segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Medição do trabalho

Há uma frase já há muito conhecida e com muitas variantes, que diz que "Só conhece quem mede" 

E uma das medições mais importantes no ambiente de negócios é a Medição do trabalho, tanto para verificar se teremos condições de cumprir o planejado, quanto para gerenciar nossos custos e a nossa capacidade.

Essa medição envolve duas coisas imprescindíveis: Métodos e Padrões.

Parta do princípio que métodos ineficientes não devem, jamais ser medidos. Nem perca seu tempo. O primeiro passo deve ser definir o método ótimo para cada operação. Só depois dessa definição é que você deve desenvolver a métrica que seja capaz de medi-lo e o padrão que deve servir como base.

Você pode até começar a medição de um método de trabalho a partir dos seus dados históricos, e até propor que seus colaboradores utilizem esses dados para traçar suas metas. Entretanto, há uma grande diferença entre um padrão planejado e definido e a utilização de dados históricos.  Dados históricos só conseguem mostrar a você o quanto, historicamente, você tem sido eficiente (ou não!) 

Você só conhecerá qual a verdadeira capacidade do trabalho a partir do padrão que venha a ser definido com base no método otimizado. Veja aqui um artigo sobre cronometragem

E a partir do conhecimento de sua capacidade real, você poderá pensar na oportunidade de utilizar também uma política de incentivos. Veja exemplos aqui
Pense nisso! 

E se precisar de ajuda conte conosco.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Ah se eu pudesse gerenciar minha operação como jogo um videogame!


Para gerenciar sua operação atual, eu imagino que você tenha que utilizar planilhas eletrônicas, relatórios sobre seus indicadores, gráficos históricos, bem como depender do conhecimento empírico dos seus colaboradores, com toda a carga de custos e frustrações por atrasos e erros que isso gera.
Um pouco sobre isso foi tratado na minha postagem sobre redução de custos operacionais
Imagine se você pudesse gerenciar o seu pátio de expedição do mesmo modo como joga um vídeo game? Você vê na sua tela todos os pedidos dos seus clientes que já estão na expedição, codificados por cores: verdes para as que já estão prontas para expedir, amarelas para as pendentes, e vermelhas para as que estão agendadas para amanhã.
Um clique do seu mouse sobre uma delas e uma telinha popup abre para que você veja os detalhes.
De repente, identificada pelo leitor de RFID do portão, aparece piscando na sua tela o ícone de uma carreta. E como o ícone está piscando você sabe que isso identifica a necessidade de manutenção.  Imediatamente você clica com seu mouse sobre a carreta e arrasta para sua oficina de manutenção. Automaticamente, esse seu ato gerou uma ordem para o motorista dizendo para onde ele deve levar o veículo, e ao mesmo tempo, já abriu uma ordem de serviços para sua equipe de manutenção, transmitida imediatamente.
Enquanto isso, um acúmulo anormal que está ocorrendo na doca nº4 gera um alerta para os expedidores, e a equipe mais próxima recebe um aviso para ajudar a limpar o gargalo. O relógio na sua tela informa que a carga dessa doca só estará disponível para carregamento em 20 minutos.
Você então avalia a situação, clica nos pedidos que estão prontos e arrasta-os para a doca nº2, mantendo tudo de acordo com a programação dos carregamentos.
Parece muito futurista?  Mas mesmo sem ter pensado nisso antes, você desejaria ter uma ferramenta tipo Video Game, que possibilitasse a você:
  • Otimizar de modo eficiente o fluxo de veículos (entrada e saída) em suas instalações;
  •  Gerenciar de modo intuitivo a manutenção corretiva e preventiva de seus ativos;
  • Gerenciar de modo eficaz os seus veículos e motoristas;
  • Coordenar as ações de movimentação e armazenagem, implementando a eficiência de suas instalações, de modo dinâmico
  •  Consolidar suas mercadorias nos locais mais efetivos para acesso;
  • Ter relatórios consolidados e em tempo real, na sua tela, incluindo inventários e outros indicadores

Então me responda: O que você está fazendo para "gameficar" a sua operação?  Seria muito legal ler seus comentários por aqui.
Tradução livre por Valter Mello.  O texto em itálico foram inclusões minhas ao texto original.
Visto na Manufacturing Business Technology de 26 de Outubro

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

O que uma mancha de óleo no piso diz sobre o seu ambiente de trabalho?


