quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Como medir a área de um armazém? - parte 3

Prédios irregulares
Quando se tratar de um prédio irregular, esqueça de vez as medições só ao longo das paredes. Além delas você precisará de outros pontos de referência.

Adote pontos de referência a partir dos quais você possa fazer medições triangulares.
No exemplo do desenho abaixo, há dois pilares centrais. Então tome as medidas das diversas distâncias entre uma quina de cada pilar com o encontro das paredes, entre os dois pilares, etc... Veja as retas internas exemplificando essas medições.

Agora vem o mais legal:
Vamos imaginar que as distâncias encontradas são as mostradas no desenho abaixo.
Trace uma reta para representar a primeira parede. Usando a extremidade "A" como centro trace uma circunferência com raio 513. Usando a extremidade "B" trace uma circunferência com raio 941.
Onde elas se cruzam é a localização da quina do pilar usado como referência.
Agora, usando "A" como centro trace outra circunferência com raio 650 (parede) e usando a quina do pilar que você acabou de posicionar, trace outra circunferência com raio 502. Pronto! No cruzamento dessas duas circunferências estará a extremidade D da parede de 650.
Repetindo esses mesmos procedimentos a partir de suas outras referências, você conseguirá reproduzir exatamente a geometria do seu prédio.

Faça esse exercício e veja que a geometria do prédio real não tem muito a ver com a geometria do croquis que serviu como exemplo.



Portanto, para desenhar corretamente a geometria do prédio, será preciso utilizar seus conhecimentos de trigonometria, ou pelo menos de intersecção de circunferências para encontrar as dimensões e a orientação relativa entre as paredes.

Outro ponto importante é verificar o distanciamento entre os diversos pilares de uma linha, principalmente no sentido transversal ao alinhamento das estruturas porta-páletes. Caso isso não esteja perfeito, você poderá ter a ingrata surpresa de no momento de instalá-los fisicamente se deparar com um pilar no meio de um corredor ou impedindo a montagem de uma longarina.

Por outro lado, certificar-se do alinhamento relativo entre as paredes é fundamental quando se vai instalar estantes, mezaninos ou outras estruturas com corredores estreitos. Nesse caso, um desalinhamento de apenas alguns centímetros poderá atrasar todo o cronograma porque poderá impedir que as estruturas sejam montadas conforme o layout estabelecido.

E o que fazer com um prédio cheio?
Isso aumentará a emoção da tarefa! Muitas vezes temos mesmo a necessidade de medir um prédio já cheio de mercadorias.
Nesse caso, a medição de grandes distâncias ficará prejudicada porque nem sempre, eu diria nunca, você terá grandes linhas de visada para puxar uma trena. Nesses casos, a solução é aproveitar quaisquer pontos de referência que proporcionem uma visada razoavelmente longa e aumentar a quantidade de triângulos interligados. Por outro lado, pequenas (eu disse pequenas) curvas no alinhamento da fita da trena não proporcionam erros apreciáveis de leitura, uma vez que boas trenas são projetadas para serem puxadas com uma força pré-determinada e já levam em conta a catenária formada. Portanto, não é preciso esticar a trena até o seu limite de elasticidade.

Para que sofrer?
O ideal mesmo, em qualquer caso, é utilizar-se uma trena a laser de boa qualidade, que não só simplifica o trabalho mas possibilita “driblar” a maioria das obstruções existentes nos armazéns.

Medir o pé-direito com uma trena a laser também é muito fácil visto que é só mirar e fazer a leitura. A maioria delas tem uma função pitagórica que permite medir alturas através de medições indiretas quando há algum impedimento para que se faça a leitura direta (trena no chão mirando um ponto no alto).

De qualquer modo, use sua imaginação para contornar as dificuldades de leitura. Por exemplo, se não há como fazer uma medição direta, conte os blocos da parede e multiplique pela altura correspondente a 10 ou 20 blocos (nunca um só!). O importante é conhecer a geometria do prédio e o pé-direito disponível, de modo a conhecer todas as suas oportunidades de melhorar sua capacidade de armazenagem.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Como medir a área de um armazém? - parte 2

Medindo a área:
Normalmente o que comumente se vê na medição de um prédio aparentemente retangular é que o analista puxa a trena uma única vez ao longo de duas paredes contíguas A, e B, e adota as dimensões encontradas como sendo corretas. Mas isso só é correto se tivermos a mais absoluta certeza de que as paredes são de fato ortogonais. E como podemos nos assegurar disso? Em primeiro lugar, fazendo outras medições nas outras 2 paredes C e D, totalizando 4 medições.
E ainda que as dimensões sejam pareadas; A=C e B=D, puxe a trena também nas diagonais do prédio visto que serão as dimensões idênticas dessas 2 diagonais que lhe garantirão que as paredes são mesmo perfeitamente ortogonais.

Como desenhar o prédio corretamente?
No exemplo acima, vemos que há pequenas diferenças nas dimensões das paredes e consequentemente das diagonais, indicando que as paredes não são ortogonais.
Para desenhar o prédio corretamente, escolha uma reta (por exemplo a da parede A). Usando a extremidade "esquerda" como centro, trace uma circunferência que tenha como raio a diagonal 1327. A partir da extremidade "direita", trace uma circunferência que tenha como raio a dimensão 646. O cruzamento das duas circunferências localiza onde a parede "B" acaba.
Usando esse ponto como centro, trace então uma circunferência com a dimensão da parede "C". E usando novamente a extremidade esquerda da parede "A", trace uma circunferência com raio igual a dimensão da parede "D". O cruzamento das duas circunferências marcará o último canto do prédio.

E prédios que são irregulares? Como eu faço para medir?
Isso ficará para a terceira parte dessa matéria.

Como medir a área de um armazém?



O primeiro passo antes de iniciar o desenvolvimento de um layout, seja para instalações de armazenagem (porta-páletes, prateleiras), ou para instalar máquinas operatrizes, é sempre conhecer as características geométricas da área em que será aplicado, afim de resolver o layout da maneira mais eficaz e flexível.

É preciso ter em mente ao medir uma área, principalmente em prédios antigos e não pré-moldados, que suas paredes podem não ser ortogonais apesar da aparência. Muito provavelmente você encontrará também distâncias diferentes entre pilares.

Muito cuidado terá de ser tomado também com a presença de obstruções que muitas vezes passam despercebidas, tais como:

No piso: ralos, desníveis, degraus, canais de escoamento com grades, tampas de inspeção, áreas de piso sobre lajes que limitarão a carga possível, trilhos guia de portas de correr, etc...

Nas paredes: Será preciso observar a presença de hidrantes, de válvulas de governo (sistema de sprinklers), de caixas de comandos elétricos, de caixas de inspeção ou de passagem, de portas de emergência, de ressaltos nas posições dos pilares, de tubulação aparente (hidrantes, sprinklers, eletricidade, dados, etc...). Também é preciso olhar para cima e verificar a existência ou não de tubulações e dutos, eletrocalhas, cabeças de pilares, grades de exaustores, janelas ou venezianas de ventilação, etc...

Junto aos pilares: Verifique se não há capiteis dos pilares reduzindo o pé-direito, se não há hidrantes ou tubulações, se na raiz do pilar não há nenhum tipo de ressalto acima do piso, etc... Não se esqueça de verificar a forma (cilíndricos, quadrados, retangulares, bem como medir a secção dos pilares.

Na parte aérea, horizontalmente: Preste atenção na presença de tubulações, sprinklers, eletrocalhas, luminárias pendentes, dutos de ar condicionado, e qualquer outra obstrução que não possa ser removida. Muitas vezes a própria estrutura do telhado irá constituir algum tipo de obstrução através de tirantes, treliças, vigas, etc...

Pé direito
Quando falamos de pé-direito de um prédio, sempre nos referimos à altura livre para a instalação de porta-páletes ou outras estruturas de armazenagem, bem como para a elevação de páletes através das empilhadeiras. Portanto, o pé-direito terá de ser considerado no nível da obstrução mais baixa que não possa ser removida.

Em alguns casos de poucas obstruções localizadas, poderemos sinalizá-las de modo a aproveitar um pouco mais do pé-direito disponível. No caso de luminárias pendentes não se esqueça de verificar a possibilidade de instalá-las mais acima do nível original.

Equipamento:
Em primeiro lugar vamos falar um pouco do equipamento de medição.

O ideal é utilizar-se de uma trena a laser de boa qualidade com capacidade de no mínimo 50 metros. Esse equipamento racionalizará as medições e permitirá que um analista sózinho faça rapidamente todas as medições necessárias.

Dado que é um equipamento caro, a segunda escolha deveria ser uma trena de fita, preferencialmente em fibra de vidro, do tipo utilizado em topografia, também com comprimento de 50 metros. Nesse caso é pouco provável que se consiga fazer as medições sem ajuda de um auxiliar.
No entanto, um gancho resistente, um imã de neodímio, ou qualquer outro artifício do gênero, poderá ajudá-lo a fixar a ponta da fita em estruturas metálicas ou num ponto fixo e desse modo reduzir a necessidade de ajuda extra.

Trenas curtas aumentam os erros de medição
A utilização de trenas muito curtas – 5m ou menores, não é conveniente para a medição de grandes comprimentos porque implicará em um erro acumulado inaceitável.

Na segunda parte deste texto assumiremos que será utilizada uma trena de fita, por ser de utilização mais comum.

crédito da imagem: Padsbrother em http://www.flickr.com/photos/padsbrother/2766681720 sob licença creative commons

domingo, 14 de novembro de 2010

furação coluna Indusa

Quantas vezes nós nos precisamos complementar porta-páletes mas não sabemos que é o fabricante daquele que temos disponível no armazém do cliente.
Para ajudar nessa busca eu quero ver se consigo postar os padrões que eu tenho identificados por aqui.
O primeiro é Indusa datado provavelmente de 98 ou 2000.

Veja em slideshare

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Teste de atenção

Há algumas coisas que recebemos, são muito legais, e acabam ficando em nossa caixa de email até que resolvemos dar uma limpada geral e acabamos não compartilhando.
Para evitar isso, vou postar algumas coisas aos poucos.

Este teste de atenção é fantástico e tem tudo a ver com o nosso trabalho:

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Cronoanalista Jr.




