quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Números aleatórios e análise logística - parte 2

Photo by Mike Esprit in www.freeimages.com

Nesta segunda parte de nossa postagem sobre a utilidade dos números aleatórios, vamos detalhar o problema da capacidade de sua empilhadeira e se você toparia o contrato com seu cliente.

Como alertamos, para tomar uma decisão acertada, a primeira coisa a fazer é conhecer o histórico do da distribuição dos tempos de armazenagem em seu armazém.
A duração desses eventos é muito variável em função da distância percorrida e da elevação necessária. Assim a cronometragem simples não se mostra adequada.

A amostragem é uma técnica que reúne confiabilidade e rapidez (isso será objeto de uma postagem específica). O resultado será um histograma com a distribuição de probabilidade de que os eventos estejam dentro de cada faixa, conforme o exemplo da tabela ao lado, em que apontou-se a quantidade de armazenamentos em períodos de 10 minutos (o período foi escolhido arbitrariamente para melhorar a precisão).

Trocando em miúdos, a tabela diz que em 10% das vezes a capacidade de armazenamento da empilhadeira foi de apenas 1,7 páletes; em 15% das vezes  a empilhadeira conseguiu armazenar 2,8 páletes e assim por diante.  Veja que a média ponderada foi 4,17 páletes em 10 minutos, o que dá os 25 páletes por hora do problema proposto (calcule e confirme).

Vamos ver então como fazer uma simulação dessa operação no Excel, usando números aleatórios:
Você precisará montar uma planilha com 4 colunas, com as seguintes fórmulas:
No primeiro bloco, das células C3 até D9 você insere as faixas de probabilidade acumulada (somando cada estrato de sua amostragem) e a capacidade de armazenagem resultante da sua amostragem.
Em seguida insira a quantidade de linhas para corresponder aos 48 intervalos de 10 minutos cada, até os 480 minutos da hipotética jornada diária.


Vamos às explicações de cada coluna:
Na coluna B você está colocando seus intervalos de 10 minutos até 480 minutos.
Na coluna C você coloca a fórmula “=aleatório()” que fará com que o Excel lhe apresente um número aleatório entre 0,0000 e 1,0000. Atenção: Essa fórmula é volátil. Isso significa que a cada vez que você recalcular ou clicar F9 o resultado da fórmula será alterado.  Essa é uma característica interessante porque permitirá que se replique o experimento quantas vezes se queira.

Na coluna D é que está a lógica da simulação.
Siga na linha 12 (as demais são semelhantes), o que a fórmula está fazendo:
SE a célula C12 (o número aleatório) for menor que 0,1 (10%) então coloque aqui o número que está em D3 (quantos páletes foram armazenados em 10% das amostras). Caso contrário examine se C12 é menor do que 0,25 (10% + 15%), e se verdadeiro coloque aqui o número que está em D4. Caso contrário, verifique a outra cláusula até que finalmente se nenhum resultado for satisfeito, então coloque aqui o número que está na célula D9.

Com esse artifício, o número aleatório sorteado ficou relacionado com a capacidade da empilhadeira naquela faixa, de acordo com a distribuição de probabilidade que foi amostrada. 
Isso acontece porque a distribuição dada pelo Excel é uniformemente distribuída, portanto, temos 10% de probabilidade de que a fórmula resulte em um número entre 0,0001 e 0,1000, 15% de probabilidade de que resulte em um número entre 0,1001 e 0,2500, e assim sucessivamente.

Na coluna E a fórmula pede para que o Excel some a quantidade de páletes que resultou em cada intervalo de 10 minutos (veja que acumula a linha anterior com a nova quantidade). Portanto, na última linha você terá a somatória da quantidade de páletes que teria sido armazenada em 480 minutos.

Agora que você já sabe como faz, monte a planilha e replique a simulação por 100 vezes.

Você ficará surpreso em descobrir que em cerca de 25 dias você não teria tido capacidade para armazenar os 200 páletes e teria sido multado. 
Acompanhe as replicações que eu fiz:

Cada célula representa a quantidade de páletes armazenada em cada um dos 100 dias da simulação.
Eu destaquei em fundo amarelo os dias em que as quantidades ficaram abaixo do necessário.

Isso mostra duas coisas:

a) Quando o excedente de capacidade não pode ser utilizado, a capacidade média do processo perde o sentido.  No exemplo houve dias em que teria sido possível guardar mais de 230 páletes, entretanto essa capacidade adicional foi perdida.

b) Fica claro que para atender a um determinado nível de serviço - no exemplo dado é armazenar 100% dos páletes recebidos - você tem que arcar com uma capacidade excedente e isso custa. Portanto, muito cuidado com o que você promete.

      Gostou desta postagem?  Então divulgue para algum amigo ou colega de trabalho. 

Se ainda tem dúvidas sobre o assunto, ou achou que as explicações não foram suficientemente claras, me faça saber, como você gostaria de receber explicações desse tipo.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Números aleatórios e Análise logística

photo by Armin Hanisch www.freeimages.com

Em primeiro lugar vou lhes contar uma triste verdade. O mundo real não é determinístico. Nada nele funciona com a precisão de um relógio ou a certeza de que 2 + 2 = 4.

Sabe aquele mundo dos sonhos em que o comportamento exato da demanda, os prazos de nossos fornecedores, o tamanho e custo dos estoques, o tempo de espera de caminhões no pátio, seriam determinados com exatidão?  Lamento informar, mas esse mundo não existe.

Isso torna as coisas mais "emocionantes" mas, por outro lado, muito mais complicadas para gerenciar.

Porém, nem tudo está perdido. É relativamente fácil simular o comportamento de sistemas probabilísticos através do uso de números aleatórios e do Excel, e desse modo planejar o funcionamento das coisas entre um mínimo e um máximo e não sobre um ponto exato.

Vamos então definir o que são os tais números aleatórios ou randômicos.  Na prática, são números apresentados em uma sequencia sobre a qual não temos nenhum controle. Desse modo, não podemos prever quais serão os próximos. Exatamente como funcionam os resultados das loterias. Gira-se o tambor, e retira-se uma bolinha. Exceto por coincidência ninguém poderá prever o valor dessa bolinha, retirada ao acaso.  Um outro exemplo é uma roleta ou o lançamento de dados em um cassino. No lançamento de um dado não viciado você sabe que o resultado estará entre 1 e 6 mas sua certeza acaba aí.

Usando o Excel como gerador de aleatórios

No excel, a aleatoriedade é dada pela função "aleatório". Em uma planilha vazia, experimente colocar em uma célula a expressão =aleatório().  Em seguida, recalcule clicando na tecla F9.  A cada vez que você clicar na tecla F9 , você verá que o resultado apresentado na célula muda completamente ao acaso, tornando impossível prever qual será o próximo número a ser apresentado.

A utilidade dos números aleatórios para a análise logística, acontece exatamente porque nos permite simular o acaso dos eventos futuros em qualquer processo.
Ora, você poderia me perguntar agora: Mas para que serve um número sobre o qual eu não tenho controle?  