Um respingo de óleo no piso de seu armazém, não importa o tamanho, deve ser limpo imediatamente, ainda que seja necessário interromper o fluxo de veículos pela via, visto que representa um risco à segurança. E a passagem descuidada de um veículo sobre a mancha irá multiplicar o problema. 

Respingos pequenos  geralmente conseguem ser limpos com uma simples estopa, enquanto que vazamentos maiores podem requerer o uso de algum tipo de absorvente, seguido de uma secagem final e limpeza, razão pela qual é importante dispor de kits absorventes pela área em que transitam seus equipamentos de movimentação e armazenagem.

Se por alguma razão extraordinária, o local não puder ser limpo imediatamente, então deverá ser isolado, embora disso decorra a absorção do líquido pelo concreto com as consequentes manchas e enfraquecimento superficial.

Entretanto, um respingo de óleo nunca é apenas um respingo de óleo. É hora de refletir sobre a qualidade de sua manutenção de equipamentos, e do treinamento do seu pessoal.

a) Suas preventivas estão acontecendo de acordo com o programado?  Por exemplo:
  • Serviços de rotina e lubrificação periódica
  • Inspeções periódicas e revisão do motor e sistemas hidráulicos (mangueiras, conexões)
  • Pequenas manutenções corretivas (troca de peças e consumíveis)
  • Manutenções programadas e reformas de grande porte

b) Você tem certeza que os seus equipamentos estão trabalhando dentro de suas faixas de capacidade?

c) Os seus operadores não estão forçando os sistemas hidráulicos?

Um respingo de óleo, tal qual restos de embalagem no chão, páletes mal arrumados, corredores bloqueados, e tantas outras não conformidades com que deparamos em uma inspeção visual (vejam a minha postagem "Certificado do Paraíso" em que eu já tratei desse assunto), denotam uma moral pobre dos empregados, e acarretam baixa produtividade, danos aos produtos, e podem culminar em acidentes com perda de tempo e prejuízos mais sérios.


Portanto pessoal, mãos à obra na implantação de uma rotina de inspeções visuais em seus armazéns, devidamente acompanhada de um plano de ação para eliminação dos problemas encontrados.  

Se precisar de ajuda, me chame.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Deu na Tecnologística: DHL testa dispositivo de realidade aumentada

Há um tempo eu mostrei aqui um vídeo que mostrava a junção dos dispositivos de voice picking com óculos inteligentes (confira aqui).
Agora leio esta notícia da Tecnologística, de que a DHL testou a técnica em um de seus armazéns com bons resultados de eficiência e redução de erros.
http://www.tecnologistica.com.br/tecnologia/dhl-testa-aplicativo-realidade-aumentada-armazem/

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Daimler testa seu caminhão autônomo em condições reais de tráfego

No dia 02 de Outubro a Daimler testou pela primeira vez o seu caminhão autônomo em uma estrada do sul da Alemanha, sob condições reais de tráfego. Ainda que o caminhão seja equipado com sistemas inteligentes que incluem radar, câmeras e reguladores ativos de velocidade, e que não dependa de um motorista humano, alguém tem que estar na boléia para tomar o controle se necessário.

 “A estréia de hoje é um largo e importante passo na direção da maturidade do mercado para veículos autônomos, e na direção de um transporte rodoviário seguro e sustentável”, disse Wolfgang Bernhard, diretor da Daimler responsável por caminhões e ônibus. 

