segunda-feira, 31 de maio de 2010

Tenho um excedente de estoque para armazenar. E agora?

Conforme a filosofia “Lean Warehousing”, o excesso de estoque é um dos 8 desperdícios que devem ser combatidos diuturnamente para se atingir a perfeição operacional.

O excesso de estoque, muitas vezes é até necessário para fazer frente a uma campanha futura, ou às necessidades sazonais, acima do previsto, MAS SEMPRE leva à desorganização dos sistemas de armazenagem e muitas vezes a uma perda de controle.

Então é preciso saber lidar com esses excessos de modo de forma planejada para que o sistema de armazenagem continue funcionando eficientemente.

No caso de um sistema de armazenagem em estruturas porta-páletes seletivas (convencionais), podemos pensar em utilizar o espaço dos corredores para emblocar páletes sobrepostos. Porém, ao usar o corredor como espaço de armazenagem, eliminamos a possibilidade de acesso aos páletes de outros produtos previamente armazenados nas estruturas, que poderiam ser necessários a qualquer instante.

Então, o que fazer?

Imagine que você tem uma grande quantidade de páletes do produto "xyz" e não tem posições livres nos porta-páletes suficientes para armazená-lo. Portanto, essa quantidade excedente terá que ser alocada em seu armazém, num local de baixa interferência com seus fluxos normais.

Para reduzir o transtorno à sua operação, basicamente você terá que escolher um trecho de uma rua de porta-páletes e utilizá-la para armazenar o mesmo produto tanto nas posições das estruturas quanto em um bloco de páletes sobrepostos no espaço da rua. Essa prática limitará a área de exceção reduzindo o transtorno dos páletes armazenados nos corredores.

Para facilitar a decisão de quantas posições deverão ser interditadas no WMS para ser utilizada como área de emblocamento, eu desenvolvi um algoritmo em Excel que a partir da informação de quantos páletes (do mesmo produto) existem para armazenar, informará a quantidade de módulos de porta-páletes, e o espaço de rua correspondente, que será necessário.



Esse algoritmo está disponível no SCRIBD e pressupõe o uso de porta-páletes convencionais e corredores de 3,00m entre as faces das longarinas.

Primeiramente escolha uma rua de porta-páletes de baixo fluxo e nela um trecho onde exista a possibilidade de interditá-la (normalmente na extremidade mais distante das docas).

Em segundo lugar, identifique quantos páletes do produto xyz já existem no armazém ocupando posições nas estruturas porta-páletes. Esses páletes deverão ser transferidos para o trecho do corredor escolhido deixando suas posições livres para receber uma igual quantidade de páletes de quaisquer produtos ocupantes das posições do trecho de porta-páletes que está sendo interditado.

Veja no entanto que não se trata de uma troca pura e simples porque os produtos xyz que estão saindo dos porta-páletes são mais antigos que aqueles ainda sem posição de armazenagem e, portanto, deverão ficar numa posição tal que sejam os primeiros a sair.

Some essa quantidade à quantidade ainda sem posição de armazenagem e você terá a quantidade total de páletes para os quais a técnica será empregada.

Por exemplo: Digamos que a somatória dos páletes já existentes nos porta-páletes e daqueles ainda por armazenar seja 48. Consideremos também que seus porta-páletes tem 4 níveis e que ao emblocar só se possa sobrepor um pálete sobre o outro.

Entrando com esses dados no aplicativo, você terá como resposta a quantidade de módulos que ficará interditada e, portanto, deverá ser utilizada para armazenar o mesmo produto xyz como se fosse um bloco único.

No exemplo de 48 páletes, o Excel responderá que você precisará de um trecho de rua com 2 módulos. Nesse caso, você terá que retirar os 32 páletes que estão ocupando essas posições nas estruturas (2 módulos de 4 níveis correspondem a 16 páletes de cada lado da rua) e realocá-los em outros endereços de seu armazém. Nos endereços liberados caberão 32 páletes e no trecho do corredor em frente a eles caberão 16 páletes sobrepostos um sobre o outro, totalizando seus 48 páletes.

No entanto, o mundo seria maravilhoso se você tivesse 32 páletes do produto xyz espalhados pelo seu armazém, e apenas 16 para emblocar. Geralmente você receberá um grande volume e terá muito pouco já dentro de casa.

É nesse ponto que entra a habilidade do planejador porque muito provavelmente, se o seu armazém já está superlotado não haverá posições disponíveis para fazer trocas.