Aí é que está a mágica. Você pode utilizá-los para simular uma dada distribuição de probabilidades.

Para isso o fundamental é que você já tenha algum conhecimento das funções lógicas do Excel (pelo menos que você saiba usar a função “SE”), e em segundo lugar, é claro que você precisa conhecer o que são distribuições de probabilidade.
A má notícia é que se você achou que eu falei grego, então desculpe mas você só tem duas escolhas:
Ou corre atrás desses conhecimentos agora, ou trate de arrumar outra coisa pra fazer porque logística não é uma atividade para você.

Mas antes de se desesperar, acompanhe um exemplo:
Digamos que você precise gerenciar a capacidade de armazenagem em seu armazém. Você tem uma única empilhadeira que pelas suas observações, dá conta de armazenar 25 páletes por hora em média, com variações dependendo da distância percorrida em cada evento.
Lembre-se que isso é um exemplo, visto que o desempenho de uma empilhadeira varia de acordo com o regime de trabalho, layout, e vários outros fatores.

Seu cliente tem exatos 200 páletes para armazenar à cada jornada diária de 8 horas, mas você pagará uma multa se deixar um único pálete no chão ao final do dia, durante os 100 dias da vigência do contrato.  

Você toparia o contrato?

Se você disse um enfático SIM sem maiores análises, eu me preocupo com a sua carreira.

De fato 200/8 = 25, o que faz parecer que uma única empilhadeira daria conta do trabalho.
Entretanto, antes de tomar qualquer decisão você deve conhecer a distribuição dos tempos de armazenagem de sua empilhadeira. Em quantas vezes foram armazenados mais do que 25 páletes por hora?  Em quantas vezes foram armazenados menos páletes? 

Em nossa próxima postagem, falarei sobre como simular essa operação no Excel, usando a função "aleatório" e a função lógica "se". 

Espero que você seja um dos que não aceitariam o contrato. Ao final da simulação você ficará surpreso com a quantidade de multas que teria que pagar.  

Até a próxima postagem.

sábado, 5 de novembro de 2016

Água engarrafada ou água de torneira? Como a sua escolha impacta o planeta?

photo: freeimages.com by Andrew Beierle

Em 20 de Outubro, o New York Times publicou um artigo de Tatiana Schlossberg,  intitulado “Bottledwater ou tap: How much does your choice matter?” que instiga os leitores a responder um questionário sobre o impacto ambiental decorrente da escolha entre beber água engarrafada ou água de torneira e comenta sobre as respostas dadas pelos leitores.

Esse é um assunto que embora pareça se referir à Engenharia ambiental, tem muito a ver com logística e cadeia de suprimentos, uma vez que estamos sistemicamente envolvidos com tudo isso e, também porque é nossa responsabilidade pessoal e profissional contribuir para a sustentabilidade da cadeia de suprimentos. E ainda pelo aspecto da logística reversa que é matéria de nossa preocupação.

Alguns dados dos comentários feitos pela articulista são estarrecedores:

Consumo desproporcional de energia

A Água engarrafada custa até 2.000 vezes mais energia do que a necessária para disponibilizar a mesma quantidade de água potável na rede pública, dependendo do local em que o processamento é feito.  Tatiana alerta que embora ainda existam lugares em que a água da rede pública não seja segura, mesmo as águas engarrafadas podem não estar livre de poluentes, o que agrava a questão.

Considere o gasto desproporcional de energia motivado pelo hábito do consumo de água engarrafada. Nos EUA, que tem uma população em torno de 320 milhões de habitantes, o consumo do produto foi de 49 bilhões de garrafas no último ano.
Além disso, o que fazer com as garrafas?  Em 1950 o consumo global de garrafas plásticas era de 5,5 milhões de toneladas. Em 2009 esse consumo subiu para 100 milhões de toneladas.  Imagine o impacto disso.
Isso sem contar as embalagens plásticas de refrigerantes que, no mesmo período, teve média de 62 garrafas por habitante. 

Para onde vão as embalagens plásticas?

Nos EUA, cerca de 1/3 das garrafas são recicladas mas essa figura cai para apenas 14% no total de embalagens plásticas. Apesar do uso de energia necessário para a reciclagem, a emissão de gases estufa é menor do que o provocado pelos outros 14% que são incinerados,  ou dos 40% que vão para aterros sanitários, com tempo de deterioração ainda não completamente conhecidos mas bastante longos, ao longo do qual emitem gases de efeito estufa e poluentes.

E para onde você pensa que vão os outros 32%?  Se você pensou, para os oceanos, você acertou.  
A maioria dos poluidores marítimos está no sudeste asiático e respondem por 50% do lixo flutuante, mas quem já passou pela Baia da Guanabara sabe bem o tamanho da encrenca.

Globalmente, isso dá algo entre 5 milhões e 13 milhões de toneladas anuais  Apenas 1% disso oferece condições de retirada. O restante vai para o fundo ou é engolido por animais, com severos danos à fauna, ou ainda acaba congelado nas calotas polares.
E mesmo se colonizados por microrganismos durante o processo de decomposição, ainda assim o material plástico é agressivo porque emite substâncias tóxicas que poluem as águas oceânicas.

Esses não são os únicos impactos observados:

Citou-se o consumo de refrigerantes em garrafas plásticas. Essa quantidade, somada à  do refrigerante consumido a partir de latas ou garrafas de vidro, faz com que o consumo médio nos EUA suba para cerca de 100 litros anuais por habitante.  Segundo a Associação Médica Americana, essa é uma das causas da crescente obesidade da população.
E cidadãos obesos gastam mais energia na alimentação, no transporte, e com ar condicionado, agravando sistemicamente o clima.

Além de beber menos refrigerante e menos água engarrafada, que outras ações você poderia tomar para reduzir o impacto ambiental do consumo de plásticos?

Qual seria o impacto logístico das mudanças possíveis nessa área?
Como resolver o nó da logística reversa no caso das embalagens plásticas.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Veículo autônomo faz sua primeira entrega



Transcrevo aqui a notícia publicada por Barry Render em Jay, Barry & Chuck OM Blog, de onde também copiei a imagem que ilustra esta postagem.

Na semana passada, um caminhão autônomo pertencente à Uber fez a primeira entrega comercial de 2.000 caixas de cerveja Budweiser, em um percurso de 120 milhas, entre Fort Collins e Colorado Springs, no Estado norte americano do Colorado.

Por segurança, o veiculo contava com a presença de um motorista, que entretanto não precisou assumir o comando em nenhum momento.

Um executivo da Anheuser-Bush, proprietária da Budweiser, que entrega mais de um milhão de cargas rodoviárias de cerveja por ano, acredita que os veículos autônomos são o futuro.

No final, Barry deixa a seguinte questão: Qual a implicação disso para a indústria logística?

E você, o que acha disso?  Deixe seu comentário.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Medindo o sucesso na sua operação

Photo by Alfonso Diaz in Freeimages.com

Em meu trabalho como consultor de produtividade e logística, sou questionado recorrentemente por Atacadistas e Distribuidores sobre como reduzir seus custos de distribuição, como aumentar a produtividade do grupo de trabalho, como aumentar a fidelização dos clientes, e como melhorar a motivação dos funcionários.

