domingo, 21 de fevereiro de 2010

Certificado do Paraíso

Um desejo recorrente a todos com quem converso é a respeito de manter seus custos operacionais baixos.

Em primeiro lugar é preciso dizer que preocupar-se simplesmente em reduzir custos é olhar pelo lado errado do binóculo. O correto seria primeiramente se perguntar se o valor percebido pelos clientes é compatível com o nível de custos. Eu respondo que provavelmente não! É só procurar um pouco que descobriremos custos que não acrescentam nada ao valor percebido pelos nossos clientes.

Então como garantir custos compatíveis com o valor percebido em nossas atividades?

Garantindo que nenhuma atividade desnecessária está sendo feita.

De um modo geral, todos os responsáveis por um armazém se orgulham de manter um conjunto de indicadores de sua operação, que lhes informam que essa operação está sob controle, que seus custos estão enxutos, que o desempenho e a qualidade do trabalho são bons, etc... Ou seja, é uma espécie de “Certificado do Paraíso” com direito a anjos tocando harpa, suave perfume no ar e tudo!
No entanto, podemos listar uma meia dúzia de itens que vão lhe indicar que há problemas:

Sinais escondidos (mas nem tanto) que informam o que esta acontecendo com seus custos:

Poças ou manchas de óleo no piso:

São indicativas que sua manutenção está deixando a desejar. Um ou vários de seus equipamentos estão sendo utilizados acima dos limites de capacidade, ou a manutenção preventiva não está sendo feita a contento, ou o piso está em mal estado, etc...)

Olhe para cima: Há alguma lâmpada piscando ou já queimada?

Puxa, isso com certeza estará lhe oferecendo uma condição para uma leitura errada no código de uma etiqueta, ou um pesagem errada, ou uma conferência inadequada, etc... Talvez daqui há um ou dois dias aquele seu cliente importante devolva um pedido por causa de um erro desses.

E aquela sala que está com a porta aberta?

Deu prá ver que o aparelho de ar condicionado está funcionando? Se a sua intenção não é refrigerar o mundo e reduzir o efeito estufa, então provavelmente o que você está vendo é mais um ponto de desperdício.
Em todos os lugares há sempre uma das infinitas possibilidades de desperdício lutando para se fazer presente afim de onerar os seus custos de produção.

Vá a luta. Descubra esses desperdiçadores e elimine-os sem dó nem piedade! A competitividade de sua operação agradecerá o esforço!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Excel users

Por agora vai a dica de um site com muitas soluções interessantes baseadas em Excel.
Depois eu posto uma tradução de uma delas para montar semáforos de trânsito para seus relatórios de KPIs.
http://exceluser.com
Está em inglês.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Mais uma dica de excel - a função N

A função "N", que tem a sintaxe N(valor), mantem valores numéricos para números, transforma datas para o número serial correspondente, o valor lógico "verdadeiro" para 1, e qualquer outra coisa para 0, inclusive textos.

Imagine então uma fórmula qualquer na qual você queira acrescentar um comentário no corpo da fórmula. Digamos a óbvia fórmula =1+1
Se eu acrescentar a função N(essa fórmula tem 2 como resultado), como o argumento é um texto o excel vai interpretar o resultado da função como 0 e portanto sem interferir no resultado.

Ficaria assim:
=1+1+N(essa fórmula tem 2 como resultado)

Desse modo você poderá incluir comentários na própria fórmula, o que às vezes é bem interessante.

Essa dica eu vi no site do Piropo. As dicas de lá são básicas, mas essa aí de cima, por exemplo, eu achei bem interessante e não é a única. Vale conferir!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Como reduzir os seus custos operacionais

Uma receita que deu certo
Em 5 meses de testes, o Centro de Distribuição da US FoodService em Fort Mill, South Carolina, economizou o equivalente a US$ 8,000 substituindo o uso de filmes encolhíveis (shrink wrap film) por bandas de borracha reutilizáveis para estabilização de seus páletes durante a movimentação e armazenagem.
Segundo Dan Harris, presidente da empresa, durante esse período de teste a empresa reduziu o consumo de filme em 11%.
Fonte: http://www.distributiongroup.com/press122309.php

Boa idéia! E mostrou-se viável tanto técnica quanto economicamente. Em quantas operações isso seria possível e nunca foi tentado?
Bandas largas de borracha são mais eficientes e duram mais do que tiras de elástico que tem sido vista mais frequentemente aqui no Brasil.
Além de ecologicamente corretas porque são reutilizáveis, são também muito mais rápidas de aplicar do que os filmes (encolhíveis ou esticáveis). No entanto, tudo tem um contrapartida porque as bandas de borracha não podem ser aplicadas no segmento da entrega ao cliente pois nesse caso deixariam de apresentar a vantagem da utilização múltipla.
O uso de uma alternativa como essa é apenas uma das maneiras de se cortar custos na sua operação.

