terça-feira, 25 de janeiro de 2011

A importância do piso plano na movimentação manual de materiais




No final do ano precisei resolver um assunto relativo à utilização de plataformas niveladoras em um local em que o desnível a ser vencido entre o piso do armazém e o assoalho do veículo era de 0,43m no caso mais favorável (veículo mais baixo).

Esse desnível, considerando niveladoras com mesa de 3,00m (rampa útil de 2,80m) e piso totalmente plano, resulta numa rampa maior que 15% na niveladora, que é inviável de ser vencida com transpaleteiras hidráulicas manuais.

Considerando a inviabilidade do aterro do pátio e visto que o piso a ser construído ligava-se a um outro já existente, tínhamos que resolver o problema localmente.

Uma solução seria fazer o próprio piso do armazém com uma certa rampa, de modo a se ganhar altura no sentido das docas, e desse modo, reduzir a inclinação da niveladora até um máximo de 8%.

Outra, seria empregar niveladoras com mesas maiores que contribuissem para "aliviar" a rampa.

Porém, qual seria a rampa possível no piso do armazém sem que houvesse implicações ergonômicas, visto que os trabalhadores empurram/puxam páletes de até 700kg de carga usando transpaleteiras hidráulicas manuais?

As normas regulamentadoras do Ministério do Trabalho não citam explicitamente e nem recomendam as inclinações máximas permissíveis para trabalho manual.  Vale então o bom senso do analista.

Iniciei as análises calculando qual seria o acréscimo de esforço decorrente da declividade do piso na atividade de transportar os páletes.   Para isso utilizei um dinamômetro engatado no braço da transpaleteira, de modo a medir o esforço do operador ao puxá-la.

A conclusão a que cheguei é que 1% de declividade já eleva o esforço em 35%.

Medi também a força necessária para tirar da inércia uma boa transpaleteira manual carregada com um pálete de 700kg. Essa força é de ~20kgf. Isso significa que o esforço necessária subiria para 27kgf.  Após tirar a transpaleteira da inércia esse esforço se reduz e se mantém constante durante o restante do percurso.

No caso em questão, o esforço de 27kgf era aceitável tendo em vista a quantidade de páletes a ser movimentada diariamente e a quantidade disponível de empregados, o que fez com que uma tolerância extra por fadiga não deixasse a operação inviável.

O que fizemos foi utilizar ambas as soluções em conjunto. Desse modo, o piso ligeiramente inclinado possibilitou que se reduzisse o desnível entre este e o piso dos veículos, sendo a diferença suprida por uma niveladora de mesa longa, que ofereceu uma rampa menor que os 8% que havíamos estabelecido como limite.

É preciso ter em mente porém, que uma solução como essa não deve ser adotada sem um estudo prévio de viabilidade e ergonomia, visto que a rampa máxima indicada para transporte de páletes através de transpaleteiras manuais é de apenas 3% segundo normas OSHA (Occupational Safety and Health Administration - agência que cuida do assunto nos EUA).  

 

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