Muitas vezes as soluções para esses problemas são buscadas através de novas técnicas de venda, em ações de marketing, em seminários motivacionais milagrosos, e muitas vezes nas teorias de muitos dos novidadeiros profissionais que andam por aí.

É preciso ter visão sistêmica

Como profissional de logística e crente ardoroso da teoria de sistemas, que diz que: "a otimização das partes não leva automaticamente à otimização do todo", eu devo lembrar que nenhuma ação comercial ou motivacional trará bons resultados se tomada isoladamente.
Eu não concebo o sucesso se não houver uma equipe comercial de ponta, e uma retaguarda com pessoal treinado, bom layout, bons equipamentos, e um bom sistema de gestão ligando tudo.

Você também já deve ter ouvido por aí, aquele que é um dos meus ditados prediletos: "Se você não consegue medir, também não consegue gerenciar".
Portanto, somente um bom sistema de movimentação e armazenagem de mercadorias, métodos de trabalho ergonômicos e racionais, bons sistemas de informação (não necessariamente computacionais), e um efetivo controle dos custos e da produtividade, poderão em conjunto, oferecer uma base sólida para sustentar todas as outras ações visando alcançar o sucesso empresarial.

Descubra suas métricas críticas

Então, o corolário daquele ditado deve ser:
"Se você não estiver medindo a coisa certa, então terá muito trabalho para gerenciar seu negócio".

Há muitas variáveis que definem o sucesso na distribuição de bens e serviços, mas do ponto de vista estritamente logístico, há apenas alguns indicadores chave que realmente fazem a diferença e eles incluem o peso e/ou o volume, a quantidade de entregas e de itens, e os recursos utilizados.
Para que o gerenciamento seja eficaz, os controles dessas variáveis devem focar nas áreas de custos, de serviços, e de produtividade.

Analise o seu negócio e veja se você tem elementos para responder as questões apresentadas abaixo?

    • Quais são seus custos por unidade entregue no cliente?
    • Qual o seu custo percentual da distribuição em relação ao seu faturamento?
    • Qual o custo por m3, ou por tonelada distribuída?
    • Qual o percentual de suas entregas que são feitas no prazo combinado?
    • Qual o percentual de seus pedidos que são entregues corretamente em produtos e quantidades?
    • Qual o percentual de produtos não atendidos por falta no seu estoque?
    • Qual o tempo de cada entrega?
    • Qual é o seu custo por quilometro rodado?
    • Quantas linhas de pedido seu pessoal separa por hora?
    • Qual o percentual de utilização de seus veículos?

                    Como pode ser percebido, os indicadores acima dependem da análise dos dados coletados sistematicamente durante algum tempo, de modo que haja consistência quanto às curvas de distribuição de cada grandeza, ou pelo menos de suas médias e da variação das figuras encontradas.

                    Um primeiro passo para o sucesso de suas medições é:

                    • Defina previamente quais dados serão coletados, de que forma, e por quem, seguido de um plano viável para analisá-los e torná-los facilmente interpretáveis.
                    Isso lhe dará uma clara idéia do ponto em que sua empresa está.

                    Em seguida:
                    • Estabeleça um plano de ação para tomar decisões sobre as figuras resultantes. Para isso, será preciso também estabelecer claramente os critérios de comparação e as metas que devem ser atingidas.

                    Use metas desafiadoras

                    Não me venha com "reduzir em 1,5% o tempo de minhas entregas" , ou "reduzir 0,5% do meu custo de entrega", porque isso não desafia ninguém.
                    No primeiro ano só será possível comparar os dados resultantes contra seu orçamento. No segundo ano do controle, você já poderá compara-los contra a realidade do ano anterior e apurar os seus ganhos ou suas perdas.

                    Não perca tempo! Examine as tendências negativas e estabeleça um plano de ação – documentado - para melhoria desses indicadores num tempo definido.

                    Por exemplo: 6 meses.E por último mas não de menos importância:
                    Lembre-se que não basta "decretar" as metas. É preciso que seu pessoal comprometa-se em atingi-las.
                    Para isso escolha indicadores objetivos, que possam ser facilmente interpretados por todos os seus colaboradores.


                    Você ficará surpreso com os resultados obtidos!

                    Aproveite que terminou a sua leitura, curta e deixe um comentário sobre os seus indicadores.

                    Esta postagem revisa o artigo escrito em 02/03/2009

                    quarta-feira, 19 de outubro de 2016

                    Análise ABC - Como fazer isso de modo simples?


                    Nesta Segunda-feira perguntaram-me sobre como fazer análises de prioridade utilizando o conceito ABC, também conhecido como regra (ou lei) de Pareto,  ou ainda o famoso 80/20.

                    Eu presumo que todos conhecem o começo da história, Vilfredo Pareto foi um economista italiano que na última década do século XIX publicou um livro em que teorizava o seu princípio sobre a distribuição da riqueza. Dizia ele que esta não se dava de maneira uniforme, mas sim com grande concentração em uma pequena parcela da população, e que essa ordenação era historicamente recorrente.

                    A partir da segunda metade do século XX esse princípio, originalmente econômico, passou a ser empregado de modo difuso em todas as áreas em que se precisa analisar a distribuição de algo.

                    O princípio de Pareto na prática

                    Quando temos um grande volume de dados para analisar, tentar dar a todos a mesma importância é o caminho para o desastre. Então, o que você precisará fazer é usar uma ferramenta para relativizar a importância de cada um deles, ou de cada família quando assim puder agrupá-los.

                    Vou desenvolver um exemplo considerando uma loja com um portfólio de 100 produtos.

                    Imagine que você queira estabelecer uma regra para fazer inventários (contagens físicas) cíclicas do estoque, de modo a prevenir erros e garantir que não perderá vendas por faltas no estoque.

                    Você contaria esse estoque diariamente? Semanalmente? Mensalmente?  Quantos e quais itens de cada vez?

                    De cara você ira se deparar com a dificuldade de contar o estoque de todos os itens com a frequência que imagine suficiente para garantir a acuracidade do estoque.
                    É aí que entra o Signore Pareto, e também é aí que entra a importância de estabelecer algum critério para orientar essa priorização, bem como o intervalo de tempo em que você contará os itens de cada estrato dessa priorização.

                    Mas como priorizar?

                    Qual será o fator de priorização a ser utilizado?  O valor unitário? O valor total do estoque? A popularidade de cada produto (a quantidade de vezes que ele é vendido por unidade de tempo)?  O valor total das vendas por unidade de tempo?

                    Veja que escolher o fator de priorização será fundamental para arranjar os dados.  A essa altura você poderia me perguntar: Mas que fator eu deveria utilizar?   A minha resposta é: Não existe uma única receita. Isso dependerá da natureza do que está sendo classificado, de seu valor intrínseco para o negócio, da sua criticidade (imagine um item crucial para seus clientes), dentre outras possibilidades. O seu conhecimento do negócio será o seu melhor guia.