SE sua GARRA é maior do que a sua experiência;
SE você já conhece um pouco de cronoanálise e quer aprender como aplicá-la em operações logísticas;
Se pra você Estatística e Fluxograma não são palavrões;
Se você não fica catatônico na frente de um Excel ou PowerPoint;
Se para compreender seus relatórios não são necessários poderes paranormais;
SE você sabe trabalhar sob pressão e com prazos apertados;
SE você tem carro para viajar 150km todo dia e ainda terminar o dia sorrindo; (será muito vantajoso morar entre Jacareí e Caçapava).
SEus problemas acabaram!

O QUE OFERECEMOS:
De 4 a 6 semanas de trabalho duro entre Outubro e Novembro;
Uma boa oportunidade de conhecer mais sobre tempos e métodos e Logística interna;
Vivenciar o dia a dia da operação logística de uma multinacional importante no Vale do Paraíba;
Reduzir seu peso porque a comida é boa mas você vai andar feito um peregrino.

QUANTO VOCÊ VAI GANHAR? Humm! Próxima pergunta...

SEXO: Irrelevante desde que seja ou homem ou mulher

EXPERIÊNCIA: Achamos que você vai conseguir alguma

VAI TOPAR?
Então envie-nos um email (esqueça o currículo) sem anexo para cronotec1@clinicalogistica.com.br contando quem você é, quais são os seus conhecimentos de cronoanálise, qual sua experiência profissional, que curso está fazendo, onde você mora, e porque quer esse desafio. Aproveite e conte também o que você está fazendo para melhorar o mundo em que vive.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Como uma empilhadeira sem operador pode incrementar sua eficiência

Esse foi o tema da entrevista que assisti na SupplyChainBrain com Benny Forsman, que é o gerente de negócios da Pick-n-Go North America. A Pick-n-Go representa a Kollmorgen, empresa européia de atuação mundial especializada em sistemas de controle de movimentação.

Não se trata de controle remoto e sim de um nível muito mais avançado de automação que possibilita ganhos entre 60% a 100% na produtividade do armazém, utilizando equipamentos convencionais.

O sistema que já é bastante utilizado na Europa, é adaptável à qualquer empilhadeira ou paleteira elétricas, e passa a “pilotar” o equipamento através de um sistema de reflexão de laser montado sobre o veículo, que oferece uma precisão de navegação melhor que 3mm.
Segundo Forsman, um uso muito comum é nas operações de picking de empresas de distribuição de alimentos, que por demandar um grande volume de mão de obra, torna bastante atrativo o uso do sistema.

O que se vê normalmente no picking dessas operações, é o separador indo endereço por endereço, coletando caixas de um dado produto em cada endereço e colocando-as no pálete disposto em sua paleteira.

Com o uso do sistema Pick-n-Go, o separador não precisa mais se preocupar em dirigir sua paleteira até o próximo endereço. A paleteira o segue fielmente (como um cachorro adestrado), parando nos endereços, esperando até que o picking dessa posição seja completado e acompanhando-o até o próximo endereço.

Com isso, a única atribuição do separador é coletar as caixas. Forsman afirma que o ganho de produtividade pode chegar até a 100% na quantidade de pegadas por hora por empregado, principalmente quando utilizado em conjunto com sistemas picking by voice.

O mais legal é que quando o pálete fica cheio, a paleteira automaticamente se dirige ao ponto de estacionamento ou stretching na área de expedição, enquanto outra se antecipa e vem encontrar o separador no próximo endereço. Desse modo, 100% do tempo do separador é utilizado produtivamente.

Adicionalmente, o sistema ainda oferece ganhos inegáveis de segurança tanto pessoal quanto para os racks e produtos porque não bate nas estruturas e nem derruba as caixas nas curvas.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Como a inspeção visual pode ajudá-lo na identificação de problemas

Todos os problemas nascem pequenos mas lutam com todas as forças para se tornarem fortes, grandes, cabeludos e importantes.
O ideal é que consigamos identificá-los e dominá-los ainda no ninho e, na maioria das vezes, não precisamos mais do que uma boa e simples inspeção visual para conseguir isso!

Como fazer isso? É simples! Acostume-se a dar umas voltas aleatórias pelo armazém, olhando para as coisas em detalhe como se fosse a primeira vez. Observar é uma verdadeira arte. Eu admiro Sherlock Holmes!


Eu me lembro até hoje de minha primeira aula de laboratório na faculdade, em que meu professor colocou uma simples vela acesa sobre cada bancada e nos deu a missão de listar 100 observações diferentes sobre ela. Pensam que é fácil? Como todos são adultos, podem tentar fazer isso em casa! Depois vocês me contam.

Problemas invisíveis - ou quase

Vamos dar alguns exemplos de problemas que teimam em ser invisíveis, mas esta lista não pretende ser completa. Com certeza ao exercitar a prática da observação cada um de vocês perceberá muitos outros.

Porta-páletes e páletes

  • As longarinas estão bem encaixadas e com os pinos de segurança instalados?

  • Como está a flexão das longarinas de seus porta-páletes? Todas sob carga estão dentro do limite previsto de 1/200?

  • E os montantes? Há montantes torcidos ou amassados?

  • Olhe para as sapatas. Estão bem assentadas sobre o piso?

  • Olhe por baixo dos páletes armazenados em seus porta-páletes. Quantos páletes danificados ou inseguros você identificou? (tábuas quebradas, tocos rachados, etc...)

  • Os páletes estão bem arrumados e a carga está estável? Tem certeza que não há nenhuma carga de pálete se encostando em outra ou nos montantes da estrutura?

Operação de empilhadeiras
Saiba que se você observa empilhadeiras e outros equipamentos trafegando muito rapidamente e/ou de maneira imprudente, isso é um sinal claro de problemas na gestão do seu armazém. Uma boa operação é ritmada e não alucinada!
  • Seu pessoal segue as práticas seguras determinadas e documentadas para todas as operações dos equipamentos de movimentação?

  • Há vestígios de vazamento de óleo? Isso é sintoma de manutenção deficiente nos equipamentos;

  • Como está a pintura da sua empilhadeira? Empilhadeiras "raladas" demonstram pouco cuidado ou habilidade de seus operadores, ou baixo nível de organização nos corredores.

  • Agora dê um pulinho até a sala de baterias. Observe o estado geral de uma bateria em carregamento. Está limpa? Não apresenta marcas de vazamento ou bolhas na pintura?

  • Como está a limpeza geral da máquina? E o estado das almofadas e assentos?

  • Peça para ver o último relatório das medições de voltagem e densidade. Se você não faz isso sempre, provavelmente você irá se assustar!

Prédio

  • Como os corredores estão demarcados e sinalizados?

  • Como é o arranjo geral de seu armazém? Há cruzamentos difíceis ou sem visibilidade? Há faixas exclusivas para pedestres ou eles dividem o espaço com as empilhadeiras?

  • Como anda o piso do armazém? Há vestígios de vazamento de óleo ou líquidos?

  • Há poeira de concreto? As juntas do piso estão íntegras ou estão se quebrando? Há fissuras ou rachaduras no piso?

  • E nas paredes? Há marcas de umidade ou de escorrimento de água?

  • Você já viu um mísero pombo em seu armazém? Cara! O problema é grande. Dê um jeito já!

  • Olhe para cima num dia claro. Ops! Cuidado com os pombos! Há pontos luminosos nas telhas. Que bom que não está chovendo hein?

Housekeeping
  • Como está o grau de limpeza de seu armazém?

  • Os corredores do armazém permitem a livre passagem dos equipamentos de movimentação?

  • Se há corredores bloqueados, existem justificativas completamente sólidas do seu pessoal para esse fato?

  • Você viu restos de caixa, vazamentos de produto, ou qualquer tipo de lixo deixado junto aos produtos?

CUIDADO
Cuidado com esses sinais! Muitos desses sintomas revelam uma moral baixa, insatisfação, falta de comprometimento, que por sua vez levam a um desempenho pobre, um alto nível de danos e avarias, e de acidentes com perda de tempo.

Portanto, acostume-se a passear pelo seu armazém e observar. E para cada problema detectado, trace um plano de ação rápido com responsáveis e prazos.
Caso contrário, acenda uma vela - fora do armazém por favor!



foto 05-04-9 sob licença "Creative Commons Attribution-Noncommercial-No Derivative Works 3.0 License" em www.freephoto.com

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Como melhorar a sua separação de mercadorias - complemento

Depois do artigo postado no dia 19, chegaram-me algumas perguntas sobre o assunto que me fizeram complementá-lo, sobre como obter ganhos se ainda não há leitores de códigos de barra na operação?

Considerando que em alguns armazéns, de 30% a 40% da força de trabalho está alocada na área de separação (ou apanha) de mercadorias, essa é uma área excelente para se conseguir ganhos de produtividade.
Ganhos de 10% são comuns por conta de pequenas melhorias e até 20% ou 30% não são raros.
E isso considerando que o incremento tecnológico não é absolutamente necessário para se obter ganhos.

Como posso melhorar a produtividade?
Não há um único modo correto para separar mercadorias, no entanto alguns cuidados são importantes, por exemplo:

  • Elimine os itens fora de estoque da sua lista de separação. Não é o separador que deve descobrir se o item existe ou não! Procurar por um item inexistente faz o separador consumir um adicional de até 30% do tempo que seria gasto normalmente.
    E isso sem contar que, quando isso acontece, sempre um separador pergunta para um outro e a perda se espalha.

  • Dê endereços únicos para todos os seus produtos. Pode até ser que sejam dois produtos diferentes ocupando um mesmo local, porém cada um deles deve ter o seu próprio endereço.

  • Forneça esses endereços na lista de separação de forma que formem um caminho lógico. Cerca de 80% do trabalho de separação consiste em deslocamento entre os endereços. Reduzir distâncias significa aumentar a produtividade.

  • Separe a lista em páletes completos, caixas completas, e frações de caixa.

  • A lista de separação deve ser um documento fácil de ler. Esqueça fontes muito pequenas ou impressões de má qualidade. Evite também colocar na lista de separação aquelas informações que não sejam absolutamente necessárias para a tarefa (tipo: fornecedor do item, cliente, preço, etc...).

