segunda-feira, 26 de abril de 2010

Duas maneiras de contar a verdade...

Certo dia, um sultão acordou muito nervoso, pois havia tido um pesadelo horrível – sonhara que perdera todos os seus dentes. A cada dente que caía ele chorava muito e cada vez o choro ficava mais triste. Ele não agüentava mais a angústia e chamou o adivinho do palácio para lhe dizer o que o sonho significava, e o adivinho falou:
- Meu sultão, terríveis palavras vou proferir, mas é a verdade e tenho que lhe dizer. O senhor será muito infeliz, pois todos os seus parentes morrerão, filhos, filhas, esposas e sua adorável mãe.
O sultão ficou irado e disse:
- Como ousas, miserável, falar tais mentiras?! Guardas, arrastem este enganador, batam cem vezes nele e arranquem-lhe a língua para que pare de falar tolices!
Mas a dúvida e o medo do sultão cada vez mais aumentavam mais.
Sendo assim, mandou chamar outro adivinho, que falou:
- Meu sultão, tenho maravilhosas palavras a proferir. O senhor terá longevidade e será aquele dentre os membros de sua família que mais tempo nos honrará com imensa sabedoria e justiça.
O sultão abriu um sorriso imenso e disse:
- Adivinho, ganharás cem moedas de ouro pela feliz notícia que me deu. A longevidade de um homem deve ser comemorada!

Meus comentários
É interessante notar que embora tenham dito exatamente a mesma coisa, que o Sultão veria a morte de seus familiares, o primeiro adivinho interpretou isso como uma infelicidade pela qual o Sultão passaria, enquanto que o segundo o fez ver da graça que seu povo teria em desfrutar de sua sabedoria madura. A lição que fica dessa passagem, na minha opinião, é que não vale a pena destacar os pontos negativos da verdade e sim procurar tirar o melhor dessa verdade ainda que ela seja dura.


Eu li essa fábula num livro muitíssimo interessante sobre marketing em empresas voltadas para o ensino de idiomas. Portanto, segue o crédito aos autores do livro, que espero não se sintam ofendidos pela divulgação em meu blog.

“Ensino: Como encantar o aluno e vencer a concorrência”
Marques. André, et Pinho Lopes. Cláudia Valéria,
DISAL Editora, 2007

Um comentário:

  1. Recentemente eu li uma estória parecida sobre uma pesquisadora americana que descobriu que um seu antepassado, que por acaso também foi antepassado de um senador, havia sido enforcado no velho oeste.
    Ao questionar a assessoria do senador sobre o antepassado, sem mencionar o que já sabia, recebeu uma carta que descrevia o tal antepassado como herói.
    Bem legal! Dependendo de como contamos a verdade, temos uma "outra" verdade.

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