                    Do mesmo modo, você precisará escolher a frequência com que cada grupo: A, B, C será contado.
                    Digamos que você decida contar diariamente os itens A, semanalmente os itens B, e mensalmente os itens C.  Essa seria uma regra bem razoável para um estoque de 100 itens.

                    A boa escolha desses parâmetros é o que separa os bons analistas dos analistas medíocres.

                    Só por hipótese, imagine que o melhor seja priorizar os seus itens de maior valor total no estoque.
                    Liste então todos os seus itens em uma planilha Excel ou semelhante, colocando em colunas diferentes a identificação do produto, o seu valor unitário, a quantidade em estoque, e o valor total do estoque (valor unitário x quantidade de unidades em estoque).

                    Isso feito, ordene a lista do maior valor para o menor valor e, ao final, some o valor do estoque linha a linha de modo a obter o valor total do estoque.

                    Para saber qual o percentual que cada item representa em seu estoque, divida o valor do estoque individual (cada linha) pelo valor do estoque total.

                    Encare o Princípio de Pareto como uma orientação

                    E agora, sabendo que os itens estão ordenados do maior valor para o menor valor e por isso do maior percentual para o menor percentual, use uma coluna adicional e vá somando os percentuais de cada linha, de modo que possa ver quando esse percentual atingirá uma figura próxima dos 80%.     É muito provável que ao contar as linhas (lembre-se que no exemplo existem só 100 produtos) essa figura estará próxima do vigésimo produto.

                    A distribuição chamada de Pareto é uma distribuição exponencial com uma curva típica. A distribuição dos seus itens vs valores poderá não seguir estritamente os 80/20 mas ainda assim poderá ser classificada do mesmo modo e o ajudará na sua priorização.  Talvez você encontra 75% do valor em 20% dos itens, ou 80% do valor em apenas 15% dos itens. Não se preocupe.  Utilize o primeiro limite encontrado.

                    Esses serão os produtos classe A, que você deverá contar diariamente.

                    Costuma-se usar como classe C, os itens que representam os últimos 5% do valor total, mas alguns autores simplificam isso classificando como C a metade final dos itens (o que frequentemente dá na mesma).  Portanto esses devem ser contados mensalmente.

                    E os itens B são os que sobram no meio dos dois estratos.

                    Uniformize a quantidade de itens que devem ser contados por dia

                    O segredo do sucesso para uniformizar a contagem cíclica, é que você deve dar aos seus conferentes um número razoavelmente constante de itens por dia.
                    Desse modo, divida os itens classe B pelos dias úteis da sua semana para obter quantos serão contados a cada dia. Faça o mesmo com os itens classe C.

                    E para eleger quais dentre eles estarão na lista de itens a contar a cada dia você poderá utilizar algum critério aleatório, ou analisar quais itens ainda não contados (das classes B ou C) estão com os estoques mais baixos - isso reduzirá o trabalho da contagem - ou ainda utilizar algum outro protocolo que possa ser entendido facilmente pelo seu pessoal mas que elimine a possibilidade de manipulação.

                    Esse foi apenas um exemplo de como utilizar a classificação.

                    Espero que as dicas tenham sido úteis.

                    Compartilhe os modos como a regra de Pareto tem sido útil ao seu negócio. Curta e poste um comentário.









                    Meus pedidos de desculpas pela ausência

                    Olá pessoal

                    Este é um pedido de desculpas pela ausência no blog há mais de um mês.  Eu sei que isso é indesculpável mas foi por motivos de força maior.

                    Estarei de volta ainda nesta semana para regularizar e intensificar o ritmo das postagens.

                    Grato pela compreensão.

                    sexta-feira, 2 de setembro de 2016

                    Ferramentas gratuitas para ilustrar seus projetos e apresentações


                    Muitas vezes precisamos ilustrar um projeto ou apresentação e falta-nos a imagem ou o desenho capaz de comunicar nossa ideia.  Ao invés de recorrer a uma imagem colhida na internet possivelmente violando direitos autorais e nem sempre perfeitamente adequada aos nossos propósitos, aprenda que existem inúmeras ferramentas gratuitas que podem nos salvar nessas horas.

                    Eu pretendo considerar aqui 3 situações bem definidas: Desenhos de engenharia, Representações tridimensionais; e Fotos ou Ilustrações.
                    Não vou tratar aqui de diagramas e gráficos que também podem ser construídos através de ferramentas gratuitas, mas uma postagem sobre desse tipo de aplicação ficará para uma outra ocasião. 

                    Desenhos de engenharia

                    O mais clássico dos software para esse tipo de desenho é o AutoCAD desenvolvido e comercializado pela AutoDesk, mas cujo valor da licença o torna inviável para usuários eventuais e estudantes.
                    Entretanto, a AutoDesk disponibiliza versões gratuitas para estudantes em http://www.autodesk.com/education/free-software/featured
                    Além desse, há também o FreeCAD em http://www.freecadweb.org

                    Uma situação muito comum em logística é o desenho de layouts de instalações, que podem ser estruturas extremamente complexas. Nesse caso, há múltiplas vantagens na utilização de software no conceito CAD (computer aided design) ao invés de aplicativos voltados à construção de diagramas, ou para desenhos não vetoriais.  As múltiplas ferramentas de produtividade dos CAD os tornam muito práticos para escalar, replicar, desenhar em camadas, e imprimir em formatos ABNT.   De um modo geral não são intuitivos e fáceis de utilizar como um processador de texto; a curva de aprendizagem é longa mas a qualidade final do trabalho compensa o esforço em aprender os seus princípios.

                    Modeladores tridimensionais

                    Embora os software de CAD possuam ferramentas 3D, seu uso não é para principiantes.  Aqui eu quero tratar de ferramentas capazes de oferecer resultados com um aprendizado mais rápido.
                    Na minha opinião o rei dessa categoria é o Sketchup.   
                    Esse modelador 3D também exige uma curva de aprendizagem para extrair dele todo o seu potencial, embora eu o considere bastante intuitivo e divertido de utilizar.  Mas não se desespere, há centenas de tutoriais disponíveis pela web.  

                    Uma vantagem adicional é o armazém 3D que funciona em regime de colaboração, e de onde se pode baixar modelos já prontos para aplica-los nos seus próprios.  A imagem ao lado veio de lá.

                    Graças à sua paleta de cores e texturas, eu o utilizo mais para modelos ilustrativos, detalhando formas e equipamentos por exemplo, mas com ele é possível de se construir modelos tridimensionais extremamente complexos. Você não acreditaria do que a versão paga é capaz de oferecer em termos de texturas.

                    Uma segunda opção para modelagem 3D é o Wing3D   Eu ainda não o experimentei, mas pelo que vi nos tutoriais, parece poderoso. Dizem que é mais intuitivo do que o Sketchup mas porque utiliza uma técnica de desenho poligonal diferente da utilizada por este, a construção de formas me pareceu um tanto confusa.

