixo.
Ao contrário de uma operação repetitiva, aqui teremos de atentar para a ocorrência de variáveis importantes e medir as várias configurações do trabalho como se fossem atividades diferentes, cada uma delas com um número de amostras suficiente. E depois fazer a ponderação entre elas de acordo com a suas probabilidades de ocorrência.

Por exemplo: Não basta medir o tempo de carregamento de 30 veículos. Você precisará certificar-se que todos tiveram o mesmo volume, ou a mesma quantidade de páletes, ou a mesma quantidade de caixas, que a equipe tinha tamanho idêntico, etc... para que esses eventos possam ser considerados de natureza idêntica, de modo que suas várias medições sejam compatíveis entre si.

Por esse motivo, durante a fase de planejamento, analise também a utilização de outras técnicas de medição tais como: multimomento (amostragem), medição de grupo, apontamentos de tempo parado, e até mesmo tempos sintéticos, que poderão resultar em padrões aceitáveis e de mais simples obtenção.

Uma vez que se tenha definido que o cronômetro é mesmo o instrumento mais adequado (ou o único disponível), então aguarde minha próxima postagem em que vou detalhar as etapas necessárias à cronometragem.

Palestra nas Faculdades Anhanguera

Na Sexta-feira, 17 de Abril, eu tive o prazer de fazer uma palestra sobre a Administração do Tempo em Logística para os alunos do 2º semestre do curso de Gestão Logística das Faculdades Anhanguera em Taubaté.
Registro aqui os meus agradecimentos pelo convite do Prof. Jefferson Castilho e pela receptividade dos alunos.
Foi muito legal!