Nesse caso, faça suas trocas com produtos cuja chance de serem necessários durante o período de exceção seja a menor possível. Digamos que você tivesse 5 páletes xyz em outras posições. 32-5=27 páletes. Pesquise os produtos que tenham os maiores estoques em dias de venda e coloque apenas alguns páletes de cada um nas posições que ficarão inacessíveis, de modo a reduzir o seu risco.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Nunca analise as coisas de um único ponto de vista

Um(a) analista de métodos e processos é uma pessoa especial. Não lhe bastam conhecimentos acadêmicos. É verdade que são importantíssimos até porque instrumentalizam o indivíduo para resolver problemas. Porém, o que eu mais prezo no pessoal que trabalha comigo é um pacote composto por criatividade, senso de observação, capacidade de questionamento e de simplificar as coisas.

Vamos falar aqui de observação e questionamento. A criatividade e a simplificação merecem uma outra postagem!

Muita gente tem uma dificuldade danada para considerar alternativas, simplesmente porque assume que aquilo que está vendo é verdadeiro e inquestionável.
A capacidade de questionamento permeia as outras habilidades porque de nada adianta observar e obter milhares de “instantâneos” de um evento, se não souber o que fazer com eles, ou como analisá-los.

Nosso cérebro, quando não treinado, é facilmente enganado pela primeira camada de evidências que formam as nossas premissas ou paradigmas.
Desse modo, é preciso também saber enxergar, mais do que ver o que nos está sendo apresentado.

Para obter êxito nesse propósito, o importante é nunca analisar as coisas que vê a partir de um único ponto de vista, ainda que pareça ser o único correto.

Duvide sempre! Aprenda que a única coisa inquestionável é que tudo é questionável!

Vejam estes dois vídeos. Vocês tem duas alternativas: Acreditar que o impossível acontece ou assistir até o final e perceber como é importante olhar para as coisas de vários pontos de vista.

Como é possível atravessar um lápis pelas duas porcas ao mesmo tempo?



Já ouviu falar em força da gravidade negativa?

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Sobre simplicidade

Simplicity means the achievement of maximum effect with minimum means.

Numa tradução livre, Simplicidade é adquirir o máximo de efeito com o mínimo de recursos.

Dr. Koichi Kawana

Koichi Kawana foi um extraordinário artista, poeta, arquiteto e paisagista japonês, conhecido dentre outras obras por seus jardins orientais, como o da foto abaixo em Van Nuys - Los Angeles



http://www.you-are-here.com/location/japanese_gardens.html

Algumas posturas simples para auto-desenvolvimento


  • Seja mais agressivo

  • Agressividade no bom sentido é sempre bem vinda! A agressividade nesse contexto significa não ser acomodado, não se deixar levar pela situação, e sim desafiar os fatos e enfrentá-los de forma positiva. Significa também correr riscos e assumir suas consequências. Lembre-se que só erra quem faz!

  • Atualize-se / Informe-se / Leia

  • A informação em nossos dias é uma entidade extremamente volátil. A verdade de agora poderá ser posta à prova e refutada nos próximos 5 minutos. Por isso é imprescindível a atualização constante.
    Informe-se sempre ainda que de forma autodidata. Só não acredite em tudo piamente. Critique e duvide!
    Leia manuais, livros técnicos, "white papers", catálogos, inclusive fora de sua área específica de trabalho, e mais biografias, livros de arte, páginas esportivas, até bulas de remédio. O importante é que se tenha informações constantes. Traçar uma meta diária de atualização e informação e tão importante para o seu cérebro quanto ir pra academia.

  • Use um pouco mais do seu tempo para inovar

  • Pense diariamente naquilo que você faz e como poderia ser feito de forma diferente.
    Se você produz algo, pense nas alternativas que poderiam substituir ou eliminar o seu produto. Quer um exemplo? Pense na reviravolta provocada pela fotografia digital para os "reveladores de fotografias", ou nos fabricantes de agulhas fonográficas quando a Philips inventou o CD. Nos fabricantes de fitas entintadas para máquinas de escrever, etc... Salve-se! Pense no futuro do seu produto ou serviço e INOVE!

  • Provoque para si "notoriedade.

Uma velha história à respeito disso é aquela sobre as qualidades do ovo de pata. Pode ser fantástico mas quem vende mais é a galinha porque faz mais barulho!
É tudo uma questão de propaganda. Dentro dos limites éticos e sem pisar no ombro de ninguém, é sempre bom estar sob os holofotes. Portanto, escreva, dê palestras, mostre que você é um especialista. O sucesso virá com certeza!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Quando é vantagem usar o emblocamento de páletes como forma de armazenagem?