                    Fotos e Ilustrações

                    Aqui também há várias opções.
                    Eu utilizo o FreeImages    e o Pixabay    A primeira imagem desta postagem veio do primeiro.
                    São portais colaborativos com muitas fotos, ilustrações e vídeos mantidos sob licença Creative Commons, em que se pode encontrar dentre os milhares de fotos, ilustrações e vídeos de boa qualidade, aquele que seja a mais adequado para comunicar a sua ideia.  E se você resolver pagar há uma seção de fotos premium.

                    Há porém um detalhe imprescindível que não pode deixar de ser lembrado: Se você não sabe inglês, desculpe mas você perdeu o bonde.  O único deles que está em português é o Sketchup.

                    quarta-feira, 24 de agosto de 2016

                    5 dicas sobre "Como se preparar para um inventário geral"



                    Já estamos no final de Agosto e daqui a 3 meses as empresas que fazem inventários gerais de final de ano deverão estar prontas para realizá-los.
                    Não vamos discutir nesta postagem as vantagens ou desvantagens desse procedimento, ou a necessidade de realizá-lo. Entretanto, é preciso que uma vez planejado seja realizado com a maior acuracidade já que afeta o resultado anual.

                    Seguem então 5 dicas fundamentais para um perfeito planejamento dessa atividade, de modo que ao final tenhamos a maior exatidão possível com o menor uso de tempo e recursos da empresa.

                    1. Pré inventário: 

                    Para que a contagem física decorre sem nenhuma surpresa é necessário que se faça uma “arrumação” geral, considerando a retirada de materiais estranhos ao estoque, verificação da existência de caixas não identificadas ou com identificação irregular procedendo a regularização, segregação de produtos não conformes para os locais designados, arrumação dos páletes, regularização das camadas de páletes na área de separação. 
                    Para estoques não paletizados considere a arrumação de pilhas identificando o arranjo dos lastros e regularizando as camadas.
                    Enfim, trate de organizar as coisas para facilitar a contagem.

                    2. Use endereços

                    Se o seu armazém ainda não utiliza um sistema de endereçamento (pode me explicar por que?), estabeleça um sistema e garanta que nenhuma unidade de seu estoque esteja em um local não identificado. Saiba mais sobre endereçamento nessas postagens.

                    3. Conte por endereços e não por produtos

                    Dê aos inventariantes uma lista de endereços e não de produtos. Isso automatiza a sequência das contagens e facilita a computação dos resultados, tornando o processo menos dependente das pessoas.

                    4. Reserve tempo para 3 contagens e mais um pouquinho:  

                    As duas primeiras contagens devem acontecer em 100% do estoque.  A terceira contagem deverá ocorrer nos casos em que houve divergência entre as duas primeiras. Se ainda assim houver casos de uma terceira divergência, um time de auditores deverá estar a postos para realizar uma quarta e definitiva contagem que irá se sobrepor às realizadas anteriormente.

                    Só após a consistência das contagens físicas é que o resultado deverá ser comparado aos registros do sistema para os devidos acertos, que sempre deverão ser justificados.

                    5.Interrompa as operações durante o inventário geral. 

                    Quando necessário faça uma separação prévia e a baixa de tudo aquilo que deverá ser despachado durante o período de contagem.  Do mesmo modo, não incorpore nenhuma entrada ao estoque físico.  Cuidado também com as diferenças encontradas: Se você reiniciar as operações sem identificar as causas e corrigi-las o problema continuará sem solução.

                    Por que não inventários cíclicos?

                    Uma dica geral, independente das 5 acima expostas, é que você passe a considerar a realização de inventários cíclicos. É uma maneira mais rápida e confiável de garantir a acuracidade de seus registros, e permite que eventuais erros venham a ser corrigidos em tempo mais curto.  E sempre liste as causas que foram identificadas como geradoras das diferenças eventualmente encontradas. Isso direcionará seus esforços na busca das correções e melhorias.

                    Você tem alguma dica adicional para a realização de inventários?  


                    Quel legal! Compartilhe conosco.

                    E se precisar de apoio para o planejamento de seu inventário geral ou resolver terceirizar a contagem, não hesite em fazer contato conosco.



                    Photo by Mario Trejo from Freeimages.com

                    sexta-feira, 12 de agosto de 2016

                    Feliz dia dos pais



                    A postagem desta semana é uma singela homenagem aos pais logísticos, dos mais simples auxiliares de movimentação, aos motoristas, pilotos, aeroviários, marinheiros, analistas e planejadores, aos altos executivos que planejam os mais complexos fluxos de bens e informações ao longo da cadeia de suprimentos.

                    Que a pressão do dia a dia, que os prazos curtos, as incertezas da demanda, as diferenças de estoque, as estradas ruins e a burocracia, não lhes tirem o sono e lhes permitam ter o tempo adequado para a convivência com seus filhos e para apreciar toda a alegria de suas descobertas.

                    Feliz dia dos pais!

                    photo by Simona Belint - freeimages.com

                    sexta-feira, 5 de agosto de 2016

                    O que é necessário para ser um bom profissional de logística?


                    Olá leitores

                    A postagem de hoje é realmente muito simples.
                    Trata-se de uma reflexão sob a forma de um mapa mental, daquilo que compõe o perfil de um bom profissional de logística. É claro que não pretendo esgotar o assunto e tampouco ser definitivo.
                    É por isso que as setas apontam direções mas não se fecham em novas caixas.

                    Quais habilidades ou características são primordiais para você?
                    O que você acrescentaria a esse mapa?  Dê sua opinião, faça seu comentário!

                    quinta-feira, 21 de julho de 2016

                    Oportunidades de melhoria no slotting*

                    Na postagem que fiz em 08 de Junho, sobre os riscos de aumentar a variedade de itens em seu portfólio, prometi fazer uma postagem à respeito da análise de séries históricas como instrumento para a previsão da demanda. Aqui está ela.

                    Aviso: A previsão baseada em séries históricas é apenas uma das muitas técnicas quantitativas tratadas na bibliografia sobre o tema e pode ser aplicada sempre que houver um padrão recorrente no comportamento da variável sob                                                                                           análise.

                    Quantidade ou popularidade?

                    Um primeiro e necessário esclarecimento, é que na imensa maioria dos casos que já analisei, para localizar os produtos é mais importante que saibamos a quantidade de visitas feitas por endereço/produto, do que propriamente a quantidade que foi coletada em cada visita.  Portanto, é importante que para alocar produtos nos endereços de separação, possamos ter os dados sobre a popularidade, enquanto que para dimensionar o tamanho dos endereços precisaremos ter dados sobre as quantidades movimentadas no mesmo período.

                    O que eu vejo por aí com muita frequência é a utilização indiscriminada de médias aritméticas como base para fazer os dimensionamentos internos do armazém. Fica claro que sempre que essa série histórica contiver uma certa tendência de aumento ou redução, a média dará um resultado inadequado.  No outro extremo está o dimensionamento pelo pico do período, que eu nem preciso dizer que é uma receita para rasgar dinheiro.