  • Esqueça o uso de escadas. Além do risco de acidentes, aumentam a fadiga do pessoal e acabam com a produtividade.
    Coloque seus produtos nos endereços de forma ergonômica evitando que o separador precise abaixar-se ou esticar-se para alcançar as caixas.
    Em prateleiras, os produtos de maior rotatividade devem ficar situados entre a cintura e o ombro dos separadores

  • Quando houver mais do que um produto no mesmo local (lembre-se de dar endereços diferentes), não deixe que as pilhas se toquem. Rearrumar pilhas é tempo improdutivo.

  • Contagens ou pesagens também são tempos improdutivos. Procure apresentar os produtos na forma como deverão ser coletados. Se for preciso faça as pesagens ou contagens previamente, padronizando suas unidades de venda. Isso, além de lhe proporcionar uma vantagem competitiva irá reduzir o seu custo operacional.

  • As quantidades por caixa ou pálete de um mesmo produto devem ser padronizadas para evitar erros.


E como contratar o pessoal adequado?
Do ponto de vista do profissional que você está contratando, atente para suas características e habilidades:

  • Sabe ler?
  • Não tem problemas de visão?
  • Estão treinados na lógica do seu endereçamento?
  • Seu supervisor conhece suficientemente o trabalho para poder orientar seus comandados?
  • Seus operadores de empilhadeira são habilitados?


E quanto às suas instalações:

  • O layout facilita a supervisão?

  • A sua área de separação é ampla o suficiente para não provocar congestionamento de pessoal, equipamentos, ou mercadorias?

Se você tem dúvida quanto a isso eu lhe pergunto: Quão rápido você consegue andar num corredor obstruído por restos de papelão, caixas espalhadas, ou sujo de óleo que vazou dos seus equipamentos mal mantidos?

Vejam portanto que: organização, métodos de trabalho adequados, um bom layout, pessoal qualificado e supervisão competente, poderão fazer aumentar sua produtividade antes de pensar no “upgrade” de sua tecnologia.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Como melhorar a sua separação de mercadorias



Apesar de todas as técnicas disponíveis para a separação de mercadorias, a maioria absoluta das empresas ainda utiliza o velho e bom sistema do separador indo até os produtos, coletando-os e encaminhando-os para a próxima atividade que poderá ser a reembalagem, ou a conferência e rearrumação, ou até mesmo para o carregamento direto, quando se atinge a excelência.

E como conferir o trabalho sem o conferente?
Eu penso que o sistema ideal deve permitir uma dupla checagem à cada passo do processo de separação. Cometer erros faz parte da natureza humana, mas não deixar que esses erros comprometam as operações seguintes deve fazer parte das suas políticas.
É claro que eu estou falando de fazer essas checagens preferencialmente enquanto o separador ainda está em frente ao endereço visto que a correção, nesse momento, custa virtualmente nada.
Um sistema que exija a leitura do código de barras do endereço, aceite-o como correto, e em seguida exija a leitura do código de barras do produto, bem como a digitação da quantidade coletada, com certeza eliminará a imensa maioria dos erros de separação.
Vi recentemente um sistema mais tecnológico, em que após a indicação do endereço no leitor, o separador tem que digitar um código aleatório mostrado num display junto ao endereço. Algo como um chave token utilizada pelos bancos para as transações pela internet.

Ainda assim, fica claro que só podemos garantir que o separador vá ao endereço certo, e que apanhe o produto certo, mas jamais poderemos ter absoluta certeza de que coletou a quantidade correta! Erros por falta de atenção são os mais difíceis de eliminar.

Minha sugestão para um dispositivo que poderá ajudar nessa questão é fazer com que, aleatoriamente, o separador seja exigido a contar e digitar os volumes existentes em seu pálete ou recontar algum produto. Isso o fará detectar precocemente a existência de um erro de quantidade.

Ressuprimento
O seu sistema de ressuprimento deve ser planejado de modo a assegurar que um separador jamais chegue num endereço e não encontre a quantidade suficiente do produto e tenha que esperar pelo ressuprimento (isso é uma lamentável perda de produtividade). Do mesmo modo, um pedido nunca deveria ficar esperando itens “esquecidos” atrasando o carregamento.

Análise ABC e endereçamento heterodoxo
A minha experiência diz que é raro encontrarmos distribuição clássicas de Pareto em operações logísticas.
Tipicamente, no máximo uns 10% de seus produtos respondem por algo entre 50% e 65% de seus pedidos (Parece que o Pareto não era muito bom de logística!). Isso equivale ao que poderíamos chamar de itens classe A. Veja portanto, que para atender a 50% dos seus pedidos será suficiente caminhar por 10% de seus endereços de separação.
Eu diria que com mais uns 20% dos seus itens você conseguirá atender mais 30% dos seus pedidos.

Aqui tem um segredinho! Se ao invés de colocar esses itens em linha após os itens principais, você usar a técnica de colocá-los em endereços transversais próximos ao caminho principal de separação (faça uma analogia com galhos de uma árvore), você conseguirá atender a cerca de 80% de seus pedidos andando somente algo em torno de 15% a 20% do total de seus endereços.

Manuseio único do item
Um outro segredo para o aumento da produtividade é pegar em cada item uma única vez. Como já dissemos, o processo de separação ideal deveria garantir que nenhuma operação de reembalagem, ou de conferência, devesse ser necessária.
Por outro lado, um outro ponto crucial nesse processo é fazer com que os separadores andem o mínimo possível. Para conseguir isso:

  • Desenhe o caminho de separação de modo que os separadores coletem produtos em ambos os lados do corredor enquanto caminham. Alguns sistemas de WMS usam sistemas de endereçamento que numeram filas de porta-páletes e não ruas - isso é péssimo para a produtividade da separação;

  • Coloque os seus itens de baixa rotatividade em endereços nos quais o separador só precise ir quando for estritamente necessário;

  • Desenhe o seu processo de separação de modo que o separador faça a coleta dos produtos de vários pedidos numa única viagem e sem visitar o mesmo endereço mais do que uma única vez. Eu chamo essa técnica de “unidade de trabalho” ou “unidade de separação”. O sistema de WMS deve agrupar as ordens de trabalho até um limite de peso, de volume, ou de caixas, ou de itens, que seja equivalente a um pálete.

Separando em páletes
Aliás, falando de páletes, aí está uma outra ferramenta de produtividade que nem sempre é empregada. Por incrível que pareça, ainda vejo por aí empresas em que a separação é feita sobre carrinhos que precisam ser descarregados na área de conferência à cada viagem do separador.
A simples substituição do carrinho por pálete elimina esse retrabalho e aumenta automaticamente a produtividade dos separadores.

Invista em seu pessoal
E como uma última dica, invista em seu pessoal desde a seleção daqueles que possam de fato contribuir para a eficiência de seus processos. Muitas vezes, parte da ineficiência vem de dificuldades de leitura, de dificuldades de visão, ou de problemas que poderiam ter sido detectados ainda no processo de seleção.
Não deixe de treiná-los, afinal os separadores são a linha de frente de sua tropa.
E adicionalmente motive-os mostrando o seu próprio comprometimento com os processos de sua empresa.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Como carregar um veículo de maneira perfeita

Inicialmente vamos falar resumidamente sobre as acelerações às quais estão sujeitas as cargas rodoviárias.

No sentido longitudinal e transversal, a aceleração provocada pelas frenagens e arrancadas não são as mais importantes. No entanto no sentido vertical, as acelerações causadas por lombadas, buracos, e irregularidades da pista representam cerca de 1,5G podendo mesmo chegar a picos de 6G.


É por esse motivo que os embarcadores precisam cuidar para que o carregamento de um veículo seja feito de maneira cuidadosa, o que se consegue seguindo algumas regras básicas:

Verifique seus produtos:
  • As embalagens estão intactas? (sem amassados, vazamentos, rasgos, etc...)
  • As embalagens estão corretamente identificadas?
  • Os produtos incompatíveis estão devidamente segregados? (por exemplo: aqueles mutuamente contaminantes)
  • As quantidades e tipos estão corretamente conferidas e disponíveis?
  • Planeje a estufagem:
  • O planejamento da estufagem de seu veículo garante que os produtos não sofrerão danos durante o transporte e o descarregamento?
  • A capacidade cúbica do veículo será utilizada ao máximo?
  • A conferência e o acesso aos produtos serão facilitados no momento do descarregamento?
  • Disponibilidade de equipamentos:
    O tempo gasto no carregamento também é importante e indicativo da qualidade de seu processo. Antes do início do carregamento você se assegurou que os meios necessários estão disponíveis? A carga está conferida e achada OK? E as Paleteiras, páletes, lacres, material de acolchoamento, etc...estão disponíveis para uso?

Checagem do veículo:

Verifique se o veículo está em boas condições conferindo:
  • Estanqueidade (feche o baú e veja se não vaza luz em nenhum ponto),
  • Estado do piso (plano, íntegro),
  • Limpeza (está sem odores? Não apresenta resíduos de cargas anteriores?
  • Não há obstruções ou pontas (de pregos ou parafusos) no piso ou nas paredes do baú, que possam danificar as embalagens ou ferir alguém?
  • A suspensão do veículo está em perfeitas condições (nivelada e alta)?
  • As portas se fecham normalmente?
  • Há como lacrar o baú (se conveniente ou necessário?
  • O veículo e/ou baú são apropriados para o(s) destino(s)?
  • A carga não vai exceder o peso por eixo?
  • A origem do veículo e seus documentos foram devidamente verificados?
  • Se você vai transportar produtos perigosos o motorista é capacitado? O veículo tem o kit de segurança?