O caminhão no teste de Sexta-feira, o primeiro caminhão autônomo produzido em série no mundo, viajou entre Stuttgart e a cidade de Denkendorf no Estado de Baden-Wuerttemberg, onde a Daimler tem o seu quartel general. O Mercedes Bens Actros, de série, equipado com o sistema inteligente chamado “Highway Pilot”, viajou cerca de 13km pela rodovia A8, com o motorista na cabine mas sem tocar no volante.

 A Daimler compara o Highway Pilot com um piloto automático de aeronave. Ele é programado para manobrar o carro de forma automática, enquanto o motorista “mantém a total responsabilidade, monitora o tráfego durante todo o tempo, e deve poder assumir a direção a qualquer momento”.

 Se quiser saber mais, veja em self-driving truck on IndustryWeek. (em inglês). Fonte: IndustryWeek é um site ligado à MH&L (Materials Handling & Logistics) e pertence a Penton’s Manufacturing & Supply Chain Group.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

O caminho do bezerro

by Sam Walter Foss (1858-1911) - poeta americano

Um dia, através da floresta primitiva, um bezerro caminhava de volta para sua dormida, como os bons bezerros faziam;
Mas ele fez uma trilha cheia de curvas e voltas, uma trilha tortuosa, como todos os bezerros fazem.
Desde então trezentos anos se passaram, e devo presumir que o bezerro esteja morto.
Mas ainda assim ele deixou o seu rastro, e dele se originou o meu conto moral.

A trilha foi retomada no dia seguinte por um cão solitário que por ali passava;
E, em seguida, uma sábia ovelha guia que procurava uma trilha sobre os vales e encostas também guiou o seu rebanho através dela, como as boas ovelhas guia sempre fazem.
E a partir daquele dia, sobre as colinas e clareiras, através daquela velha floresta, um caminho foi feito;
e muitos homens seguiram por ele entrando e saindo pelas suas voltas e curvas, e proferiram palavras de justa ira por ser aquele um caminho tão tortuoso.

Mas ainda assim continuaram seguindo, não riam, o caminho originalmente aberto por aquele bezerro através da floresta,
uma trilha tão incoerentemente traçada quanto o rumo incerto pelo qual ele caminhava.
E a trilha na floresta se transformou em um caminho, que se curva e se volta, e novamente se dobra.
Este caminho se tornou uma estrada, onde muitos pobres cavalos com suas cargas fatigavam-se sob o sol escaldante,
e viajavam cerca de três quilometros para percorrer apenas um.
E depois de um século e meio, eles ainda pisavam sobre as pegadas daquele bezerro.

Os anos se passaram muito rapidamente.
A estrada tornou-se uma rua de uma vila,
E, antes que os homens percebessem, em uma tumultuada artéria de uma cidade,
Que em breve transformou-se na rua central de uma renomada metrópole;

E os homens, após dois séculos e meio continuavam pisando sobre as pegadas de um bezerro.
A cada dia cem mil seguem o zigzag do bezerro, e sobre aquele seu caminho torto passou o tráfego de um continente.
Cem mil homens foram guiados por um bezerro morto há três séculos,
e perdem cem anos em um dia, por conta da reverência que prestam ao tão bem estabelecido precedente.

Fosse eu um pregador ordenado, eu poderia ensinar uma lição moral com estes versos;
Para homens que são propensos a seguir cegamente ao longo dos caminhos de bezerro de suas mentes,
e a trabalhar de sol a sol
repetindo o que outros homens já fizeram.

Eles palmilham nas trilhas batidas, para fora e para dentro, para frente e para trás,
escolhendo sempre os mesmos cursos errantes, para manter o caminho que outros já seguiram.
Eles mantém o caminho traçado, um sulco sagrado ao longo do qual passam como todos os que antes deles vieram;
Como devem estar rindo os antigos e sábios deuses da floresta,
eles que viram o primeiro e primitivo bezerro e seu andar incerto!