                    Racionalizando o caminho dos separadores

                    As previsões de demanda (não importando como são feitas) tem entre outras coisas, o caráter óbvio de permitir o dimensionamento dos endereços dos produtos na área de separação, que é o objeto desta postagem. Mas além disso, devem permitir também que os produtos possam ser dispostos nos endereços mais adequados, de modo a racionalizar o caminho dos separadores.
                    Essa análise é muito importante nos casos daqueles produtos de forte sazonalidade e que numa determinada estação do ano sejam campeões de venda, enquanto que em outra tenham procura pequena ou nula.

                    Para corrigir essa distorção e evitar que  produtos sem expectativa de venda no próximo período não fiquem ocupando posições "nobres" em seu layout eu recomendo que o slotting* seja constantemente monitorado e readequado através da análise de seus dados históricos em séries que reproduzam os ciclos sazonais, e que se utilize algum modelo de previsão de demanda.

                    Que modelo utilizar?

                    Se você já utiliza um ERP a escolha do modelo dependerá em grande extensão da facilidade de integração com seu sistema.  Se você não usa um sistema desse tipo, ou a integração seja inviável, escolha algo que tenha simplicidade suficiente para ser utilizada através de planilhas Excel, e que trabalhe bem com a variabilidade de seu histórico.

                    Poderão ser utilizado modelos baseados em técnicas como a Suavização exponencial; Médias Móveis Ponderadas (MMP), ou até mesmo Redes Neurais Artificiais, que trabalham bem os fatores de sazonalidade mas demandam processamento complexo.  Seria desnecessário detalhar aqui os detalhes de cada uma visto que já existem excelentes tutorias gratuitos disponíveis na web.
                    É preciso lembrar que o ótimo é inimigo do bom e que não existem previsões perfeitas. Minha crença é que deve ser utilizado o modelo mais simples capaz de lhe fornecer previsões razoáveis, o que faria a minha escolha recair sobre um dos modelos de Suavização Exponencial ou MMP.

                    A suavização exponencial tem a característica de diferenciar os dados recentes, que são mais valorizados, dos mais antigos que influenciam menos no resultado. As médias móveis oferecem resultados mais pobres, entretanto são muito mais simples de calcular e em certos casos oferecem resultados bastante úteis.

                    Uma vez que tenhamos um banco de dados com a quantidade de visitas de cada endereço, um Mapa de Calor (Heat Map) também é uma ferramenta visual muito útil para identificar onde se concentram as visitas em um dado período.

                    Tire suas dúvidas

                    O objetivo desta postagem foi dar uma visão geral sobre o assunto "previsão" que é bastante complexo para ser tratado apenas através das postagens. Se você tem dúvida ou deseja mais esclarecimentos sobre esta postagem ou alguma anterior, não hesite, deixe sua pergunta nos comentários, que terei muita satisfação em respondê-las.

                    * slotting é o termo que designa a alocação de cada produto no nicho/endereço mais adequado.

                    quinta-feira, 14 de julho de 2016

                    Como garantir a integridade dos produtos durante o transporte - parte 2/2



                    Na postagem anterior tratamos dos aspectos preparatórios para o carregamento.

                    Ainda no aspecto da preparação, certifique-se que os meios necessários ao carregamento estão disponíveis e em condições de uso.  Por exemplo: transpaleteiras com a capacidade adequada, os páletes, os lacres, o material de acolchoamento quando necessário, e quando se tratar de caixas soltas, lembre-se de providenciar os meios para que os carregadores não pisem diretamente sobre as caixas.
                    Cargas perigosas exigem sinalização adequada.

                    Regras de ouro para a estufagem do veículo:
                    1. Distribua o peso da carga uniformemente sobre todo o assoalho do baú ou carroceria.
                      O centro de gravidade deve ser o mais baixo possível e tão próximo do centro da área do assoalho quanto possível. A atenção deve ser redobrada quando se está carregando cargas formadas por diversos produtos de volumes e pesos diferentes. Sempre que for possível mantenha juntos os lotes de um mesmo produto ou destinados a um mesmo local.
                      O peso também deve ser distribuído de modo a não se concentrar em apenas uma das laterais.
                    2. Nunca sobreponha produtos pesados sobre produtos leves.
                    3. Nunca sobreponha produtos líquidos ou úmidos sobre produtos secos. As embalagens contendo produtos líquidos deveriam ser sempre estufadas embaixo e sobre uma camada de algum tipo de absorvente como serragem ou estopa para que, no caso de um vazamento, a umidade decorrente ficasse contida e reduzisse os danos aos produtos vizinhos. No entanto, essa prática é muito pouco comum no Brasil.
                    4. Mantenha a carga presa principalmente junto à porta através de uma estrutura apropriada feita de sarrafos, ou com elásticos ou cabos. Esse é um cuidado especial com quem vai abrir a porta no destino.
                      Calce os espaços entre as embalagens, através de sacos infláveis próprios, ou outro material de preenchimento. Esse é um cuidado essencial aos seus produtos.
                    5. O ideal é que a carga não deixe espaços laterais entre as embalagens e as paredes do baú. Se isso acontecer, preencha ou calce para impedir o deslocamento lateral.
                    6. Se suas embalagens são auto-suportantes, então empilhe-as canto sobre canto, visto que estes são os pontos de maior resistência vertical. Caso contrário, e principalmente se a carga for composta por diversos produtos, empilhe-as em blocos cruzados.
                    7. Veículos carregando produtos perigosos devem ser identificados de acordo com a legislação. Não se esqueça de verificar isso previamente!
                    8. Se o centro de gravidade da carga estiver muito distante do centro de gravidade do veículo, não se esqueça de avisar o motorista desse fato.  Faça o mesmo no caso de lateralidade.
                    9. Nunca ultrapasse a capacidade de carga do veículo, e tampouco o limite de carga por eixo.
                    10. Após fechar a porta do baú, lacre-o, grave o número do lacre e registre-o da maneira apropriada nos documentos de envio.

                    quarta-feira, 6 de julho de 2016

                    Como garantir a integridade dos produtos durante o transporte - Parte 1

                    O cuidado com a integridade dos produtos durante o transporte é fundamental para que seus clientes fiquem satisfeitos e seus custos permaneçam em limiares aceitáveis.

                    Um dos cuidados fundamentais ao planejar o transporte é conhecer os esforços  a que as cargas estarão sujeitas. Nesta postagem vamos falar resumidamente sobre isso, visto que é um assunto que por si só daria um grande número de postagens. Entretanto, não deixem suas dúvidas dormindo. Escrevam para mim e eu irei respondendo ou tratando do assunto em novas postagens. 

                    No transporte rodoviário, as acelerações provocadas nos sentidos longitudinal e transversal provocadas pelas curvas, pelas frenagens e arrancadas podem ser altas mas não são as mais importantes. No entanto no sentido vertical, as acelerações causadas por lombadas, buracos, e irregularidades da pista representam cerca de 1,5G podendo mesmo chegar a picos de 6G, lembrando que 1G representa o peso próprio do corpo sob esforço.  
                    Isso quer dizer que em determinados momentos, uma caixa terá de suportar 6 vezes o seu próprio peso e o das mercadorias empilhadas sobre ela.