Regras de ouro para a estufagem do veículo:
  1. Distribua o peso da carga uniformemente sobre todo o assoalho. O centro de gravidade deve ser o mais baixo possível e tão próximo do centro quanto possível. A atenção deve ser redobrada quando se está carregando cargas formadas por diversos produtos. Sempre que for possível mantenha juntos os lotes de um mesmo produto ou destinados a um mesmo local.Não se esqueça da distribuição de peso sobre os eixos.
  2. Nunca sobreponha produtos pesados sobre produtos leves.
  3. Nunca sobreponha produtos líquidos ou úmidos sobre produtos secos. As embalagens contendo produtos líquidos deveriam ser sempre estufadas embaixo e sobre uma camada de algum tipo de absorvente como serragem ou estopa para que, no caso de um vazamento, a umidade decorrente ficasse contida e reduzisse os danos aos produtos vizinhos. No entanto, essa prática é muito pouco comum no Brasil.
  4. Mantenha a carga presa principalmente junto à porta através de uma estrutura apropriada feita de sarrafos, ou com elásticos ou cabos. Esse é um cuidado especial com quem vai abrir a porta no destino.
    Calce os espaços entre as embalagens, através de sacos infláveis ou outro material de preenchimento. Esse é um cuidado essencial aos seus produtos.
  5. O ideal é que a carga não deixe espaços laterais entre as embalagens e as paredes do baú. Se isso acontecer, preencha ou calce para impedir o deslocamento lateral.
  6. Se suas embalagens são auto-suportantes, então empilhe-as canto sobre canto, visto que estes são os pontos de maior resistência vertical. Caso contrário, e principalmente se a carga for composta por diversos produtos, empilhe-as em blocos cruzados.
  7. Veículos carregando produtos perigosos devem ser identificados de acordo com a legislação. Não se esqueça de verificar isso previamente!
  8. Se o centro de gravidade da carga estiver muito distante do centro de gravidade do veículo, não se esqueça de avisar o motorista desse fato.
  9. Nunca ultrapasse a capacidade de carga do veículo.
  10. Após fechar a porta do baú, lacre-o, grave o número do lacre e registre-o da maneira apropriada nos documentos de envio.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Rampa máxima em niveladora para movimentação manual


Qual a rampa máxima em uma niveladora, que pode ser vencida por um homem ao transportar um pálete utilizando uma paleteira hidráulica manual?

Tive que responder essa pergunta para solucionar um problema relativo à movimentação de páletes, em uma área de piso elevado que precisará ser expandida em 7,70m e cujo desnível atual é de 1,30m em relação ao pátio, que apresenta uma rampa positiva de 2,5% em toda sua extensão. Por esse motivo, se o piso elevado mantivesse a horizontalidade perfeita ao longo da expansão, o desnível entre doca e pátio, ficaria menor em 0,20m.

O problema é portanto, determinar qual o comprimento de uma plataforma niveladora frontal que possa vencer o desnível entre a doca e um caminhão com 1,34m. e que possibilite a movimentação de páletes através de paleteiras manuais.

O que diz a Norma Regulamentadora?
Eu determinei teoricamente que uma rampa de 1% já eleva o esforço de movimentação em 35%. Em seguida consultei as normas regulamentadoras do Ministério do Trabalho mas estas não citam explicitamente e nem recomendam as inclinações máximas permissíveis para trabalho manual.

Segundo o Materials Handling Institute, a rampa máxima recomendável para movimentação de páletes com paleteiras manuais através de uma niveladora, é de apenas 3%.

A resolução do problema

O problema foi resolvido através de testes práticos utilizando-se um dinamômetro acoplado à manopla da paleteira e um pálete com peso conhecido e igual àquele que será movimentado na prática.

Desse modo pudemos registrar a força necessária para tirar esse pálete da inércia, bem como a força necessária para movimentá-lo em pisos com diversos graus de rampa.
Conhecendo a força necessária para movimentá-lo em condições ergonomicamente viáveis, concluímos que poderíamos estabelecer uma rampa de 1% ao longo de todo o piso elevado (atual e extensão), o que resultará num desnível entre doca e pátio mais favorável.

A partir do novo desnível doca-pátio calculamos qual o comprimento ideal da niveladora, de modo a atender os caminhões de 1,34m de altura com rampas confortáveis aos operadores.

No presente caso, a niveladora precisará ter 2,82m de comprimento útil, que resultará numa rampa de 3,0% a ser vencida.

É preciso lembrar porém, que durante o carregamento do veículo poderá haver uma variação de até 2,0% nessa rampa, em função da distribuição irregular da carga sobre a carroceria em relação ao eixo traseiro do veículo.

sábado, 10 de julho de 2010

Torne suas medições uma coisa divertida

CRIE UMA GALERIA DAS MEDIÇÕES

As dicas abaixo foram dadas por Stacey Barr, que é uma especialista em medição de desempenho, através do seu site.

Segundo ela, um jeito legal de fazer com que o pessoal se envolva com o processo de medição e se interesse pelos KPIs é estimulando-os a fazer coisas das quais eles já gostam como por exemplo: conversar e compartilhar suas idéias e críticas.

A idéia é aproveitar uma sala de reuniões e fazer dela uma Galeria, expondo pelas paredes, como se fossem obras de arte, os seus gráficos de KPIs, os mapas de resultados, os painéis com suas metas de negócios, os mapas dos processos: enfim qualquer informação que torne mais claro e transparente o que você está medindo, como está medindo, e porque está medindo.

Veja como fazer:
Envie um convite para todos os seus colaboradores que você gostaria que visitassem a sua Galeria.

  • Estabeleça um horário flexível que permita que eles possam visitar espontaneamente, e que fiquem pelo tempo que quiserem, tendo tempo para observar os quadros, fazer perguntas, dividir suas idéias e opinar a respeito;

  • Faça cópias grandes (pelo menos no tamanho A3) e exponha pelas paredes de forma harmoniosa (a idéia é que fique parecendo uma exposição de arte);

  • Tenha bloquinhos de anotações, post-it, canetas, e não seria má idéia, algumas bandejas com balas e biscoitos;

  • Assim que as pessoas chegarem, explique sucintamente as informações nas paredes, dê-lhes alguns post-its e uma caneta e peça a eles para compartilhar suas idéias e opiniões sobre o que você está medindo e como essas medições poderiam ser melhoradas;

  • Classifique todas as opiniões e use-as para implementar o modo como você está medindo suas metas.

Assegure-se de que os seus visitantes fiquem sabendo que as melhorias feitas nas medições saíram de suas opiniões.

domingo, 27 de junho de 2010

Frases sobre Logística ao longo da história

Fonte: Inbound Logistics Magazine



Pessoas famosas já disseram frases fantásticas sobre transporte e logística.
Talvez sejam as empresas que eles dirigem ou os exércitos que eles lideram, mas há um inegável viés marcial no modo como figuras históricas contextualizam a importância desse nosso negócio.

De uma inteligente e bem humorada frase ligando um cavalo sem ferradura com a desatenção pelos detalhes dita por Benjamin Franklin, até uma florida comparação entre a vitória e o transporte dita por Winston Churchill, a Inbound Logistics Magazine em sua edição de Junho, fez um mergulho nos anais da história para nos oferecer alguns ditos notáveis sobre “supply chain”.

Vamos a eles, Espero que gostem:

"Meus logísticos são um grupo mal humorado...Eles sabem que se minha campanha falhar, eles serão os primeiros a serem executados".

Alexandre O Grande



“Uma pequena negligência pode aumentar os mal-entendidos: Pela falta de um cravo, perdeu-se a ferradura, pela falta da ferradura perdeu-se o cavalo, e pela falta do cavalo o cavaleiro se perdeu".

Benjamin Franklin



Você não terá dificuldade em provar que batalhas, campanhas, e mesmo guerras foram vencidas ou perdidas primariamente por causa da logística.

General Dwight D. Eisenhower




A experiência me permite afirmar que os produtores são agora tão necessários à nossa independência, quanto para o nosso conforto.

Thomas Jefferson



Amadores falam em táticas. Profissionais falam em logística.

Ditado militar moderno



Logística é aquela coisa que se você não tiver o suficiente, sua guerra não será vencida tão breve quanto poderia.

Nathaniel Green, General Intendente do Exército Revolucionário Americano



“Cavalheiros, um oficial que não conhece sua comunicação e seus suprimentos tão bem quanto suas táticas é completamente inútil.”

General George S. Patton



“A VITÓRIA é a flor mais bonita, brilhante e colorida. Transporte é o caule sem o qual ela nunca teria desabrochado”

Sir Winston S. Churchill



A LINHA ENTRE
DESORDEM

e ORDEM
TEM ORIGEM NA LOGÍSTICA.

Sun Tzu

CRONOANALISTA Jr.

Otimize seus padrões de paletização e economize alguns milhões por ano

Nos sistemas de distribuição modernos utilizam-se padrões de paletização estabelecidos sobre páletes padronizados - no Brasil o mais comum é se utilizar o padrão PBR (1200mm x 1000mm 4 entradas). E cada posição pálete com o espaço que lhe é pertinente custa dinheiro na armazenagem e no transporte.

Empresas cujos produtos tem baixo peso específico pagam seus fretes por volume ao invés de pagá-lo por peso transportado. Desse modo, é preciso garantir que o máximo de produtos poderá ser acondicionado no espaço disponível.

E a quantidade de dinheiro que pode ser economizada quando se tem caixas volumetricamente eficientes pode ainda ser aumentada se o projeto permitir que uma única caixa seja utilizada para mais do que um produto.

ARRANJO DOS PRODUTOS NA CAIXA
Tudo deve começar com uma caixa bem projetada.
Projetar uma embalagem até parece fácil. Afinal não é só procurar fazer um arranjo interno compacto?

Só que a coisa não é tão fácil assim! Quanto menores são as unidades dos produtos embalados e quanto mais unidades por caixa, mais cresce a quantidade de combinações possíveis de embalagem e arranjo (empilhamento) no pálete.

Somente para dar um exemplo: Para projetar uma caixa múltipla contendo 4 unidades de produto serão possíveis 18 diferentes formatos. E cada um deles permitirá diversos arranjos sobre os páletes com diferentes aproveitamentos do volume disponível.


Imagine então quantas alternativas teremos ao projetar uma caixa de 12 unidades!?
Teremos 33 diferentes alternativas de dimensões para essa caixa e um sem número de diferentes arranjos sobre o pálete.

ADEQUAÇÃO DA CAIXA AO PÁLETE
Portanto, não só é importante ter uma caixa que seja bem adaptada aos seus produtos mas também que seja adequada ao pálete (ou à sua unidade principal de armazenagem e transporte).

Essa é a razão porque cada vez mais as empresas recorrem a software ou serviços de projetos de embalagem que integram suas dimensões ao modo como as caixas serão armazenadas e transportadas.