Ah, quantas coisas esses versos poderiam ensinar – Mas eu não fui ordenado pregador.

Colhido e traduzido por Valter Mello em Fevereiro de 2000.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Técnicas para endereçamento de armazéns - parte 2

Em minha postagem anterior sobre "Técnicas para endereçamento de armazéns", eu contei sobre a importância de planejar um bom sistema e que, tendo coletado algumas heurísticas, dicas, e boas práticas durante a minha pesquisa, compartilharia isso com vocês. Portanto, vamos a elas.

  1. Se for utilizar endereços sob a forma de ruas (que eu particularmente prefiro), numere as colunas de porta-páletes utilizando números ímpares à esquerda e números pares à direita da rua. No Brasil, esse sistema permite fazer uma analogia com os endereços físicos das residências porque utilizamos esse tipo de numeração das casas nas ruas. Desse modo, ao implantar um novo sistema isso permite que os operadores lembrem-se mais facilmente do padrão. Devemos nos lembrar sempre que a numeração deve crescer a partir do início da rua.
  2. Não utilize caracteres alfa para identificar os níveis dos porta-páletes ou estantes. Essa característica do endereço deve sempre ser numérica, analogamente ao que acontece com os andares de um prédio.
  3. Os níveis devem sempre ser numerados de baixo para cima (0 ou 1 para o endereço ao nível do piso). Na eventualidade de subníveis, é preciso um cuidado especial porque o ideal é que cada nível guarde a mesma referência de altura em relação ao piso do armazém, independentemente de sua localização ao longo da rua.
  4. Não utilize mais caracteres do que o estritamente necessário para identificar completamente cada endereço, embora seja conveniente que se padronize pela maior quantidade de caracteres necessária ao sistema. Por exemplo: Se o endereço vai de 1 a 99, use 01, 02, ...., 09 para identificar os endereços abaixo de 10. Nesse caso específico, isso contribuirá para que os operadores saibam que os números devem ser lidos em grupos de 2 algarismos.

  5. Ex.: A-1-5 A-11-5 (pobre); A-01-5 A-11-5 (melhor)

    Chama-se isso de tornar o código “detectável”. O usuário deve ser capaz de distinguir a existência de qualquer elemento estranho ao código, ou a falta de algum elemento. No exemplo dado, o primeiro endereço (pobre) poderia eventualmente levar a um erro ou a uma dúvida do usuário, ou no mínimo demandar um tempo de reação maior para entende-lo.

  6. Quando estiver endereçando um conjunto de porta-páletes mas houver espaço livre no início dos conjuntos, utilizado eventualmente para qualquer fim mas que poderá no futuro ser ocupado por porta-páletes, a dica para manter a flexibilidade do endereçamento é verificar quantos porta-páletes poderão eventualmente ser instalados na área livre, e iniciar o endereçamento a partir desse primeiro porta-pálete hipotético. Desse modo, qualquer expansão dos porta-páletes em direção à área livre não implicará em se ter que alterar a identificação de todo o restante para manter a uniformidade dos endereços.
  7. Quando seu sistema de endereçamento precisar identificar prédios diferentes ou regiões específicas do armazém, isso deverá ser feito através de um caracter (ou de um grupo) no início do endereço.
  8. Cada grupo de identificadores não deverá ter mais do que 3 ou 4 caracteres, que devem ser separados por espaços ou hifens.
  9. Em códigos alfanuméricos, inicie pelos caracteres alfa, deixando os numéricos para identificar o final dos códigos. Isso converge os códigos para que tenham as ruas identificadas por letras, e as colunas e níveis por números.

Fatores ergonômicos a considerar na confecção das placas e etiquetas

Na confecção das placas e etiquetas de endereço é importante considerar a tipologia, para garantir que a legibilidade seja a melhor possível.