Muitas vezes ao analisar um fluxo de movimentação ficamos frente a frente com necessidades de armazenagem que dispensariam o uso de estruturas de armazenagem, ou de situações que impedem sua utilização. Porém, até que ponto a utilização do espaço será eficiente?
Quando se trata de uma armazenagem tipo “pulmão” ou “excedente” em que não há expectativa de movimentação constante, ou ainda quando a movimentação se dá em apenas um sentido: entrada ou saída, os problemas, ainda que existam, são menores.
Porém se considerarmos que haverá um fluxo simultâneo de entrada e saída (mesmo que por um tempo determinado), então há várias questões que devem ser respondidas previamente para eleger o emblocamento de páletes como forma de armazenagem:

  1. As embalagens do produto (ou produtos) suportam esse tipo de empilhamento? Muitas vezes a caixa múltipla ou a unidade do produto não tem resistência suficiente para suportar nem mais uma camada sobreposta além do pálete. E isso supondo que está suportando bem o padrão de paletização!
    Lembre-se que se colocarmos 2 páletes sobrepostos, cada um com 5 lastros, a caixa do lastro mais baixo estará suportando o peso de 9 caixas sobre ela e mais uma fração do peso do pálete.

  2. Em segundo lugar devemos analisar a seletividade necessária. Num emblocamento só teremos acesso ao primeiro pálete da fila, que foi o último a ser armazenado naquela fila. Portanto o produto que foi armazenado em primeiro lugar será o último a ser retirado. Até que ponto isso é viável?
    Qual o grau de obediência ao princípio PEPS (primeiro a entrar – primeiro a sair) que eu devo (ou posso) ter?

  3. Também existe a questão da quantidade de páletes que deverá ser armazenada. Se os lotes são pequenos, tipo 5 ou 6 páletes de cada produto, é pouco provável que o dimensionamento das filas de emblocamento resulte num aproveitamento minimamente razoável do espaço ocupado, conforme veremos a seguir.

Portanto, a primeira resposta a ser obtida é se as caixas resistem a um emblocamento que resulte num aproveitamento razoável do pé direito do armazém.
A segunda resposta necessária é se o tipo de produto a ser emblocado não provocará problemas de validade vencida, ou entrega de lotes errados, o que tem a ver com a rotatividade do estoque e rastreabilidade do produto.
E a terceira é se teremos páletes suficientes para usar esse sistema de armazenagem.


COMO DIMENSIONAR O TAMANHO DOS BLOCOS?
Uma vez que se decida por utilizar o emblocamento, e certo de que os níveis de sobreposição sofrem uma limitação automática ou pela resistência das embalagens ao empilhamento, ou pelo pé direito disponível, teremos que decidir o tamanho dos blocos, em termos da quantidade de filas e da profundidade dessas filas.

Aqui vai a primeira dica: Armazene os páletes fila por fila. Desse modo no momento da retirada, é só determinar a fila onde estão os páletes mais antigos e isso garantirá o PEPS. Essa metodologia implica em que do mesmo modo, haverá sempre uma única fila onde os páletes estarão sendo armazenados segundo sua ordem de chegada ao armazém.
É claro que o PEPS acontecerá dentro do limite da quantidade de páletes armazenados na fila. Portanto se cabem 20 páletes na fila, o primeiro pálete que foi armazenado será o 20º a sair. Se a capacidade da fila for de 50 páletes, então o primeiro pálete armazenado sairá em 50º lugar.

A EFICIÊNCIA VOLUMÉTRICA NO USO DA ÁREA
Como vimos, é importante determinar uma fila para a entrada e outra para a saída. No pior caso, em ambas teremos apenas 1 pálete. Em uma aquele que resta para sair, e na outra o único que foi armazenado até o momento.
Então, o que determina a eficiência do uso da área é a quantidade de filas do emblocado. Veja só:



Na figura da esquerda, a ocupação é de 3 filas em 5. Portanto 60% (no pior caso).
Na figura da direita, a ocupação é de 8 filas em 10. Portanto 80% (no pior caso).
Portanto, quanto maior for a quantidade de filas que está sendo ocupada pelo emblocamento do produto, maior a eficiência volumétrica.

A partir dessa constatação, será necessário dimensionar a profundidade das filas de modo a manter o estoque em uma quantidade razoável de filas, sem perder de vista que, ao reduzir a profundidade você terá necessidade de maior quantidade de corredores – que também reduzem a eficiência do uso de seu espaço.

Não entraremos no mérito da comparação entre sistemas de armazenagem, mas perceba que para obter um índice aceitável de aproveitamento do seu armazém são necessários volumes maiores que 40 ou 50 páletes de um mesmo produto.

Isso posto, concluímos que mesmo utilizando simples emblocados, o uso do espaço de seu armazém necessita ser bem planejado para evitar as armadilhas do mal aproveitamento.