Se você consegue influenciar no projeto de suas embalagens, e principalmente para aqueles cujos produtos tem peso específico baixo, verifique primeiro se não há espaço interno sub-ocupado nas caixas de seus produtos, que implique em uma quantidade menor de produtos sobre o pálete.

Na ilustração a seguir veja o que acontece quando eliminamos 20mm na altura e no comprimento de uma caixa, por exemplo através de uma revisão no projeto do acolchoamento. Uma racionalização como essa é capaz de melhorar o padrão de paletização em mais de 100%.



Veja também qual é a eficiência de seus padrões de paletização.

Isso é fácil. A área do pálete PBR é 1,2m². Imaginando uma altura disponível de 1,6m para seus páletes, então o volume disponível será de 1,9m³.
Em seguida veja quantas caixas do produto estão previstas no padrão de paletização e multiplique pelo volume de uma caixa.
Ao final divida o volume total das caixas pelo volume do pálete.
Se o resultado foi menor que 0,8 você está perdendo dinheiro!

É razoável que se obtenha índices de pelo menos 0,85 para a eficiência volumétrica dos padrões de paletização.
Veja se é possível rearrumar as caixas sobre os páletes para melhorar essa eficiência. Caso contrário, está na hora de revisar o projeto de suas embalagens!

Pense nisso!

terça-feira, 22 de junho de 2010

Como empilhadeiras sem operador podem melhorar a produtividade do seu armazém



Veja também uma entrevista de 10 minutos com Benny Forsman, Gerente de negócios da Pick-n-Go North America, no site da Supply Chain brain . É preciso se cadastrar.

Segundo o que foi dito na entrevista o sistema é capaz de proporcionar um ganho de 30-40% nas operações de armazenagem e de 60% a 100% de produtividade adicional nos processos de separação de mercadorias.

domingo, 20 de junho de 2010

Dicas de especialistas sobre segurança em armazéns




A Inbound Logistics Magazine de Maio, trouxe uma reportagem extensa e muito interessante sobre segurança em armazéns destacando as ações tomadas por um Operador logístico americano "APL Logistics", entrevistando Dixie Brock que é o gerente nacional de segurança, Bill Hayes, gerente da unidade de Tracy, Ca; e Steve Mullins da unidade de Coloma, Mi.

Para que vocês tenham uma idéia da preocupação da APL com a segurança, a unidade de Scottsdale, Az, detém um índice de acidentes que é 62% menor do que a média americana, a unidade de Tracy atingiu a marca de um milhão de horas homem sem acidentes e a unidade de Coloma atingiu 3 anos sem acidentes ou qualquer tipo de incidente registrável pela OSHA, que é a agência americana de segurança e saúde ocupacional.

Eu recomendo a leitura completa mas vou dar uma pincelada em alguns pontos que achei interessante.

Bandeirolas nas empilhadeiras:
As empilhadeiras trazem mastros flexíveis com bandeirolas que são visíveis acima de pilhas de páletes na área de estacionamento. Desse modo, os passantes pelos corredores principais enxergam as bandeirolas mesmo antes de enxergas as empilhadeiras.

Pintura de pilares:
Hayes diz que os pilares dos armazéns são pintados de uma cor surpreendente, ROSA. Segundo ele, essa cor oferece maior visibilidade periférica do que vermelho ou amarelo.

Sinalização de solo e espelhos:
As extremidades dos corredores e cruzamentos tem sinalização de solo na forma de uma faixa vermelha, e há espelhos convexos estrategicamente espalhados por todo o armazém.

Cintos de segurança:
Hayes diz também que em seus armazéns há uma política de tolerância zero com operadores de empilhadeira sem cinto de segurança, em que a primeira infração corresponde a uma suspensão e a segunda dá demissão imediata. Essa política de erros sem perdão se aplica também a outras atitudes inseguras no uso do equipamento mas se justifica quando se sabe que só nos Estados Unidos as empilhadeiras e outros equipamentos industriais são responsáveis por cerca de 20.000 acidentes e 100 mortes anuais, e muitas dessas ocorrências poderiam ser evitadas ou minimizadas se os operadores utilizassem constantemente seus cintos de segurança.

Critérios de premiação:
A empresa no entanto, não quer que seus empregados vejam a segurança somente através de aspectos negativos. Porisso reforça a ligação entre segurança e produtividade através da inserção de métricas que tenham componentes ligados a ela.
Por exemplo: Na premiação semanal só concorrem os empregados que não tenham tido incidentes ou violações de segurança nos 7 dias anteriores.

Competição e Bingo de segurança:
Na unidade de Coloma, Mullins diz que há um programa chamado “Você sabe mais do que sua equipe de segurança?” em que alguns empregados são incentivados a responder 10 questões sobre segurança numa competição contra os membros do comitê de segurança da unidade.

O bingo só com questões relativas à segurança do trabalho é feito da seguinte maneira: À cada mês a empresa oferece uma certa quantia em dinheiro que poderá atingir US$575. Ao final do mês, se não houve nenhum acidente esse dinheiro corresponderá ao prêmio do bingo. Caso tenha havido algum acidente, o bingo não é feito e no mês seguinte o prêmio será de apenas US$125.

Auto-treinamento:
Brock diz também que os empregados são incentivados a eles mesmos desenvolverem programas de treinamento. No ano passado, por exemplo, eles fizeram em conjunto uma apresentação em PowerPoint sobre segurança na operação de empilhadeiras que, de tão boa, foi compartilhada com as outras unidades.

SEGURANÇA NAS DOCAS

A reportagem continua falando que 80% dos acidentes com empilhadeiras concentra-se na área de docas, apesar de que geralmente essa área corresponde a somente 20% da área total do armazém.
Uma das causas mais comuns, segundo a reportagem, são os atropelamentos, principalmente nos casos em que o carregamento é feito diretamente através das empilhadeiras dentro dos veículos.

Para isso, recomendam sinalização específica de aviso quando há empilhadeira no interior do baú, sensores de presença, indicadores de travamento dos veículos nas docas, etc...

A reportagem termina dizendo que a prevenção de acidentes começa com liderança, treinamento, comunicação, avaliação dos riscos, e controle, e fornece os 10 passos para tornar o seu armazém mais seguro:

  1. A segurança começa pelos níveis superiores da sua hierarquia;

  2. Treinamento é imprescindível;

  3. Observe como os colaboradores trabalham;

  4. Busque o envolvimento dos empregados;

  5. Esquematize o trabalho para que atenda as necessidades ergonômicas e pessoais dos empregados;

  6. Avalie os riscos de cada atividade;

  7. Avalie as condições do armazém;

  8. Investigue a causa dos incidentes e acidentes;

  9. Mantenha um canal consistente de comunicação entre todos os níveis;

  10. Crie métricas que avaliem a presença de situações seguras e não somente a falta de segurança.


E com relação ao seu armazém, quais foram as suas iniciativas no último ano?

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Tenho um excedente de estoque para armazenar. E agora?

Conforme a filosofia “Lean Warehousing”, o excesso de estoque é um dos 8 desperdícios que devem ser combatidos diuturnamente para se atingir a perfeição operacional.

O excesso de estoque, muitas vezes é até necessário para fazer frente a uma campanha futura, ou às necessidades sazonais, acima do previsto, MAS SEMPRE leva à desorganização dos sistemas de armazenagem e muitas vezes a uma perda de controle.

Então é preciso saber lidar com esses excessos de modo de forma planejada para que o sistema de armazenagem continue funcionando eficientemente.

No caso de um sistema de armazenagem em estruturas porta-páletes seletivas (convencionais), podemos pensar em utilizar o espaço dos corredores para emblocar páletes sobrepostos. Porém, ao usar o corredor como espaço de armazenagem, eliminamos a possibilidade de acesso aos páletes de outros produtos previamente armazenados nas estruturas, que poderiam ser necessários a qualquer instante.

Então, o que fazer?

Imagine que você tem uma grande quantidade de páletes do produto "xyz" e não tem posições livres nos porta-páletes suficientes para armazená-lo. Portanto, essa quantidade excedente terá que ser alocada em seu armazém, num local de baixa interferência com seus fluxos normais.

Para reduzir o transtorno à sua operação, basicamente você terá que escolher um trecho de uma rua de porta-páletes e utilizá-la para armazenar o mesmo produto tanto nas posições das estruturas quanto em um bloco de páletes sobrepostos no espaço da rua. Essa prática limitará a área de exceção reduzindo o transtorno dos páletes armazenados nos corredores.

Para facilitar a decisão de quantas posições deverão ser interditadas no WMS para ser utilizada como área de emblocamento, eu desenvolvi um algoritmo em Excel que a partir da informação de quantos páletes (do mesmo produto) existem para armazenar, informará a quantidade de módulos de porta-páletes, e o espaço de rua correspondente, que será necessário.



Esse algoritmo está disponível no SCRIBD e pressupõe o uso de porta-páletes convencionais e corredores de 3,00m entre as faces das longarinas.

Primeiramente escolha uma rua de porta-páletes de baixo fluxo e nela um trecho onde exista a possibilidade de interditá-la (normalmente na extremidade mais distante das docas).

Em segundo lugar, identifique quantos páletes do produto xyz já existem no armazém ocupando posições nas estruturas porta-páletes. Esses páletes deverão ser transferidos para o trecho do corredor escolhido deixando suas posições livres para receber uma igual quantidade de páletes de quaisquer produtos ocupantes das posições do trecho de porta-páletes que está sendo interditado.

Veja no entanto que não se trata de uma troca pura e simples porque os produtos xyz que estão saindo dos porta-páletes são mais antigos que aqueles ainda sem posição de armazenagem e, portanto, deverão ficar numa posição tal que sejam os primeiros a sair.

Some essa quantidade à quantidade ainda sem posição de armazenagem e você terá a quantidade total de páletes para os quais a técnica será empregada.

Por exemplo: Digamos que a somatória dos páletes já existentes nos porta-páletes e daqueles ainda por armazenar seja 48. Consideremos também que seus porta-páletes tem 4 níveis e que ao emblocar só se possa sobrepor um pálete sobre o outro.

Entrando com esses dados no aplicativo, você terá como resposta a quantidade de módulos que ficará interditada e, portanto, deverá ser utilizada para armazenar o mesmo produto xyz como se fosse um bloco único.