Dê preferência para uma tipologia simples que permita uma fácil discriminação entre os caracteres. Boas fontes são Arial, Verdana, helvética, ou outra fonte simples e sem serifa que guarde boa proporção entre altura, largura e espessura de traço. Não devem ser utilizadas fontes como Times News Roman ou Courier, ou outras de características artísticas como Algerian, Berkley e fontes de leitura mais difícil. Também não deve ser utilizada tipologia em itálico.

A ergonomia também dita as regras para a fixação das etiquetas identificadoras tanto das ruas quanto dos níveis das longarinas ou prateleiras.

A relação entre a altura, largura e espessura dos caracteres, bem como suas cores e do fundo da etiqueta ou placa (*) , são aspectos que interferem na legibilidade. Até mesmo a altura em que a placa será fixada interfere na forma do caracter. Por exemplo, acima de 2,00m, a letra deverá ser “esticada” para compensar o ângulo de visada e manter a mesma relação aparente entre altura e largura.

As etiquetas de identificação dos níveis sempre devem ser fixadas na vertical (empilhadas) utilizando-se as colunas dos porta-páletes, com os números correspondentes aos níveis crescendo de baixo para cima, do mesmo modo que os níveis das longarinas, guardando uma analogia com o endereço físico. Assim, etiqueta de baixo identifica o endereço de baixo, última etiqueta acima identifica o endereço mais alto e assim por diante.
Alguns poderiam perguntar: Mas por que não utilizar as longarinas dos porta-páletes para isso? Porque ao utilizar as longarinas, a informação de nível, que é vertical, teria que ser lida na horizontal de forma não ergonômica.

E finalizando, assegure-se que o sistema de endereçamento possa ser utilizado de forma padronizada para todos os endereços de seu armazém. Se a quantidade de endereços for muito grande, analise a conveniência de montar o código de endereços com mais grupos, ou com mais caracteres por grupo. Cuidado com a superfície das placas e etiquetas. Use materiais sem brilho ou reflexivos. Use acabamentos que evitem ofuscamento. sempre que lhe pareça necessário utilize adicionalmente recursos visuais que possam contribuir para uma melhor identificação do código do endereço, tais como setas para indicar direção, indicadores de mão e contramão, etc.


(*) Letras brancas ou amarelas sobre fundo preto apresentam maior legibilidade. O uso de outras cores deve ser evitado.

Referências

CHENGALUR, S. N.; RODGERS, S. H.; BERNARD, T. E. Kodak’s Ergonomic Design for people at work. New Hoboken, NJ: John Wiley & Sons Inc. 2004

IIDA, I.; WIERZBICKI, H. A. J. Ergonomia: Notas de aula. São Paulo: Faculdade de Engenharia Industrial. 1978

KEARNEY, D. J. Ergonomics Made Easy: A checklist approach. 2ª ed. Lanham, Maryland, USA: Government Institutes. 2008

TANTNER, A. Adressing the houses: The introduction of house numbering in Europe. Histoire & Mesure – XXIV – 2 | 2009. Les mesures de la ville, Editions Ehess. Disponível em http://histoiremesure.revues.org/3942?lang=en acesso em 15/7/2015

Técnicas para endereçamento de armazéns - parte 1

O tema “Como endereçar um conjunto de porta-páletes ou estantes” em um armazém é recorrente em conversas sobre logística interna, e sempre gera alguma discussão apaixonada. Afinal é melhor é utilizar um sistema alfanumérico, ou o sistema puramente numérico se sobrepõe àquele em vantagens? Devemos utilizar o conceito de rua (corredores numerados à esquerda e à direita) ou devemos endereçar cada fila ?

Os adeptos do sistema alfanumérico afirmam que o nosso cérebro é mais facilmente adaptável ao conjunto de letras e números por ser mais discriminativo. O time do outro lado afirma que o sistema numérico se adequa mais facilmente aos sistemas computacionais. Por outro lado, o sistema alfanumérico proporciona um número maior de combinações possíveis para determinar os endereços. E assim seguem argumentando.

