quinta-feira, 6 de maio de 2010

Quando é vantagem usar o emblocamento de páletes como forma de armazenagem?

Muitas vezes ao analisar um fluxo de movimentação ficamos frente a frente com necessidades de armazenagem que dispensariam o uso de estruturas de armazenagem, ou de situações que impedem sua utilização. Porém, até que ponto a utilização do espaço será eficiente?
Quando se trata de uma armazenagem tipo “pulmão” ou “excedente” em que não há expectativa de movimentação constante, ou ainda quando a movimentação se dá em apenas um sentido: entrada ou saída, os problemas, ainda que existam, são menores.
Porém se considerarmos que haverá um fluxo simultâneo de entrada e saída (mesmo que por um tempo determinado), então há várias questões que devem ser respondidas previamente para eleger o emblocamento de páletes como forma de armazenagem:

  1. As embalagens do produto (ou produtos) suportam esse tipo de empilhamento? Muitas vezes a caixa múltipla ou a unidade do produto não tem resistência suficiente para suportar nem mais uma camada sobreposta além do pálete. E isso supondo que está suportando bem o padrão de paletização!
    Lembre-se que se colocarmos 2 páletes sobrepostos, cada um com 5 lastros, a caixa do lastro mais baixo estará suportando o peso de 9 caixas sobre ela e mais uma fração do peso do pálete.

  2. Em segundo lugar devemos analisar a seletividade necessária. Num emblocamento só teremos acesso ao primeiro pálete da fila, que foi o último a ser armazenado naquela fila. Portanto o produto que foi armazenado em primeiro lugar será o último a ser retirado. Até que ponto isso é viável?
    Qual o grau de obediência ao princípio PEPS (primeiro a entrar – primeiro a sair) que eu devo (ou posso) ter?

  3. Também existe a questão da quantidade de páletes que deverá ser armazenada. Se os lotes são pequenos, tipo 5 ou 6 páletes de cada produto, é pouco provável que o dimensionamento das filas de emblocamento resulte num aproveitamento minimamente razoável do espaço ocupado, conforme veremos a seguir.

Portanto, a primeira resposta a ser obtida é se as caixas resistem a um emblocamento que resulte num aproveitamento razoável do pé direito do armazém.
A segunda resposta necessária é se o tipo de produto a ser emblocado não provocará problemas de validade vencida, ou entrega de lotes errados, o que tem a ver com a rotatividade do estoque e rastreabilidade do produto.
E a terceira é se teremos páletes suficientes para usar esse sistema de armazenagem.


COMO DIMENSIONAR O TAMANHO DOS BLOCOS?
Uma vez que se decida por utilizar o emblocamento, e certo de que os níveis de sobreposição sofrem uma limitação automática ou pela resistência das embalagens ao empilhamento, ou pelo pé direito disponível, teremos que decidir o tamanho dos blocos, em termos da quantidade de filas e da profundidade dessas filas.

Aqui vai a primeira dica: Armazene os páletes fila por fila. Desse modo no momento da retirada, é só determinar a fila onde estão os páletes mais antigos e isso garantirá o PEPS. Essa metodologia implica em que do mesmo modo, haverá sempre uma única fila onde os páletes estarão sendo armazenados segundo sua ordem de chegada ao armazém.
É claro que o PEPS acontecerá dentro do limite da quantidade de páletes armazenados na fila. Portanto se cabem 20 páletes na fila, o primeiro pálete que foi armazenado será o 20º a sair. Se a capacidade da fila for de 50 páletes, então o primeiro pálete armazenado sairá em 50º lugar.

A EFICIÊNCIA VOLUMÉTRICA NO USO DA ÁREA
Como vimos, é importante determinar uma fila para a entrada e outra para a saída. No pior caso, em ambas teremos apenas 1 pálete. Em uma aquele que resta para sair, e na outra o único que foi armazenado até o momento.
Então, o que determina a eficiência do uso da área é a quantidade de filas do emblocado. Veja só:



Na figura da esquerda, a ocupação é de 3 filas em 5. Portanto 60% (no pior caso).
Na figura da direita, a ocupação é de 8 filas em 10. Portanto 80% (no pior caso).
Portanto, quanto maior for a quantidade de filas que está sendo ocupada pelo emblocamento do produto, maior a eficiência volumétrica.

A partir dessa constatação, será necessário dimensionar a profundidade das filas de modo a manter o estoque em uma quantidade razoável de filas, sem perder de vista que, ao reduzir a profundidade você terá necessidade de maior quantidade de corredores – que também reduzem a eficiência do uso de seu espaço.

Não entraremos no mérito da comparação entre sistemas de armazenagem, mas perceba que para obter um índice aceitável de aproveitamento do seu armazém são necessários volumes maiores que 40 ou 50 páletes de um mesmo produto.

Isso posto, concluímos que mesmo utilizando simples emblocados, o uso do espaço de seu armazém necessita ser bem planejado para evitar as armadilhas do mal aproveitamento.

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