No exemplo de 48 páletes, o Excel responderá que você precisará de um trecho de rua com 2 módulos. Nesse caso, você terá que retirar os 32 páletes que estão ocupando essas posições nas estruturas (2 módulos de 4 níveis correspondem a 16 páletes de cada lado da rua) e realocá-los em outros endereços de seu armazém. Nos endereços liberados caberão 32 páletes e no trecho do corredor em frente a eles caberão 16 páletes sobrepostos um sobre o outro, totalizando seus 48 páletes.

No entanto, o mundo seria maravilhoso se você tivesse 32 páletes do produto xyz espalhados pelo seu armazém, e apenas 16 para emblocar. Geralmente você receberá um grande volume e terá muito pouco já dentro de casa.

É nesse ponto que entra a habilidade do planejador porque muito provavelmente, se o seu armazém já está superlotado não haverá posições disponíveis para fazer trocas.

Nesse caso, faça suas trocas com produtos cuja chance de serem necessários durante o período de exceção seja a menor possível. Digamos que você tivesse 5 páletes xyz em outras posições. 32-5=27 páletes. Pesquise os produtos que tenham os maiores estoques em dias de venda e coloque apenas alguns páletes de cada um nas posições que ficarão inacessíveis, de modo a reduzir o seu risco.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Nunca analise as coisas de um único ponto de vista

Um(a) analista de métodos e processos é uma pessoa especial. Não lhe bastam conhecimentos acadêmicos. É verdade que são importantíssimos até porque instrumentalizam o indivíduo para resolver problemas. Porém, o que eu mais prezo no pessoal que trabalha comigo é um pacote composto por criatividade, senso de observação, capacidade de questionamento e de simplificar as coisas.

Vamos falar aqui de observação e questionamento. A criatividade e a simplificação merecem uma outra postagem!

Muita gente tem uma dificuldade danada para considerar alternativas, simplesmente porque assume que aquilo que está vendo é verdadeiro e inquestionável.
A capacidade de questionamento permeia as outras habilidades porque de nada adianta observar e obter milhares de “instantâneos” de um evento, se não souber o que fazer com eles, ou como analisá-los.

Nosso cérebro, quando não treinado, é facilmente enganado pela primeira camada de evidências que formam as nossas premissas ou paradigmas.
Desse modo, é preciso também saber enxergar, mais do que ver o que nos está sendo apresentado.

Para obter êxito nesse propósito, o importante é nunca analisar as coisas que vê a partir de um único ponto de vista, ainda que pareça ser o único correto.

Duvide sempre! Aprenda que a única coisa inquestionável é que tudo é questionável!

Vejam estes dois vídeos. Vocês tem duas alternativas: Acreditar que o impossível acontece ou assistir até o final e perceber como é importante olhar para as coisas de vários pontos de vista.

Como é possível atravessar um lápis pelas duas porcas ao mesmo tempo?



Já ouviu falar em força da gravidade negativa?

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Sobre simplicidade

Simplicity means the achievement of maximum effect with minimum means.

Numa tradução livre, Simplicidade é adquirir o máximo de efeito com o mínimo de recursos.

Dr. Koichi Kawana

Koichi Kawana foi um extraordinário artista, poeta, arquiteto e paisagista japonês, conhecido dentre outras obras por seus jardins orientais, como o da foto abaixo em Van Nuys - Los Angeles



http://www.you-are-here.com/location/japanese_gardens.html

Algumas posturas simples para auto-desenvolvimento


  • Seja mais agressivo

  • Agressividade no bom sentido é sempre bem vinda! A agressividade nesse contexto significa não ser acomodado, não se deixar levar pela situação, e sim desafiar os fatos e enfrentá-los de forma positiva. Significa também correr riscos e assumir suas consequências. Lembre-se que só erra quem faz!

  • Atualize-se / Informe-se / Leia

  • A informação em nossos dias é uma entidade extremamente volátil. A verdade de agora poderá ser posta à prova e refutada nos próximos 5 minutos. Por isso é imprescindível a atualização constante.
    Informe-se sempre ainda que de forma autodidata. Só não acredite em tudo piamente. Critique e duvide!
    Leia manuais, livros técnicos, "white papers", catálogos, inclusive fora de sua área específica de trabalho, e mais biografias, livros de arte, páginas esportivas, até bulas de remédio. O importante é que se tenha informações constantes. Traçar uma meta diária de atualização e informação e tão importante para o seu cérebro quanto ir pra academia.

  • Use um pouco mais do seu tempo para inovar

  • Pense diariamente naquilo que você faz e como poderia ser feito de forma diferente.
    Se você produz algo, pense nas alternativas que poderiam substituir ou eliminar o seu produto. Quer um exemplo? Pense na reviravolta provocada pela fotografia digital para os "reveladores de fotografias", ou nos fabricantes de agulhas fonográficas quando a Philips inventou o CD. Nos fabricantes de fitas entintadas para máquinas de escrever, etc... Salve-se! Pense no futuro do seu produto ou serviço e INOVE!

  • Provoque para si "notoriedade.

Uma velha história à respeito disso é aquela sobre as qualidades do ovo de pata. Pode ser fantástico mas quem vende mais é a galinha porque faz mais barulho!
É tudo uma questão de propaganda. Dentro dos limites éticos e sem pisar no ombro de ninguém, é sempre bom estar sob os holofotes. Portanto, escreva, dê palestras, mostre que você é um especialista. O sucesso virá com certeza!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Quando é vantagem usar o emblocamento de páletes como forma de armazenagem?

Muitas vezes ao analisar um fluxo de movimentação ficamos frente a frente com necessidades de armazenagem que dispensariam o uso de estruturas de armazenagem, ou de situações que impedem sua utilização. Porém, até que ponto a utilização do espaço será eficiente?
Quando se trata de uma armazenagem tipo “pulmão” ou “excedente” em que não há expectativa de movimentação constante, ou ainda quando a movimentação se dá em apenas um sentido: entrada ou saída, os problemas, ainda que existam, são menores.
Porém se considerarmos que haverá um fluxo simultâneo de entrada e saída (mesmo que por um tempo determinado), então há várias questões que devem ser respondidas previamente para eleger o emblocamento de páletes como forma de armazenagem:

  1. As embalagens do produto (ou produtos) suportam esse tipo de empilhamento? Muitas vezes a caixa múltipla ou a unidade do produto não tem resistência suficiente para suportar nem mais uma camada sobreposta além do pálete. E isso supondo que está suportando bem o padrão de paletização!
    Lembre-se que se colocarmos 2 páletes sobrepostos, cada um com 5 lastros, a caixa do lastro mais baixo estará suportando o peso de 9 caixas sobre ela e mais uma fração do peso do pálete.

  2. Em segundo lugar devemos analisar a seletividade necessária. Num emblocamento só teremos acesso ao primeiro pálete da fila, que foi o último a ser armazenado naquela fila. Portanto o produto que foi armazenado em primeiro lugar será o último a ser retirado. Até que ponto isso é viável?
    Qual o grau de obediência ao princípio PEPS (primeiro a entrar – primeiro a sair) que eu devo (ou posso) ter?

  3. Também existe a questão da quantidade de páletes que deverá ser armazenada. Se os lotes são pequenos, tipo 5 ou 6 páletes de cada produto, é pouco provável que o dimensionamento das filas de emblocamento resulte num aproveitamento minimamente razoável do espaço ocupado, conforme veremos a seguir.

Portanto, a primeira resposta a ser obtida é se as caixas resistem a um emblocamento que resulte num aproveitamento razoável do pé direito do armazém.
A segunda resposta necessária é se o tipo de produto a ser emblocado não provocará problemas de validade vencida, ou entrega de lotes errados, o que tem a ver com a rotatividade do estoque e rastreabilidade do produto.
E a terceira é se teremos páletes suficientes para usar esse sistema de armazenagem.


COMO DIMENSIONAR O TAMANHO DOS BLOCOS?
Uma vez que se decida por utilizar o emblocamento, e certo de que os níveis de sobreposição sofrem uma limitação automática ou pela resistência das embalagens ao empilhamento, ou pelo pé direito disponível, teremos que decidir o tamanho dos blocos, em termos da quantidade de filas e da profundidade dessas filas.

Aqui vai a primeira dica: Armazene os páletes fila por fila. Desse modo no momento da retirada, é só determinar a fila onde estão os páletes mais antigos e isso garantirá o PEPS. Essa metodologia implica em que do mesmo modo, haverá sempre uma única fila onde os páletes estarão sendo armazenados segundo sua ordem de chegada ao armazém.
É claro que o PEPS acontecerá dentro do limite da quantidade de páletes armazenados na fila. Portanto se cabem 20 páletes na fila, o primeiro pálete que foi armazenado será o 20º a sair. Se a capacidade da fila for de 50 páletes, então o primeiro pálete armazenado sairá em 50º lugar.

A EFICIÊNCIA VOLUMÉTRICA NO USO DA ÁREA
Como vimos, é importante determinar uma fila para a entrada e outra para a saída. No pior caso, em ambas teremos apenas 1 pálete. Em uma aquele que resta para sair, e na outra o único que foi armazenado até o momento.
Então, o que determina a eficiência do uso da área é a quantidade de filas do emblocado. Veja só:



Na figura da esquerda, a ocupação é de 3 filas em 5. Portanto 60% (no pior caso).
Na figura da direita, a ocupação é de 8 filas em 10. Portanto 80% (no pior caso).
Portanto, quanto maior for a quantidade de filas que está sendo ocupada pelo emblocamento do produto, maior a eficiência volumétrica.

A partir dessa constatação, será necessário dimensionar a profundidade das filas de modo a manter o estoque em uma quantidade razoável de filas, sem perder de vista que, ao reduzir a profundidade você terá necessidade de maior quantidade de corredores – que também reduzem a eficiência do uso de seu espaço.

Não entraremos no mérito da comparação entre sistemas de armazenagem, mas perceba que para obter um índice aceitável de aproveitamento do seu armazém são necessários volumes maiores que 40 ou 50 páletes de um mesmo produto.