Eu particularmente sou simpático ao sistema de ruas alfanuméricas, mas o que é melhor para uma empresa pode não ser funcional para outra, dependendo inclusive do software de gestão que essa empresa utiliza e dos recursos ou limitações proporcionados por ele, e da experiência anterior com algum sistema. Desse modo, em meus projetos, eu sempre avalio as condições operacionais antes de sugerir este ou aquele sistema.

Recentemente participei de um debate sobre esse tema em um grupo de profissionais e pude perceber que as opiniões quanto à escolha do sistema de endereçamento se dividiram conforme a sua utilização principal:

  • Se o endereço é utilizado apenas para empilhadeiras (armazenagem);
  • Se o endereço é utilizado para armazenagem e para picking;
  • Se o endereço é utilizado apenas para picking;
  • Existe sistema de apoio computadorizado para endereçamento, mas o sistema de coleta é totalmente dependente do operador;
  • O sistema de separação de mercadorias é feito através de comando de voz.

Desse debate conclui que não existe um sistema certo ou errado, melhor ou pior, quando apenas consideramos suas características intrínsecas.

Entretanto, há características ergonômicas que não podem ser desprezadas. O nosso cérebro reage de forma diferente, e mais ou menos assertivamente, conforme um dado estímulo lhe é apresentado. Desse modo, ao planejar um sistema de endereçamento precisamos levar em conta qual será a complexidade necessária para identificar todos os endereços, e a partir dessa necessidade inicial, estabelecer como agrupar os caracteres, como dar significado a cada um dos grupos, que separador utilizar entre os grupos, etc.

Disso decorre que é fundamental que ao planejar um sistema padronizado, que este tenha boa legibilidade, que seja simples, que seja coerente com os estereótipos dos operadores sobre o conceito de endereço, que seja altamente discriminativos, e que possa contribuir para evitar os erros comuns de supressão, ou adição, ou troca de caracteres no processo de leitura.

É bom lembrar que um sistema de endereçamento, tal qual qualquer outro sistema de codificação, depois de planejado e implantado, custa um bocado para ser alterado. Desse modo, é preciso muito cuidado em sua concepção.

Pesquisando sobre o assunto eu coletei algumas heurísticas e dicas bem interessantes sobre o assunto, que eu gostaria de compartilhar.
Desse modo, em minha próxima postagem falarei sobre boas práticas e sobre os aspectos ergonômicos envolvidos no planejamento do sistema de endereços e na elaboração de placas e etiquetas de endereçamento.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Deu no Wall Street Journal: Mudança no perfil desejado para os profissionais da Cadeia de Suprimentos

Na página de logística do “TheWall Street Journal” do dia 22 de Maio, eu li uma interessante reportagem de LorettaChao, falando sobre as grandes mudanças que estão ocorrendo na busca dos talentos necessários para a Cadeia de Suprimentos, em razão do impacto provocado pela influência dada vez maior da tecnologia e da globalização, nas habilidades necessárias aos cargos em SCM.

Diz ela que, hoje em dia consegue-se uma tamanha abundância de dados sobre as operações, que as previsões de demanda conseguem ser cada vez mais rápidas e mais precisas, possibilitando às empresas obter bons resultados com menor investimento em inventários. Entretanto, isso exige pessoas capazes de coletar, analisar e interpretar essa enorme massa de dados de modo a garantir vantagens competitivas.

Ainda segundo ela, os Especialistas do setor dizem que compreender a tecnologia e ser capaz de trabalhar em um ambiente global são habilidades cada vez mais importantes na cadeia de abastecimento. Isso obriga os gestores a procurar pessoas com uma rara mistura de habilidades especializadas para gerenciar esses aspectos cruciais de seus negócios.

As mudanças também estão ocorrendo não só em termos das habilidades exigidas, como também da maior importância das funções de Supply Chain na hierarquia das empresas.  Aquilo que antes era um punhado de funções distribuídas entre Logística e Suprimentos, estão sendo consolidadas e empurradas para cima da hierarquia, com executivos de Supply Chain se reportando diretamente aos CEOs, tal como aconteceu na Apple e na Kimberly-Clark.

