sexta-feira, 8 de abril de 2016

Uma reflexão sobre a influência do Big Data para o futuro da Logística

Ultimamente muito se tem falado no ambiente de negócios sobre Big Data, que é algo assim como uma grande farofa cósmica onde se encontram dados à respeito de tudo o que fazemos, nem sabemos que fazemos, desejamos ou talvez venhamos a desejar.

Nem adianta tentar se esconder, se você usa alguma mídia social ou faz pesquisas na internet, algum mecanismo de busca visível ou invisível já capturou seus dados e já conhece seus hábitos, costumes, preferências, e nem se assuste – suas perversões e sua vida secreta (ou você acha que não tem uma?)

E não estamos falando aqui somente das empresas ou organizações como Amazon, Governo dos EUA, CocaCola, WalMart e outros gigantes do mercado, para os quais não existem segredos. Os dados estão aí para quem quiser usar. Facebook, Empresas de gerenciamento de riscos em cartões de crédito, e grandes corporações processam uma zilhões de terabytes de dados sobre seus usuários a cada hora.

Do ponto de vista empresarial, a idéia é aproveitar os dados disponíveis sobre o seu mercado para adicionar valor aos seus produtos e aos serviços destinados aos seus clientes, bem como possibilitar a abertura de novos negócios.

Conceito do Big Data

O conceito de Big Data está embasado em três pilares (os três Vs): Velocidade, Volume e Variedade que foram originalmente descritos por Doug Laney já em 2001.  Hoje já se diz que precisamos de mais Vs para explicar o conceito. Conforme disse Mark van Rijmenan em 2013 no seu blog DataFloq, é importante considerar também a Veracidade, a Variabilidade, a Visualização e o Valor.

 É importante ainda considerar que BigData é algo maior que a capacidade de processamento de uma única empresa. De fato, os especialistas dizem que o volume de dados disponíveis dobra a cada dois anos. Assim, é realmente um imenso desafio garimpá-los e relacioná-los de modo a transformá-los em informações úteis.

O nome do jogo então é: Relacionamento de dados.

A essa altura, alguém poderia estar perguntando: Mas Valter, por que Big Data teria algo a ver com a logística?

Vou então citar três exemplos:

Georeferenciamento

Hoje em dia, os GPS embarcados em nossos celulares já entregam a nossa posição e o modo como nos movimentamos no planeta. Em pouco tempo todos os veículos terão TAGs embarcados em seus computadores de bordo que também fornecerão dados de seus trajetos, além de todo o sensoriamento que já é feito hoje.

A partir do conjunto de dados de movimentação de automóveis, poder-se-á planejar os caminhos e horários mais convenientes para movimentar cargas, fazer entregas, etc. nas grandes cidades, de modo a economizar combustível e reduzir as distâncias e tempos de percurso.  
Se hoje já temos inteligência embarcada suficiente para viabilizar veículos autônomos, imagine o que teremos com todas essas informações adicionais. Será como um Waze turbinado, dentro de pouco tempo.

Atualmente, diversas empresas transportadoras já se utilizam de um mix de dados advindos dos sensores instalados em seus veículos, e outros disponíveis de fornecedores de combustível, oficinas e pousadas, e através do relacionamento desses dados feito por uma interface humana, conseguem orientar seus motoristas sobre onde abastecer, onde pernoitar ou comer, e quanto de dinheiro será necessário para isso.

Entretanto, o papel representado por essa interface humana já vem sendo substituído por algoritmos computacionais que fazem todo o trabalho e ainda dão ao motorista outras informações sobre a manutenção do veículo, sobre condições da carga, das condições de tráfego e outras, rearranjando o sequenciamento das entregas e os trajetos, de modo que a pontualidade não seja afetada.

Essa mesma família de dados também permitirá que o transporte público e serviços de atendimento comunitário sejam racionalizados afim de atender a população mais eficientemente. Já há operações piloto em andamento em algumas cidades europeias e americanas que gerenciam ondas verdes para o tráfego de ambulâncias e bombeiros.

Gerenciadores de pátio

Os gerenciadores de pátio, que hoje se utilizam de dados colhidos manualmente ou, nas versões mais sofisticadas por RFID dos veículos quando adentram as instalações da empresa, podem revisar continuamente as operações do armazém, analisando os dados em tempo real que são transmitidos pelos veículos durante toda a viagem.

Análise preditiva

Na minha visão, a possibilidade de desenvolvimento de previsões mais confiáveis a partir do relacionamento dos dados disponíveis, é um dos grandes trunfos da utilização do BigData, que trará vantagens logísticas, ainda que indiretas.

A partir do conhecimento que se pode adquirir a respeito de nossos clientes, o planejamento das características e usabilidade dos produtos, e dos desejos quanto às embalagens, formas de entrega, prazos, e outros atributos relacionados ao serviço ao cliente podem ser desenhados de forma a reduzir o volume de recursos necessários à armazenagem e distribuição, contribuindo para a sustentabilidade e para a redução da pegada de carbono das atividades logísticas.

Reflexões


Como vemos, estamos vivendo uma época de grandes e rápidas mudanças no modo como trabalhamos. Entretanto, a existência dessa enormidade de dados não terá utilidade nenhuma, a menos que saibamos que agulhas procurar nesse palheiro, quando procurar, e que tipo de informação tirar delas. 

Se isso não estiver muito claro em nossas cabeças, poderemos aumentar os nossos custos de nível de serviço sem acrescentar um pingo de valor para nossos clientes.  Pense nisso!

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