Isso posto, concluímos que mesmo utilizando simples emblocados, o uso do espaço de seu armazém necessita ser bem planejado para evitar as armadilhas do mal aproveitamento.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

MENSAGEM à GARCIA

Hoje resolvi postar um clássico da literatura corporativa. "Mensagem à Garcia". Creio que a maioria já teve oportunidade de ler ou pelo menos ouviu falar desse texto.
A quem não o conhece, peço que gaste algum tempo para lê-lo.
É de Fevereiro de 1899 e foi escrito por Helbert Hubbard, então editor de uma revista chamada Philistine. Apesar da idade, é de uma atualidade absoluta nestes tempos de empreendedorismo.

Em 1913, o autor contou que escreveu aquilo que chamou de "insignificância literária" em apenas uma hora, motivado por uma conversa que teve com o filho sobre um herói da guerra Hispano Americana, que havia sido iniciada no ano anterior (1898).

Após a primeira publicação em sua revista, despreocupadamente e até sem título, Hubbard disse ter ficado surpreendido pela repercussão que teve e pelos inúmeros pedidos para reimpressão. Por falta de condições para entregar as encomendas acabou autorizando a publicação por terceiros e o resultado foi talvez o primeiro texto de características virais de que se tem notícia, tendo sido traduzido e publicado em quase todos os idiomas do planeta (e isso sem internet!).

O ensaio relata a história de "um camarada de nome Rowan", inspirado no tenente Andrew Summers Rowan, que heroicamente, contra todas as adversidades, entregou uma mensagem do presidente estadunidense McKinley ao general Calixto Garcia Íñiguez, líder das forças rebeldes cubanas.

MENSAGEM À GARCIA
Em todo este caso cubano, um homem se destaca no horizonte de minha memória como o planeta Marte em seu periélio. Quando irrompeu a guerra entre a Espanha e os Estados Unidos, o que importava a estes era comunicar-se rapidamente com o chefe dos insurretos, Garcia, que se sabia encontrar-se em alguma fortaleza no interior do sertão cubano, mas sem que se pudesse precisar exatamente onde. Era impossível comunicar-se com ele pelo correio ou pelo telégrafo. No entanto, o presidente tinha que tratar de assegurar-se da sua colaboração, e isto o quanto antes. Que fazer?

Alguém lembrou ao presidente: "Há um homem chamado Rowan; e se alguma pessoa é capaz de encontrar Garcia, há de ser Rowan".
Rowan foi trazido à presença do presidente, que lhe confiou uma carta com a incumbência de entregá-la a Garcia. De como este homem, Rowan, tomou a carta, meteu-a num invólucro impermeável, amarrou-a sobre o peito, e, após quatro dias, saltou, de um barco sem coberta, alta noite, nas costas de Cuba; de como se embrenhou no sertão, para, depois de três semanas surgir do outro lado da ilha, tendo atravessado a pé um país hostil e entregado a carta a Garcia, são coisas que não vêm ao caso narrar aqui pormenorizadamente.

O ponto que desejo frisar é este: Mac Kinley deu a Rowan uma carta para ser entregue a Garcia; Rowan pegou a carta e nem sequer perguntou: "Onde é que ele está?".

Hosannah! Eis aí um homem cujo busto merecia ser fundido em bronze perene e sua estátua colocada em cada escola do país. Não é de sabedoria livresca que a juventude precisa, nem de instrução sobre isto ou aquilo. Precisa, sim, de um endurecimento das vértebras, para poder mostrar-se altivo no exercício de um cargo; para atuar com diligência, para dar conta do recado; para, em suma, levar uma mensagem a Garcia.

O general Garcia já não é deste mundo, mas há outros Garcias. A nenhum homem que se tenha empenhado em levar avante uma empresa, em que a ajuda de muitos se torne precisa, tem sido poupado de momentos de verdadeiro desespero ante a imbecilidade de grande número de homens, ante a inabilidade ou falta de disposição de concentrar a mente numa determinada coisa e fazê-la.

Assistência irregular, desatenção tola, indiferença irritante e trabalho mal-feito parecem ser a regra geral. Nenhum homem pode ser verdadeiramente bem-sucedido, salvo se lançar mão de todos os meios ao seu alcance, quer da força, quer do suborno, para obrigar outros homens a ajudá-lo, a não ser que Deus onipotente, na sua grande misericórdia, faça um milagre enviando-lhe como auxiliar um anjo de luz.

Leitor amigo, tu mesmo podes tirar a prova. Estás sentado no teu escritório, rodeado de meia dúzia de empregados. Pois bem, chame um deles e peça-lhe: "Queira ter a bondade de consultar a enciclopédia e de me fazer uma descrição sucinta da vida de Corregio".

Dar-se-á o caso do empregado dizer calmamente: "Sim senhor" e executar o que lhe pediu?
Nada disso! Olhar-te-á perplexo e de soslaio para fazer uma ou mais das seguintes perguntas:

Quem é ele?
Que enciclopédia?
Onde é que está a enciclopédia?
Fui eu acaso contratado para fazer isso?
Não quer dizer Bismarck?
E se Carlos o fizesse?
Já morreu?
Precisa disso com urgência?
Não será melhor que eu traga o livro para que o senhor mesmo procure o que quer?
Para que quer saber disso?


E aposto dez contra um que, depois de haveres respondido a tais perguntas, e explicado a maneira de procurar os dados pedidos e a razão por que deles precisas, teu empregado irá pedir a um companheiro que o ajude a encontrar “Korregio”, e depois voltará para te dizer que tal homem não existe.

Evidentemente, pode ser que eu perca a aposta; mas, segundo a lei das médias, jogo na certa. Ora, se fores prudente, não te darás ao trabalho de explicar ao teu "ajudante" que Corregio se escreve com "C" e não com "K", mas limitarás a dizer-lhe meigamente, esboçando o melhor sorriso: "Não faz mal; não se incomode", e, dito isto, te levantarás e procurarás tu mesmo.

E esta incapacidade de atuar independentemente, esta inépcia moral, esta invalidez de vontade, esta atrofia de disposição de solicitamente se pôr em campo e agir – são as causas que recuam para um futuro tão remoto o advento do socialismo puro.

Se os homens não tomam a iniciativa de agir em seu próprio proveito, que farão quando o resultado do seu esforço for necessário para redundar em benefício de todos? Por enquanto parece que os homens ainda precisam ser feitorados. O que mantém muito empregado no seu posto e o faz trabalhar é o medo de, se não o fizer, ser despedido no fim do mês.

Anuncie precisar de um taquígrafo, e nove entre dez candidatos à vaga não saberão ortografar nem pontuar – e, o que é pior, pensam que não é necessário sabê-lo.

Poderá uma pessoa destas escrever uma carta a Garcia?

"Vê aquele guarda-livros", dizia-me o chefe de uma grande fábrica.
"Sim, que tem?"
"É um excelente guarda-livros. Contudo, se eu o mandasse transmitir um recado, talvez se desobrigasse da incumbência a contento, mas também podia muito bem ser que no caminho entrasse em duas ou três casas de bebidas, e que, quando chegasse ao seu destino, já não se recordasse da incumbência que lhe fora dada."

Será possível confiar a um tal homem uma carta para entregá-la a Garcia?

Ultimamente temos ouvido muitas expressões sentimentais, externando simpatia para com os pobres entes que mourejam de sol a sol, para com os infelizes desempregados à cata de trabalho honesto, e tudo isto, quase sempre, entremeado de muita palavra dura para com os homens que estão no poder.

Nada se diz do patrão que envelhece antes do tempo, num baldado esforço para induzir eternos desgostosos e descontentes a trabalhar conscienciosamente; nada se diz de sua longa e paciente procura de pessoal, que no entanto, muitas vezes nada mais faz do que "matar o tempo", logo que ele volta as costas. Não há empresa que não esteja despedindo pessoal que se mostra incapaz de zelar pelos seus interesses, afim de substituí-lo por outro mais apto.

Este processo de seleção por eliminação está se operando incessantemente, em tempos adversos, com a única diferença que, quando os tempos são maus e o trabalho escasseia, a seleção se faz mais escrupulosamente, pondo-se fora, para sempre, os incompetentes e os inaproveitáveis. É a lei da sobrevivência do mais apto. Cada patrão, no seu próprio interesse, trata somente de guardar os melhores – aqueles que podem levar uma mensagem a Garcia.

Conheço um homem de aptidões realmente brilhantes, mas sem a fibra precisa para gerir um negócio próprio e que, ademais, se torna completamente inútil para qualquer outra pessoa, devido à suspeita insana que constantemente abriga de que seu patrão o esteja oprimindo ou tencione oprimi-lo. Sem poder mandar, não tolera que alguém o mande. Se lhe fosse confiada uma mensagem a Garcia, retrucaria provavelmente: "Leve-a você mesmo".

Hoje este homem perambula errante pelas ruas em busca de trabalho, em quase petição de miséria. No entanto, ninguém que o conheça se aventura em dar-lhe trabalho porque é a personificação do descontentamento e do espírito de réplica. Refratário a qualquer conselho ou admoestação, a única coisa capaz de nele produzir algum efeito seria um bom pontapé dado com a ponta da bota de número 42, sola grossa e bico largo.

Sei, não resta dúvida, que um indivíduo moralmente aleijado como este não é menos digno de compaixão que um fisicamente aleijado. Entretanto, nesta demonstração de compaixão, vertamos também uma lágrima pelos homens que se esforçam por levar avante uma grande empresa, cujas horas de trabalho não estão limitadas pelo som do apito e cujos cabelos ficam prematuramente encanecidos na incessante luta em que estão empenhados contra a indiferença desdenhosa, contra a imbecilidade crassa e a ingratidão atroz justamente daqueles que, sem o seu espírito empreendedor, andariam famintos e sem lar.

Dar-se-á o caso de eu ter pintado a situação em cores demasiado carregadas? Pode ser que sim; mas, quando todo mundo se apraz em divagações, quero lançar uma palavra de simpatia ao homem que imprime êxito a um empreendimento, ao homem que, a despeito de uma porção de empecilhos, sabe dirigir e coordenar os esforços de outros, e que, após o triunfo, talvez verifique que nada ganhou; nada, salvo sua mera subsistência.
Também eu carreguei marmitas e trabalhei como jornaleiro, como também tenho sido patrão. Sei, portanto, que alguma coisa se pode dizer de ambos os lados.