Tom Falk, CEO da Kimberly-Clark conta na reportagem, que a empresa tendia a olhar os custos de matéria prima e de transportes de forma independente, e que diversos gerentes cuidavam de atividades relacionadas à Cadeia de Suprimentos mas se reportavam a diversos departamentos de forma não integrada, e que isso fazia a empresa “deixar dinheiro na mesa”. O que ele fez foi juntar todo mundo em uma única área, de modo a criar valor e unificar a estrutura de custos, contratando para isso uma executiva com experiência em operações globais, visto que ele espera que essa nova visão venha a ajudar na expansão da Kimberly-Clark em mercados como a China, Rússia, Brasil e India.

Porém, executivos com esse perfil são raros. A reportagem segue dizendo que em uma recente pesquisa levada a cabo pela Deloitte Consulting LLP, os resultados mostraram que 71% dos executivos entrevistados tinham dificuldade para recrutar suas lideranças de Supply Chain. 74% disseram que eles precisam que seus Gerentes de Supply Chain tenham capacidade de pensar estrategicamente e habilidades para resolução de problemas, mas que menos da metade deles declararam que suas empresas estavam boas nisso atualmente.

A reportagem termina dizendo que o maior desafio hoje é que não há super homem ou super mulher preparados o suficiente para cobrir todos os aspectos da cadeia de suprimentos.

Achei bastante interessante a abordagem, principalmente para os jovens que buscam formação em logística, mas também para todos os que já estão no mercado, ao mostrar que a Cadeia de Suprimentos é uma área de grandes possibilidades para os profissionais mas exige múltiplos talentos e habilidades. O recado para quem quer ter sucesso na carreira é que ajam sistemicamente, busquem aperfeiçoar-se em tecnologia, ampliem sua visão para fora dos limites locais, e desenvolvam seu poder de analisar dados e extrair deles informações relevantes para adicionar valor às cadeias de suprimentos em que estiverem inseridos.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Entendendo o sistema randômico de endereçamento

Diversos modos de controle podem ser utilizados para ordenar a armazenagem de produtos em um depósito, de modo que possam ser localizados e recuperados quando necessário. 
Por exemplo: Armazená-los seguindo um sequenciamento alfabético ou numérico de seus códigos, ou segundo suas famílias ou grupos, ou por clientes aos quais são destinados, etc.

Entretanto, qualquer ordem pré-fixada provoca um problema quando se necessita armazenar um código intermediário numa ordem já estabelecida, ou quando deixamos intervalos livres para armazenar um lote futuro de um dado SKU.   Ambas as situações prejudicam a eficiência do armazém, no primeiro caso pelo retrabalho necessário para abrir um espaço entre dois SKUS, e no segundo pelas posições vazias que levam ao uso ineficiente do espaço de armazenagem.

A forma de melhorar a eficiência da ocupação volumétrica e eliminar movimentações desnecessárias é utilizar a localização randômica dos produtos nas posições livres, situação em que se troca o controle puramente visual por um controle posicional dos produtos armazenados.

Quando se diz que um sistema de endereçamento é randômico ou aleatório, isso significa que não existe uma correlação fixa entre um endereço ou posição e um dado SKU,  e que desse modo, qualquer endereço livre pode ser utilizado para qualquer produto que dele necessite.

Essa característica está presente em qualquer aplicativo que se dedique a controlar um armazém, seja um WMS – Warehouse Management System[1] ou um WCS – Warehouse Control System[2].
Quando se utiliza um aplicativo para se obter o controle, os algoritmos necessários para a escolha dos endereços são absolutamente transparentes para o usuário. 
Entretanto, conhecer o seu funcionamento amplia o modo como poderemos customizá-lo e fazê-lo atender mais de perto nossas necessidades específicas.