Conheça mais sobre os detalhes de sua operação:
Além da estabilização dos páletes, há uma gama enorme de oportunidades de ganhos operacionais aguardando para serem descobertas. Por exemplo:

  • As lâmpadas instaladas em seu armazém são de alto rendimento?

  • Qual a ociosidade de seus equipamentos de movimentação e armazenagem?

  • Há quanto tempo você não reavalia o posicionamento de seus produtos na área de picking?

  • Qual foi a última vez que seus funcionários passaram por um treinamento operacional?

  • Seus processos estão todos mapeados e todas as oportunidades de racionalização foram avaliadas?

  • Qual é a utilização volumétrica média de suas posições pálete?

  • Se você utiliza armazenagem blocada, qual o % médio de utilização de sua área?

  • Quanto tempo do turno os seus supervisores passam no chão do armazém?

  • Os seus veículos saem convenientemente estufados?

  • A eficiência volumétrica dos seus carregamentos é boa?


Reduza os erros de sua operação:
Uma outra causa importante de gastos desnecessários são os erros operacionais. E a única maneira eficiente de combater esse sangradouro é conhecer as fontes dos erros, medir os seus índices, e implementar maneiras de eliminá-los ou reduzi-los.

  • Você sabe qual é o índice dos seus erros de carregamento, e que medidas você tem tomado para reduzir esses erros?
  • Há uma meta fixada no tempo para redução desses erros?
  • Você tem certeza que suas rotas de distribuição são as mais economicas?


Porém, não ponha foco exclusivamente nos pontos negativos. Premie os seus colaboradores mais eficientes, premie os seus ganhos de qualidade. Isso contribuirá para que suas taxas de erros se reduzam por empatia.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Um pouco sobre o modo como eu trabalho...

Há algumas semanas fui convidado pelo Millor Machado, um dos sócios dos sites Empreendemia e Saia do lugar, para escrever um texto com a minha história de empreendedorismo.
Ontem eu tive a grata surpresa de vê-lo publicado! Se quiserem ler o texto sigam o link para o Saia do Lugar e prestigiem o pessoal do “Ovo engravatado” que eles merecem.

Aqui eu gostaria de complementar contando o meu jeito de trabalhar:

Em seu livro “World Class warehousing and material handling” Edward Frazelle escreveu que "Infelizmente, as receitas para muitos armazéns doentes são prescritas e implementadas sem muito exame ou teste".

O diferencial da minha empresa é justamente contrapor-se à evidência descrita por Frazelle, utilizando o conceito de intervenção mínima para:


  1. Fazer nascer um armazém saudável (pré-natal);

  2. Fazer a profilaxia dos armazéns existentes para que não fiquem “doentes”;

  3. Curar aqueles que apresentam algum tipo de problema, usando o remédio(s) certo(s) na dose certa.


O projeto de uma operação logística (fazer nascer) seja um Centro de Distribuição, um almoxarifado, ou um terminal de cross-docking tem peculiaridades de planejamento e de tempo, e sobre eles falarei em outro momento.


Identificar os sintomas
Em relação às operações já em funcionamento eu acredito que um trabalho de assessoria deva ser feito da forma que resulte na máxima eficácia, sem partir de cara para soluções mirabolantes e altamente tecnológicas. “Back to the basics”, “Menos é mais”, “Simples e funcional” são frases que eu aprecio.

E mais uma vez usando uma analogia com termos médicos: nada de deixar o paciente em longas recuperações. O paciente tem que andar pelas próprias pernas rapidamente.
Do mesmo modo que um médico, para que o projeto ou “tratamento” tenha sucesso é preciso identificar os sintomas do paciente através de:


  • Observação visual

  • Diálogo

  • Uso de instrumentos

  • Testes e análises

É fundamental iniciar pelo entendimento do negócio do cliente, identificar o que é preciso medir ou dimensionar, levantar os dados necessários, tratar e analisar adequadamente as informações provenientes desses dados.
A partir daí utilizo meus conhecimentos acadêmico e prático para formular um diagnóstico, e só depois disso prescrevo a receita adequada.

Nesse processo é preciso ficar atento e ter a sensibilidade necessária para perceber a realidade do cliente, as limitações ou restrições existentes nas instalações da empresa e de que modo essas restrições poderão ser sanadas, de que modo a equipe do cliente poderá contribuir, qual a capacidade de investimento da empresa, quais são as suas perspectivas de crescimento, quais as características do mercado em que atua...

E como dar as boas notícias ao cliente?
(quase sempre são boas)

É preciso comprovar o diagnóstico de modo a poder justificar as propostas de mudanças e que delas possa se esperar resultados concretos.
É preciso mostrar o retorno sobre os investimentos propostos e apresentar as expectativs de aumento de receita e da percepção de valor que os seus clientes poderão ter. E sempre que possível também as expectativas de redução de custo.

Uma vez que esses cuidados tenham sido tomados na abordagem, no desenvolvimento do trabalho, na apresentação, e na implementação, os riscos de “rejeição” são extraordinariamente reduzidos e a intervenção terá sido bem sucedida.