                    Entretanto, só embalagens bem dimensionadas não são suficientes. É preciso que os embarcadores cuidem para que o carregamento de um veículo seja feito de maneira cuidadosa, de modo a garantir que os produtos chegaram íntegros ao destino.

                    Checklist do veículo

                    Para começar, vamos iniciar com uma verificação das boas condições do veículo, estabelecendo um checklist que contenha, no mínimo, os seguintes itens:

                             Condições gerais do veículo: As condições gerais do veículo estão em conformidade com as regras do CBT e de sua empresa?  
                             Estanqueidade: Feche o baú e veja se não vaza luz em nenhum ponto;
                             Estado do piso: Plano, íntegro, resistente, sem protuberâncias;
                             Limpeza: O baú está sem odores? Não apresenta resíduos de cargas anteriores?
                             Obstruções ou pontas de pregos ou parafusos: Não há nenhum ponto no piso ou nas paredes do baú, que possa danificar as embalagens ou ferir alguém?
                             Suspensão: A suspensão do veículo está em perfeitas condições (nivelada e alta)?
                             Portas: As portas se fecham normalmente?
                             Lacre nas portas: Há como lacrar o baú (se conveniente ou necessário)?
                             O veículo e/ou baú são apropriados para o(s) destino(s)?
                             A origem do veículo e seus documentos foram devidamente verificados?
                             Motorista: É habilitado? Está uniformizado?
                             Produtos perigosos: Se você vai transportar produtos perigosos, o motorista é capacitado? O veículo tem o kit de segurança adequado aos produtos?

                    Lembrem-se entretanto, que a checagem das condições dos veículos deve ser muito mais detalhada do que os itens acima. Vale a pena discutir isso com os responsáveis pela frota de sua empresa.

                    Veículo conferido, vamos aos produtos


                             As embalagens estão intactas? (sem amassados, vazamentos, rasgos, etc...)
                             As embalagens estão corretamente identificadas?
                             Há indicações sobre fragilidade, base da caixa, onde pegar, empilhamento máximo, etc...?
                             Os produtos incompatíveis estão devidamente segregados? (por exemplo: aqueles mutuamente contaminantes)
                             As quantidades e tipos de produtos a embarcar estão corretamente conferidos e disponíveis?
                             Você tem indicações sobre a m³ e o peso de cada caixa a ser embarcada?

                    E agora faça um plano de estufagem, de modo a garantir que os produtos serão embarcados do modo adequado, o que evitará que sofram danos durante o transporte e o descarregamento:

                             A capacidade cúbica do veículo será utilizada ao máximo?  Se não, cuide para que a carga fique fixada firmemente.
                             O peso por eixo está sendo respeitado?
                             O carregamento está sendo feito na ordem inversa dos descarregamentos, de modo que a conferência e o acesso aos produtos sejam facilitados no momento das entregas?
                             Produtos mutuamente incompatíveis estão segregados?
                             Produtos pesados, caixas volumosas, produtos líquidos estão na base dos empilhamentos?


                    Atualmente há software de otimização de cargas disponíveis gratuitamente e online, que auxiliam na elaboração do mapa de carregamento e oferecem o máximo de ocupação para um dado volume do contentor. Apesar de não serem tão sofisticados quanto as versões pagas que dispõem de um leque de funcionalidades adicionais (peso por eixo, formas diferentes de embalagens, etc.), ainda assim permitem uma visão antecipada sobre a quantidade de veículos que será necessária evitando gastos desnecessários com frete.

                    O próximo passo será o carregamento propriamente dito.  Deixaremos isso para a próxima postagem.
                    Tenham uma boa semana!

                    quarta-feira, 15 de junho de 2016

                    A ineficiência nossa de cada dia - Perguntas que não calam

                    Há muito tempo, visitando o Rio de Janeiro como turista com a família, resolvemos ir ao Pão de Açúcar.  Achei muito estranho o fato de que, no bondinho, pagamos somente a passagem de ida.  A passagem de volta foi paga lá no alto.
                    Daí surgiu a pergunta: Será que é muito grande o percentual dos passageiros que desce o rochedo de rapel, voando, que se joga, sei lá?  Porque não me parece fazer sentido que se cobre por trecho, algo que é o único meio de transporte para a ida e para a volta.

                    Mais recentemente, meu filho voltando de Ilhabela, descobriu que a passagem da balsa é paga no sentido Continente – Ilha, e novamente no retorno.  Pergunta:  Será que tem muito turista que volta à nado?  Ou a quantidade de  carros anfíbios no Brasil é muito grande?  Nesse caso não precisaria nem da balsa né!

                    Por que essas cobranças não poderiam ser feitas em um único evento, economizando papel, funcionários, tempo e tudo o mais?

                    Ontem, acompanhei minha esposa a um hospital do convênio para um pequeno procedimento dermatológico para o qual ela já havia recebido indicação através de uma consulta prévia.  Na recepção, o sempre presente dispensador de senhas numéricas.  Depois de uma espera razoável, um tempo de atendimento mais longo ainda para o preenchimento da papelada.

                    Depois de preenchidos todos os formulários, feitas as assinaturas, carimbos, benzeduras e outros ritos no guichê, foi solicitado a ela que se dirigisse à ala dos consultórios e aguardasse a chamada. Lá estávamos e, depois de algum tempo vem a funcionária da recepção trazendo um punhado de papeis e depositando em um escaninho na porta do consultório.

                    Quanto tempo se perde em atividades inúteis?

                    Mais um tempinho de espera e sai o médico para recolher os formulários, entra novamente no consultório (provavelmente para ler do que se trata), e depois inicia a chamada dos pacientes.  Ora, estamos em 2016, será que não seria mais prático que cada médico recebesse online a ficha dos pacientes designados?  
                    Ah, e antes de executar o procedimento, o médico solicitou que a paciente voltasse à recepção para preencher novos formulários para que ele pudesse realizar o procedimento.

                    Ora, mas se já havia uma indicação prévia declarada logo ao chegar, por que todos os formulários não foram preenchidos de uma só vez?

                    A conclusão é que gastamos mais tempo na recepção preenchendo a papelada do que no procedimento propriamente dito, que não chegou a demorar 5 minutos.

                    Em quantos outros lugares como Bancos, Correios, Postos de combustível, e mesmo de forma mais prosaica em bares, restaurantes e padarias, não nos deparamos com esse mau uso dos recursos?
                    Esses são apenas alguns exemplos que compõem o custo (escondido) da nossa ineficiência crônica, que derrubam o nível de serviço, e que fazem com que tudo demore mais e demande recursos desnecessários.
                    Sabe por que?   Porque parece que o ato de pensar está cada vez menos valorizado e a criatividade deu chá de sumiço.  Temos os recursos mas continuamos repetindo coisas do tempo em que sequer existiam computadores. Isso faz com que milhares de horas e milhões de Reais sejam gastos sem que se acrescente uma mísera gota de valor ao produto ou ao serviço.

