quinta-feira, 16 de julho de 2015

Técnicas para endereçamento de armazéns - parte 2

Em minha postagem anterior sobre "Técnicas para endereçamento de armazéns", eu contei sobre a importância de planejar um bom sistema e que, tendo coletado algumas heurísticas, dicas, e boas práticas durante a minha pesquisa, compartilharia isso com vocês. Portanto, vamos a elas.

  1. Se for utilizar endereços sob a forma de ruas (que eu particularmente prefiro), numere as colunas de porta-páletes utilizando números ímpares à esquerda e números pares à direita da rua. No Brasil, esse sistema permite fazer uma analogia com os endereços físicos das residências porque utilizamos esse tipo de numeração das casas nas ruas. Desse modo, ao implantar um novo sistema isso permite que os operadores lembrem-se mais facilmente do padrão. Devemos nos lembrar sempre que a numeração deve crescer a partir do início da rua.
  2. Não utilize caracteres alfa para identificar os níveis dos porta-páletes ou estantes. Essa característica do endereço deve sempre ser numérica, analogamente ao que acontece com os andares de um prédio.
  3. Os níveis devem sempre ser numerados de baixo para cima (0 ou 1 para o endereço ao nível do piso). Na eventualidade de subníveis, é preciso um cuidado especial porque o ideal é que cada nível guarde a mesma referência de altura em relação ao piso do armazém, independentemente de sua localização ao longo da rua.
  4. Não utilize mais caracteres do que o estritamente necessário para identificar completamente cada endereço, embora seja conveniente que se padronize pela maior quantidade de caracteres necessária ao sistema. Por exemplo: Se o endereço vai de 1 a 99, use 01, 02, ...., 09 para identificar os endereços abaixo de 10. Nesse caso específico, isso contribuirá para que os operadores saibam que os números devem ser lidos em grupos de 2 algarismos.

  5. Ex.: A-1-5 A-11-5 (pobre); A-01-5 A-11-5 (melhor)

    Chama-se isso de tornar o código “detectável”. O usuário deve ser capaz de distinguir a existência de qualquer elemento estranho ao código, ou a falta de algum elemento. No exemplo dado, o primeiro endereço (pobre) poderia eventualmente levar a um erro ou a uma dúvida do usuário, ou no mínimo demandar um tempo de reação maior para entende-lo.

  6. Quando estiver endereçando um conjunto de porta-páletes mas houver espaço livre no início dos conjuntos, utilizado eventualmente para qualquer fim mas que poderá no futuro ser ocupado por porta-páletes, a dica para manter a flexibilidade do endereçamento é verificar quantos porta-páletes poderão eventualmente ser instalados na área livre, e iniciar o endereçamento a partir desse primeiro porta-pálete hipotético. Desse modo, qualquer expansão dos porta-páletes em direção à área livre não implicará em se ter que alterar a identificação de todo o restante para manter a uniformidade dos endereços.
  7. Quando seu sistema de endereçamento precisar identificar prédios diferentes ou regiões específicas do armazém, isso deverá ser feito através de um caracter (ou de um grupo) no início do endereço.
  8. Cada grupo de identificadores não deverá ter mais do que 3 ou 4 caracteres, que devem ser separados por espaços ou hifens.
  9. Em códigos alfanuméricos, inicie pelos caracteres alfa, deixando os numéricos para identificar o final dos códigos. Isso converge os códigos para que tenham as ruas identificadas por letras, e as colunas e níveis por números.

Fatores ergonômicos a considerar na confecção das placas e etiquetas

Na confecção das placas e etiquetas de endereço é importante considerar a tipologia, para garantir que a legibilidade seja a melhor possível.

Dê preferência para uma tipologia simples que permita uma fácil discriminação entre os caracteres. Boas fontes são Arial, Verdana, helvética, ou outra fonte simples e sem serifa que guarde boa proporção entre altura, largura e espessura de traço. Não devem ser utilizadas fontes como Times News Roman ou Courier, ou outras de características artísticas como Algerian, Berkley e fontes de leitura mais difícil. Também não deve ser utilizada tipologia em itálico.

A ergonomia também dita as regras para a fixação das etiquetas identificadoras tanto das ruas quanto dos níveis das longarinas ou prateleiras.

A relação entre a altura, largura e espessura dos caracteres, bem como suas cores e do fundo da etiqueta ou placa (*) , são aspectos que interferem na legibilidade. Até mesmo a altura em que a placa será fixada interfere na forma do caracter. Por exemplo, acima de 2,00m, a letra deverá ser “esticada” para compensar o ângulo de visada e manter a mesma relação aparente entre altura e largura.

As etiquetas de identificação dos níveis sempre devem ser fixadas na vertical (empilhadas) utilizando-se as colunas dos porta-páletes, com os números correspondentes aos níveis crescendo de baixo para cima, do mesmo modo que os níveis das longarinas, guardando uma analogia com o endereço físico. Assim, etiqueta de baixo identifica o endereço de baixo, última etiqueta acima identifica o endereço mais alto e assim por diante.
Alguns poderiam perguntar: Mas por que não utilizar as longarinas dos porta-páletes para isso? Porque ao utilizar as longarinas, a informação de nível, que é vertical, teria que ser lida na horizontal de forma não ergonômica.

E finalizando, assegure-se que o sistema de endereçamento possa ser utilizado de forma padronizada para todos os endereços de seu armazém. Se a quantidade de endereços for muito grande, analise a conveniência de montar o código de endereços com mais grupos, ou com mais caracteres por grupo. Cuidado com a superfície das placas e etiquetas. Use materiais sem brilho ou reflexivos. Use acabamentos que evitem ofuscamento. sempre que lhe pareça necessário utilize adicionalmente recursos visuais que possam contribuir para uma melhor identificação do código do endereço, tais como setas para indicar direção, indicadores de mão e contramão, etc.


(*) Letras brancas ou amarelas sobre fundo preto apresentam maior legibilidade. O uso de outras cores deve ser evitado.

Referências

CHENGALUR, S. N.; RODGERS, S. H.; BERNARD, T. E. Kodak’s Ergonomic Design for people at work. New Hoboken, NJ: John Wiley & Sons Inc. 2004

IIDA, I.; WIERZBICKI, H. A. J. Ergonomia: Notas de aula. São Paulo: Faculdade de Engenharia Industrial. 1978

KEARNEY, D. J. Ergonomics Made Easy: A checklist approach. 2ª ed. Lanham, Maryland, USA: Government Institutes. 2008

TANTNER, A. Adressing the houses: The introduction of house numbering in Europe. Histoire & Mesure – XXIV – 2 | 2009. Les mesures de la ville, Editions Ehess. Disponível em http://histoiremesure.revues.org/3942?lang=en acesso em 15/7/2015

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