segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Estudo mostra que o Brasil gasta 10,6% do PIB com Logística

Valor Econômico - 12/09/2011

RIO - Em 2010, o Brasil gastou R$ 391 bilhões com logística, valor que representa 10,6% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Para as empresas, o custo com logística representa 8,5% da receita líquida.

O percentual é bem superior ao dos Estados Unidos, que, no mesmo período, gastaram 7,7% do seu PIB com logística, o equivalente R$ 2,08 trilhões. Os números são da pesquisa Custos Logísticos 2011, divulgada hoje pelo Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos) e que apresenta os custos com logística no ano de 2010.

Para Maurício Lima, diretor de capacitação do Ilos e responsável pela pesquisa, o Brasil não investe o que deveria para diminuir os custos de logística das empresas.

“Para cada aumento de 1% do PIB, seriam necessários investimentos para garantir o aumento de 1% na capacidade de transporte”, frisou Lima, acrescentando que o Brasil deveria estar investindo cerca de R$ 70 bilhões, ou 12% do PIB, em logística por ano. “Hoje investimos cerca de R$15 bilhões na prática, mas sem qualidade”, afirmou.

Lima destacou que o país também perde “em todos os modais de transporte na comparação com outros BRICs” e ressaltou que “o que temos de logística retrata o Brasil da década de 1970”. Durante as décadas de 1980 e 1990, os investimentos no setor somaram cerca de 0,2% do PIB por ano.

Por outro lado, o aumento médio de 4,4% do PIB nos últimos anos e o crescimento do setor de serviços permitiu uma redução dos custos de logística no país em relação ao PIB, o que, para o pesquisador, reflete um quadro comum.

“Quando uma economia se desenvolve, o normal é o custo de logística diminuir”. No entanto, na ótica das empresas, o custo de logística em relação à receita líquida tem crescido. Em 2005 esse valor era de 7,4% em média. Hoje é de 8,5%.

A análise mostra que os gastos com transporte doméstico são os mais significativos, somando R$ 232 bilhões, o equivalente a 6,3% do PIB. Os gastos com transporte representam 54% dos custos médios das empresas e 4,6% do valor de sua receita líquida. Muito atrás, os gastos com estoque e armazenagem ficam praticamente empatados com 23% e 22% dos custos médios para as empresas, respectivamente. A distribuição é o que mais pesa para os custos de transporte das empresas, representando 46% do total. Atrás estão os gastos com transferência (28%) e suprimentos (26%).

O estudo revela o grande peso da matriz rodoviária no transporte de carga no Brasil. Sozinho, o custo do transporte rodoviário para as empresas é equivalente a 5,5% do PIB. O país tem 65,64% do total de toneladas por quilômetro útil (TKU) feito por rodovias. Em segundo lugar, as ferrovias representam apenas 19,49% do TKU. Os Estados Unidos transportam por ferrovias 38% do TKU e 28% do TKU por rodovias.

Para Lima, a concentração do transporte no modal rodoviário é uma desvantagem competitiva. Se o Brasil tivesse uma matriz de transporte de cargas semelhante à dos Estados Unidos, teríamos uma economia de cerca de R$ 90 bilhões, segundo ele.

(Guilherme Serodio | Valor)

Sobre Planejamento e Coordenação

Repasso um interessante texto do Gustavo Chierighini da Plataforma Brasil através do blog “Saia do Lugar

 

O ato do planejamento é a “alma do processo de implementação”.

Um bom plano faz toda diferença, mas alguns cuidados são necessários:

1.     Todo planejamento (esse é o item mais óbvio, mas é necessário destacar) deve responder a seu modo a quatro questões: “O que? Como? Quem? e Quando?”;

2.     Não fuja dos detalhes, pelo contrário, tenha apego por eles. Detalhe tudo, principalmente sobre o que se deseja implementar e pela forma como isso vai ocorrer.

3.     Estabeleça prazos realistas;

4.     Conte com contratempos. Eles virão, tenha certeza disso;

5.     Estruture um mecanismo de gestão do plano, envolvendo não somente as pessoas responsáveis pelas tomadas de decisão, mas toda a equipe que colocará a “mão na massa”;

6.     Só inicie a implementação, após ter obtido o pleno aceite dos envolvidos. O comprometimento é fundamental;

7.     Estabeleça um modelo de ajuste permanente, mas não permita que os ajustes façam com que o se perca de vista os objetivos centrais da implementação;

8.     Padronize as terminologias e significados contidos no planejamento. Crie uma legenda se for preciso;

9.     Ao concluir a elaboração do planejamento, realize ao menos duas revisões antes de iniciar sua execução;

10.   A responsabilidade pelo monitoramento da execução do plano, deve ficar a cargo de uma única pessoa;

11.   Documente tudo o que puder durante o processo de implementação.

Em qualquer projeto, mas particularmente em logística, os passos acima são imprescindíveis para o sucesso. Em minha caminhada como consultor eu sou testemunha disso!