                    Está na hora de cada um de nós fazer algo no sentido de eliminar a ineficiência nossa de cada dia.

                    E você, o que anda fazendo para racionalizar as suas atividades diárias no trabalho?

                    quarta-feira, 8 de junho de 2016

                    Por que aumentar a variedade de itens no portfólio pode ser um problema?



                    Outro dia, fui até uma loja de ferragens aqui da cidade, famosa por ter um imenso portfólio (segundo o proprietário são mais de 50.000 itens), para comprar parafusos. 
                    Mas a resposta para os 3 tipos de parafusos sobre os quais eu perguntei foi o clássico “Putz!  Acabou e o fornecedor ainda não entregou”.  
                    Além da minha frustração, três perguntas ficaram no ar:
                    • ·        Será que os fornecedores, de fato, atrasaram a entrega de três itens quaisquer, coincidentemente aqueles dos quais eu precisava?  
                    • ·        Será que esse itens faziam parte do portfólio da loja? 
                    • ·        Será que ele encontrou esse itens onde deveriam estar armazenados?

                    Isso me fez lembrar aquela frase do mestre Taiichi Ono “Quanto mais inventário você tem, menos provável é encontrar o que você precisa”.

                    Seu nível de falha pode ser 0,001% mas para o cliente não atendido será 100%

                    Do ponto de vista de melhorar o nível de serviço, uma variedade maior de itens significa dar um passo na direção da responsividade, visto que o consumidor terá um maior leque de opções. Entretanto, isso só será verdadeiro se o cliente encontrar aquilo que deseja, visto que para o cliente não importa se a loja tem 5, 10, ou 100.000 itens em seu catálogo, se aquele necessário ou desejado no momento não é encontrado.
                    Por outro lado, do ponto de vista da rentabilidade, a proliferação de SKUs principalmente se carente de controle, poderá levar a custos maiores de manutenção do estoque para garantir que não acontecerá a indesejável ruptura, o que equivale dizer que isso implicará em menor lucro. E é bom lembrar que estoques excessivos agravam também as perdas por obsolescência ou pelo fim da vida de prateleira de muitos itens.

                    Quer atender bem seus clientes? 

                    Não se iluda. Além de definir bem qual é o seu mercado, é importante que você se organize:

                    Primeiro, obtenha o pleno controle sobre o seu inventário, tanto quantitativamente quanto em relação à localização dos itens no armazém; depois crie as condições para antecipar a demanda através da análise do histórico das vendas, e só então invista na diversificação que lhe permitirá oferecer mais opções aos seus clientes.

                    Em uma próxima postagem falaremos um pouco sobre a análise do histórico de vendas e movimentação de produtos. Conte conosco!

                    quarta-feira, 1 de junho de 2016

                    Responsividade e Eficiência. Como equilibrar?

                    O primeiro objetivo de qualquer cadeia de suprimentos é a satisfação dos desejos e das necessidades dos consumidores, e gerar lucro para os envolvidos.
                    A forma como esses objetivos são tratados, separa as estratégias e os comportamentos das cadeias de suprimentos em responsivos ou eficientes.
                    Nesse contexto, a responsividade é definida como a habilidade da cadeia, em responder adequadamente às demandas dos consumidores, de forma rápida, com bom nível de serviço e dando-lhes uma gama mais ampla de escolhas, e ser rápida em adaptar-se às mudanças do mercado.
                    Por outro lado, uma cadeia eficiente é aquela que foca na redução de custos em primeiro lugar, preocupando-se que nenhum recurso seja desperdiçado ou que nela ocorra algum tipo de atividade que não adicione valor ao produto ou serviço.
                    Cadeias eficientes, portanto, oferecem menos valor adicionado, mas em compensação conseguem oferecer custos menores.
                    Do macro ambiente da Cadeia de Suprimentos para o micro ambiente de cada empresa dentro dessa cadeia, essas características se repetem.
                    Para entender de modo simples, o que é uma empresa eficiente e o que é uma empresa responsiva, vou dar um exemplo que, eu creio, não deixará dúvidas.

                    A empresa eficiente

                    Uma empresa eficiente é como aquele boteco que serve boas refeições, porém na modalidade “PF” ou prato feito.
                    Para cada dia da semana há um cardápio fixo, com somente umas poucas opções, ou mesmo uma única.  O consumidor sabe exatamente o que terá, a qualidade é boa (isso é imperativo), e o preço oferecido é atrativo. Portanto, o benefício em relação ao custo é bom, mas não há o que esperar em termos de serviços adicionais como opções de pratos, sofisticação, ou qualquer outro adicional.
                    Nesse contexto, a empresa consegue ter custos baixos, exatamente porque consegue trabalhar com um estoque enxuto, seus processos são mantidos simples, a mão de obra pode ser menos especializada, e portanto a empresa consegue praticar uma margem mais alta.

                    A empresa responsiva

                    Por outro lado, uma empresa responsiva é como aquele restaurante que serve seus consumidores sob a forma de buffet (a quilo ou self-service).  Oferece ao consumidor uma gama de opções de entradas, saladas, pratos quentes e sobremesas.
                    Para obter uma boa qualidade, tem que investir mais em equipamentos e utensílios, nos estoques , em mão de obra mais especializada, e corre um maior risco pela variação da demanda diária. Portanto, oferece um serviço mais “atraente”, mas a um preço maior para seu consumidor, e precisa praticar uma margem menor para ser competitivo

                    Mas o que é melhor para minha empresa?

                    É claro que o desafio é conseguir o melhor dos dois mundos: Manter os custos baixos e oferecer o melhor serviço ao consumidor. Mas isso, convenhamos, não é simples! Tampouco fácil.
                    Decidir qual o equilíbrio entre eficiência e responsividade, que seja mais adequado para a empresa, é o nome do jogo.
                    Para isso as empresas costumam contar com 3 ferramentas básicas para sua proteção contra as variações de demanda: Os inventários, sua capacidade de produção, e o tempo necessário para o processamento de seus produtos.  Aumentar os seus estoques, ter alguma supercapacidade, e contar com tempos extras, permitem que as variações de demanda possam ser melhor absorvidas. Entretanto isso pode custar um bocado de dinheiro.
                    Estoques altos são um indício de que algo não está devidamente sob controle. Portanto, conseguir reduzir a variabilidade é uma estratégia melhor do que aumentar os estoques.
                    Qualquer que seja o seu posicionamento no mercado, para obter a melhor solução é preciso contar com um Sistema de informações capaz de lhe permitir antecipar a demanda, planejar estoques mais enxutos, e  consequentemente manter os custos baixos e os clientes satisfeitos.
                    Conforme disse a escritora C. J. Cherryh* em seu livro “Chanur’s Legacy”
                    “Os negócios não tratam de bens. Negócios tratam de informações. Os bens ficam dormindo nos armazéns até que a informação os mova”.

                    Pense nisso!
                    * Carolyn J. Cherry é uma escritora americana de ficcção científica e mundos fantásticos.