terça-feira, 8 de março de 2016

O cross-docking é mesmo uma boa solução para o e-commerce?

Recentemente eu li uma postagem em um blog institucional de e-commerce falando das vantagens e desvantagens de se utilizar o sistema cross-docking nas empresas do segmento, como forma de aumentar a eficiência das entregas, citando principalmente o fato de que o termo significa “atravessamento de docas” e com isso elimina-se o estoque, reduz-se o tempo e os custos da operação, mas exige muita coordenação entre os atores, etc.

 Isso é parcialmente verdadeiro, entretanto, eu tenho notado uma tendência entre os empresários e profissionais de e-commerce, de utilizar o termo aquém do seu significado, como se fosse adequado para empresas de qualquer tamanho e com qualquer volume de fluxo.
E motivado por isso, resolvi fazer esta postagem.

De fato a expressão cross-docking quer dizer atravessamento de docas, no sentido em que uma mercadoria é encaminhada para o veículo entregador, tão logo seja descarregada do veículo que a trouxe ao Centro de Distribuição ou terminal de transporte.

Movimente as mercadorias uma única vez

O cross-docking atende ao extremo o princípio da movimentação única no armazém. Da doca de entrada para a doca de saída sem nenhuma parada pelo caminho, visando reduzir ao mínimo os custos de manuseio, movimentação e transporte.
Desse modo pressupõe um volume de fluxo que justifique a existência de cargas consolidadas completas do fornecedor (full truck loads) para o lojista e deste para vários destinos ou regiões de entrega (também em full truck loads). A técnica aumenta a velocidade do fluxo e os custos envolvidos justamente por eliminar operações intermediárias e aproveitar melhor os transportes.

Uma utilização típica de cross-docking em seu estado puro pode ser vista a partir do exemplo de um Centro de Distribuição de uma rede de supermercados em que, de um lado diversos fornecedores descarregam carretas de seus produtos em páletes, e essa carga é transferida (ainda em páletes) e embarcada nos diversos veículos destinados a entregá-las em cada uma das lojas da rede.
Assim, tudo o que acontece no CD é a movimentação entre as docas de recebimento e expedição (frequentemente isso é feito de modo automático através de transportadores contínuos).

Hoje, na descrição do conceito aceita-se que pequenos processamentos possam ser realizados mas sempre guardando o princípio do “flowing through” ou “fluxo através de”, com poucas ou nenhuma parada entre o recebimento e a expedição. 

O Cross-Docking não é um Salvador da lavoura

Portanto, muito cuidado ao ler artigos que tratam o cross-docking como uma técnica “salvadora da lavoura” para empreendedores do e-commerce, sem advertir que só é eficiente a partir do recebimento de cargas completas de seus fornecedores e com equivalentes fluxos diários de entregas.

Infelizmente não existe lugar para mágicas, e o custo total é o grande indicador para as tomadas de decisão logísticas. Pense nisso!

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