quarta-feira, 29 de julho de 2015

O caminho do bezerro

by Sam Walter Foss (1858-1911) - poeta americano

Um dia, através da floresta primitiva, um bezerro caminhava de volta para sua dormida, como os bons bezerros faziam;
Mas ele fez uma trilha cheia de curvas e voltas, uma trilha tortuosa, como todos os bezerros fazem.
Desde então trezentos anos se passaram, e devo presumir que o bezerro esteja morto.
Mas ainda assim ele deixou o seu rastro, e dele se originou o meu conto moral.

A trilha foi retomada no dia seguinte por um cão solitário que por ali passava;
E, em seguida, uma sábia ovelha guia que procurava uma trilha sobre os vales e encostas também guiou o seu rebanho através dela, como as boas ovelhas guia sempre fazem.
E a partir daquele dia, sobre as colinas e clareiras, através daquela velha floresta, um caminho foi feito;
e muitos homens seguiram por ele entrando e saindo pelas suas voltas e curvas, e proferiram palavras de justa ira por ser aquele um caminho tão tortuoso.

Mas ainda assim continuaram seguindo, não riam, o caminho originalmente aberto por aquele bezerro através da floresta,
uma trilha tão incoerentemente traçada quanto o rumo incerto pelo qual ele caminhava.
E a trilha na floresta se transformou em um caminho, que se curva e se volta, e novamente se dobra.
Este caminho se tornou uma estrada, onde muitos pobres cavalos com suas cargas fatigavam-se sob o sol escaldante,
e viajavam cerca de três quilometros para percorrer apenas um.
E depois de um século e meio, eles ainda pisavam sobre as pegadas daquele bezerro.

Os anos se passaram muito rapidamente.
A estrada tornou-se uma rua de uma vila,
E, antes que os homens percebessem, em uma tumultuada artéria de uma cidade,
Que em breve transformou-se na rua central de uma renomada metrópole;

E os homens, após dois séculos e meio continuavam pisando sobre as pegadas de um bezerro.
A cada dia cem mil seguem o zigzag do bezerro, e sobre aquele seu caminho torto passou o tráfego de um continente.
Cem mil homens foram guiados por um bezerro morto há três séculos,
e perdem cem anos em um dia, por conta da reverência que prestam ao tão bem estabelecido precedente.

Fosse eu um pregador ordenado, eu poderia ensinar uma lição moral com estes versos;
Para homens que são propensos a seguir cegamente ao longo dos caminhos de bezerro de suas mentes,
e a trabalhar de sol a sol
repetindo o que outros homens já fizeram.

Eles palmilham nas trilhas batidas, para fora e para dentro, para frente e para trás,
escolhendo sempre os mesmos cursos errantes, para manter o caminho que outros já seguiram.
Eles mantém o caminho traçado, um sulco sagrado ao longo do qual passam como todos os que antes deles vieram;
Como devem estar rindo os antigos e sábios deuses da floresta,
eles que viram o primeiro e primitivo bezerro e seu andar incerto!

Ah, quantas coisas esses versos poderiam ensinar – Mas eu não fui ordenado pregador.

Colhido e traduzido por Valter Mello em Fevereiro de 2000.

Nenhum comentário:

Postar um comentário