quinta-feira, 16 de julho de 2015

Técnicas para endereçamento de armazéns - parte 1

O tema “Como endereçar um conjunto de porta-páletes ou estantes” em um armazém é recorrente em conversas sobre logística interna, e sempre gera alguma discussão apaixonada. Afinal é melhor é utilizar um sistema alfanumérico, ou o sistema puramente numérico se sobrepõe àquele em vantagens? Devemos utilizar o conceito de rua (corredores numerados à esquerda e à direita) ou devemos endereçar cada fila ?

Os adeptos do sistema alfanumérico afirmam que o nosso cérebro é mais facilmente adaptável ao conjunto de letras e números por ser mais discriminativo. O time do outro lado afirma que o sistema numérico se adequa mais facilmente aos sistemas computacionais. Por outro lado, o sistema alfanumérico proporciona um número maior de combinações possíveis para determinar os endereços. E assim seguem argumentando.

Eu particularmente sou simpático ao sistema de ruas alfanuméricas, mas o que é melhor para uma empresa pode não ser funcional para outra, dependendo inclusive do software de gestão que essa empresa utiliza e dos recursos ou limitações proporcionados por ele, e da experiência anterior com algum sistema. Desse modo, em meus projetos, eu sempre avalio as condições operacionais antes de sugerir este ou aquele sistema.

Recentemente participei de um debate sobre esse tema em um grupo de profissionais e pude perceber que as opiniões quanto à escolha do sistema de endereçamento se dividiram conforme a sua utilização principal:

  • Se o endereço é utilizado apenas para empilhadeiras (armazenagem);
  • Se o endereço é utilizado para armazenagem e para picking;
  • Se o endereço é utilizado apenas para picking;
  • Existe sistema de apoio computadorizado para endereçamento, mas o sistema de coleta é totalmente dependente do operador;
  • O sistema de separação de mercadorias é feito através de comando de voz.

Desse debate conclui que não existe um sistema certo ou errado, melhor ou pior, quando apenas consideramos suas características intrínsecas.

Entretanto, há características ergonômicas que não podem ser desprezadas. O nosso cérebro reage de forma diferente, e mais ou menos assertivamente, conforme um dado estímulo lhe é apresentado. Desse modo, ao planejar um sistema de endereçamento precisamos levar em conta qual será a complexidade necessária para identificar todos os endereços, e a partir dessa necessidade inicial, estabelecer como agrupar os caracteres, como dar significado a cada um dos grupos, que separador utilizar entre os grupos, etc.

Disso decorre que é fundamental que ao planejar um sistema padronizado, que este tenha boa legibilidade, que seja simples, que seja coerente com os estereótipos dos operadores sobre o conceito de endereço, que seja altamente discriminativos, e que possa contribuir para evitar os erros comuns de supressão, ou adição, ou troca de caracteres no processo de leitura.

É bom lembrar que um sistema de endereçamento, tal qual qualquer outro sistema de codificação, depois de planejado e implantado, custa um bocado para ser alterado. Desse modo, é preciso muito cuidado em sua concepção.

Pesquisando sobre o assunto eu coletei algumas heurísticas e dicas bem interessantes sobre o assunto, que eu gostaria de compartilhar.
Desse modo, em minha próxima postagem falarei sobre boas práticas e sobre os aspectos ergonômicos envolvidos no planejamento do sistema de endereços e na elaboração de placas e etiquetas de endereçamento.

Nenhum comentário:

Postar um comentário