Não há excelência na pobreza de per si; farrapos não servem de recomendação. Nem todos os patrões são gananciosos e tiranos, da mesma forma que nem todos os pobres são virtuosos.

Todas as minhas simpatias pertencem ao homem que trabalha conscienciosamente, quer o patrão esteja, quer não. E o homem que, ao lhe ser confiada uma carta para Garcia, tranquilamente toma a missiva, sem fazer perguntas idiotas, e sem a intenção oculta de jogá-la na primeira sarjeta que encontrar, ou praticar qualquer outro feito que não seja entregá-la ao destinatário, este homem nunca fica "encostado", nem tem que se declarar em greve para forçar um aumento de ordenado.

A civilização busca ansiosa, insistentemente, homens nestas condições. Tudo que um tal homem pedir, se lhe há de conceder. Precisa-se dele em cada cidade, em cada vila, em cada lugarejo, em cada escritório, em cada oficina, em cada loja, fábrica ou venda. O grito do mundo inteiro praticamente se resume nisso: Precisa-se, e precisa-se com urgência, de um homem capaz de levar uma mensagem a Garcia.

Elbert Hubbard

O ensaio merece de nós uma profunda reflexão. Quantas vezes, nós cidadãos, políticos, empresários, entidades, deixamos de entregar a nossa mensagem a Garcia?

quarta-feira, 28 de abril de 2010

CRONOANÁLISE COMO FERRAMENTA DE PLANEJAMENTO

Com alguma freqüência eu sou questionado com perguntas do tipo:
- Preciso dispor de alguma ferramenta que me informe quanto tempo eu levarei para cumprir uma determinada tarefa. Posso registrar os tempos de cada operação e tirar uma média?
Qual a melhor forma para medir o desempenho do meu pessoal operacional?

Primeiros registros

Se você não mede o desempenho de seu pessoal de nenhum modo, um primeiro passo pode ser o registro do consumo de seus recursos em relação às tarefas do dia a dia. Para isso, estabeleça uma folha de controle simples, em que sejam anotados o nome do responsável pela tarefa (pessoa ou grupo), a hora de início e a hora de finalização, quantas pessoas estiveram envolvidas, e o volume de trabalho correspondente, seja em m³, em caixas, em linhas de pedido. Enfim inicie um registro.
Desse modo, depois de algum tempo você terá um registro histórico de suas atividades. Embora a confiabilidade seja baixa, e os detalhes mínimos, ainda assim você terá uma medida para sua orientação.
Mas registros desse tipo não oferecem os detalhes suficientes para que possam ser aproveitados para um planejamento confiável. Então como isso pode ser melhorado?

O Estudo do Trabalho

Para responder essa questão precisamos falar um pouco sobre o Estudo do Trabalho.
Isso vem a ser o “Estudo da atividade laboral” por meio de observações e análises, com a caracterização das interferências ocasionais e das suas relações com o desempenho, de modo a obter o melhor controle do processo como um todo.
Esse estudo se divide em 2 partes:

  1. Estudo dos métodos:

  2. Investigação dos métodos de trabalho para obtenção de melhor eficiência.
    Com isso você terá um painel completo de como suas operações se desenvolvem atualmente, e quais alterações merecem ser feitas nos seus métodos de trabalho de modo a possibilitar um ganho de desempenho (eliminar tarefas ou movimentos desnecessários, reduzir distâncias, etc...).

  3. Estudo dos tempos:

  4. Investigação do tempo necessário à execução das tarefas considerando fadiga e tolerâncias pessoais.
    Após a racionalização dos seus métodos, deverá ser feita uma análise em detalhe dos tempos de suas operações. Como resultado você terá uma visão totalmente clara de como suas operações consomem seus recursos e desse modo conseguirá planejar o tempo necessário para dar conta de sua demanda com os recursos disponíveis no momento.

Para obter os melhores resultados devemos investigar:

  • Métricas
  • Níveis de serviço
  • Potencial de melhorias
  • Grau de utilização dos recursos
  • Métodos de apropriação dos custos
  • Potencial de planejamento
  • Métodos de comparação
  • Ligação com os sistemas corporativos

E COMO ISSO PODERÁ SER FEITO?
Há algum tempo eu fiz 2 postagens sobre cronometragem de operações indiretas. Vale dar uma olhada! Mas esse é um trabalho para especialistas em tempos e métodos, e no caso de operações centradas em movimentação de materiais, não basta ser um cronoanalista especializado em operações industriais. É preciso que se tenha uma visão treinada nas dificuldades de se medir operações não repetitivas e de baixa freqüência.

Veja abaixo o exemplo de uma planilha com a composição (parcial) do tempo de carregamento de caixas e páletes em um veículo


Este é um exemplo do tempo (minutos) de separação por caixa. Veja que o tempo se modifica em função da quantidade de pedidos tomados no ciclo e da quantidade de caixas dos pedidos. O gráfico nos mostra, portanto, que a determinação de uma unidade de trabalho ótima é importante para se obter um melhor ou pior desempenho da atividade.


Aqui está um outro exemplo de uma tabela contendo os tempos que compõem a operação de uma máquina, no caso uma transpaleteira hidráulica.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Duas maneiras de contar a verdade...

Certo dia, um sultão acordou muito nervoso, pois havia tido um pesadelo horrível – sonhara que perdera todos os seus dentes. A cada dente que caía ele chorava muito e cada vez o choro ficava mais triste. Ele não agüentava mais a angústia e chamou o adivinho do palácio para lhe dizer o que o sonho significava, e o adivinho falou:
- Meu sultão, terríveis palavras vou proferir, mas é a verdade e tenho que lhe dizer. O senhor será muito infeliz, pois todos os seus parentes morrerão, filhos, filhas, esposas e sua adorável mãe.
O sultão ficou irado e disse:
- Como ousas, miserável, falar tais mentiras?! Guardas, arrastem este enganador, batam cem vezes nele e arranquem-lhe a língua para que pare de falar tolices!
Mas a dúvida e o medo do sultão cada vez mais aumentavam mais.
Sendo assim, mandou chamar outro adivinho, que falou:
- Meu sultão, tenho maravilhosas palavras a proferir. O senhor terá longevidade e será aquele dentre os membros de sua família que mais tempo nos honrará com imensa sabedoria e justiça.
O sultão abriu um sorriso imenso e disse:
- Adivinho, ganharás cem moedas de ouro pela feliz notícia que me deu. A longevidade de um homem deve ser comemorada!

Meus comentários
É interessante notar que embora tenham dito exatamente a mesma coisa, que o Sultão veria a morte de seus familiares, o primeiro adivinho interpretou isso como uma infelicidade pela qual o Sultão passaria, enquanto que o segundo o fez ver da graça que seu povo teria em desfrutar de sua sabedoria madura. A lição que fica dessa passagem, na minha opinião, é que não vale a pena destacar os pontos negativos da verdade e sim procurar tirar o melhor dessa verdade ainda que ela seja dura.


Eu li essa fábula num livro muitíssimo interessante sobre marketing em empresas voltadas para o ensino de idiomas. Portanto, segue o crédito aos autores do livro, que espero não se sintam ofendidos pela divulgação em meu blog.

“Ensino: Como encantar o aluno e vencer a concorrência”
Marques. André, et Pinho Lopes. Cláudia Valéria,
DISAL Editora, 2007

terça-feira, 13 de abril de 2010

UMA DICA PARA CORTAR OS CUSTOS NO SEU ARMAZÉM

Foque seus esforços na redução de erros de sua operação

Uma das melhores maneiras de conseguir economia em sua operação é, sem dúvida, reduzindo o seu índice de erros, o que tem como consequência a melhoria da sua qualidade global. Fácil, fácil, a soma dos erros que mostram a cara e os que sobrevivem escondidos, podem representar mais do que 10% dos custos do seu armazém.

E onde acontecem esses erros?

Nas operações de armazém são comuns os erros por:
  • Entradas de produtos em códigos errados;
  • armazenagem no endereço incorreto;
  • separação (picking) de produtos errados;
  • o carregamento de um veículo de maneira incorreta (ineficiência no uso do espaço = frete mais alto.)
Isso sem falar nos custos adicionais de retrabalhos, reentregas, vendas perdidas, danos e avarias, etc...
Essas são ocorrências que drenam o capital de uma empresa de maneira sub-reptícia.

Mas como eu posso resolver isso?
Os erros podem ter sua origem tanto na deficiência de seus métodos de trabalho e controle, quanto na deficiência de treinamento de seu pessoal, ou pior, na qualidade de seu processo de seleção.
Colete dados sobre os erros que estão ocorrendo. Há inúmeras maneiras de fazer isso mas seria demasiado longo escrever sobre cada uma das técnicas. Uma boa idéia é conversar com seu pessoal e envolvê-los na solução do problema. Não subestime essa possibilidade. Minha experiência mostra que eles são muito receptivos a colaborar.
Com base no conhecimento deles sobre o que sai errado e por que, você poderá classificar os erros por tipo e frequência, e desse modo estabelecer metas para reduzi-los e planejar as ações para a eliminação total.
Não estabeleça suas ações baseado apenas no valor dos erros. A frequência e a ocasião em que ocorrem são indícios muito importantes de problemas no seu processo.
Também deixe claro que o objetivo do controle não é "enforcar" ninguém. Um ambiente sem erros é vantajoso para todos.

Publique os resultados de suas análises mas faça isso sem citar os nomes de quem errou (afinal lembre-se que o problema pode estar em seu método). Se um colaborador em particular demonstrar ser um recordista de erros, esse é um problema para ser resolvido de modo particular com o supervisor do armazém e seu setor de treinamento.

Felicite os bons
Porém, não coloque todo o seu esforço no aspecto negativo: Faça um "ranking" com os nomes dos seus colaboradores que erram menos. Quando você destaca o bom desempenho, tanto quanto os problemas, e dá apoio aos trabalhadores tão logo eles comecem a pensar em qualidade, você perceberá que a sua taxa de erros começará a se reduzir.
No entanto, do mesmo modo que não é sensato expor o nome de quem erra, eu não aconselho que se publique esse ranking nominalmente permitindo a comparação do desempenho entre seu pessoal. Simplesmente mostre quem foi o melhor! Isso já terá um excelente efeito motivador entre os demais.