Desse modo, para entender melhor como funciona o sistema randômico de endereçamento, façamos uma analogia com duas gavetas de fichário, que chamaremos de (a) e (b).

Inicialmente prepararemos tantos envelopes quantas forem as posições pálete disponíveis em nosso armazém, cada qual identificando um endereço específico. Além do endereço propriamente dito, o envelope deve informar também as características desse endereço, tais como capacidade, volume, dimensões, etc.

Na gaveta (a) guardaremos esses envelopes em sequencia aleatória. Essa gaveta (a) será destinada portanto, aos nossos endereços vazios.

Em seguida, prepararemos tantos divisores de fichário quantos forem os nossos SKUs.

Na gaveta (b) disporemos esses divisores na ordem adequada para uma rápida identificação.  Veja que aqui poderemos fazer uma ordenação em ordem sequencial de códigos dos SKUs, ou por clientes, ou por família de produtos, por cor, tamanho, ou qualquer outra sequencia que seja apropriada para o processo de recuperação rápida dos produtos.

Agora vamos botar o nosso sistema para funcionar:

No primeiro recebimento de mercadorias, o controlador deve retirar da gaveta (a) tantos envelopes quantos forem os páletes a serem armazenados, seguindo a ordem em que se encontram dispostos na gaveta, ou dito de outro modo, os endereços que serão utilizados devem ser retirados sempre da frente para os fundos da gaveta.

Em seguida, usando um formulário apropriado, deve registrar os dados de cada produto/pálete, tais como código, quantidade, lote, validade, etc. e colocar cada formulário em um envelope.
Assim sendo, ao final do processo, teremos páletes de produtos associados aos endereços.
Como exemplo: Se recebemos 25 páletes de 6 produtos diferentes, preencheremos 25 formulários e os colocaremos em 25 envelopes.

Como última atividade, o controlador deverá guardar cada envelope + formulário na divisória da gaveta (b) correspondente ao produto recebido.
Portanto, no exemplo dado, os 25 envelopes serão guardados nas 6 divisórias correspondentes aos produtos recebidos.

Nos próximos recebimentos o processo se repetirá com os novos envelopes sendo colocados atrás dos já existentes nas divisórias correspondentes aos produtos armazenados, de modo que a gaveta (b) seja populada com as informações dos produtos em estoque.

Automaticamente essa última ação dispõe os produtos mais novos atrás dos mais velhos, permitindo controlar o PEPS.

E como recuperar os produtos?

Quando for necessário retirar um produto do estoque, o controlador irá até a gaveta (b), identificará a divisória correspondente ao produto, e retirará o envelope da frente (pálete mais velho).
Como o envelope corresponde ao endereço da posição pálete em que está o pálete do produto, isso permitirá que o operador de empilhadeira que se encaminhe ao local para fazer a retirada, sem erro e sem necessidade de “procurar” pelo produto.

Uma vez que o operador de empilhadeira confirme que o endereço está novamente livre, o formulário com os dados do produto é arquivado para fins de controle, e o envelope de endereço (vazio) volta ao controlador, para ser arquivado no final da fila de envelopes vazios da gaveta (a). Desse modo, provoca-se um rodízio automático na utilização dos endereços disponíveis.

Customização

Apesar desse sistema de alocação dos endereços ser, em tese randômico, o gestor poderá optar por classificar os endereços em ABC de acordo com a sua proximidade ao ponto de uso, de modo a criar uma precedência do uso de endereços mais “nobres” para aqueles produtos de maior rotatividade ou volume de saída.

Uso eficiente do sistema

Não se esqueça dos pilares da movimentação de materiais, que preconizam a eliminação de retrabalhos, do uso eficiente do espaço do armazém, e do fluxo contínuo, e da menor distância entre origem e destino.


Valter Mello
09/02/2015




[1] Sistema de Gerenciamento de Armazéns
[2] Sistema de Controle de Armazéns