sábado, 5 de novembro de 2016

Água engarrafada ou água de torneira? Como a sua escolha impacta o planeta?

photo: freeimages.com by Andrew Beierle

Em 20 de Outubro, o New York Times publicou um artigo de Tatiana Schlossberg,  intitulado “Bottledwater ou tap: How much does your choice matter?” que instiga os leitores a responder um questionário sobre o impacto ambiental decorrente da escolha entre beber água engarrafada ou água de torneira e comenta sobre as respostas dadas pelos leitores.

Esse é um assunto que embora pareça se referir à Engenharia ambiental, tem muito a ver com logística e cadeia de suprimentos, uma vez que estamos sistemicamente envolvidos com tudo isso e, também porque é nossa responsabilidade pessoal e profissional contribuir para a sustentabilidade da cadeia de suprimentos. E ainda pelo aspecto da logística reversa que é matéria de nossa preocupação.

Alguns dados dos comentários feitos pela articulista são estarrecedores:

Consumo desproporcional de energia

A Água engarrafada custa até 2.000 vezes mais energia do que a necessária para disponibilizar a mesma quantidade de água potável na rede pública, dependendo do local em que o processamento é feito.  Tatiana alerta que embora ainda existam lugares em que a água da rede pública não seja segura, mesmo as águas engarrafadas podem não estar livre de poluentes, o que agrava a questão.

Considere o gasto desproporcional de energia motivado pelo hábito do consumo de água engarrafada. Nos EUA, que tem uma população em torno de 320 milhões de habitantes, o consumo do produto foi de 49 bilhões de garrafas no último ano.
Além disso, o que fazer com as garrafas?  Em 1950 o consumo global de garrafas plásticas era de 5,5 milhões de toneladas. Em 2009 esse consumo subiu para 100 milhões de toneladas.  Imagine o impacto disso.
Isso sem contar as embalagens plásticas de refrigerantes que, no mesmo período, teve média de 62 garrafas por habitante. 

Para onde vão as embalagens plásticas?

Nos EUA, cerca de 1/3 das garrafas são recicladas mas essa figura cai para apenas 14% no total de embalagens plásticas. Apesar do uso de energia necessário para a reciclagem, a emissão de gases estufa é menor do que o provocado pelos outros 14% que são incinerados,  ou dos 40% que vão para aterros sanitários, com tempo de deterioração ainda não completamente conhecidos mas bastante longos, ao longo do qual emitem gases de efeito estufa e poluentes.

E para onde você pensa que vão os outros 32%?  Se você pensou, para os oceanos, você acertou.  
A maioria dos poluidores marítimos está no sudeste asiático e respondem por 50% do lixo flutuante, mas quem já passou pela Baia da Guanabara sabe bem o tamanho da encrenca.

Globalmente, isso dá algo entre 5 milhões e 13 milhões de toneladas anuais  Apenas 1% disso oferece condições de retirada. O restante vai para o fundo ou é engolido por animais, com severos danos à fauna, ou ainda acaba congelado nas calotas polares.
E mesmo se colonizados por microrganismos durante o processo de decomposição, ainda assim o material plástico é agressivo porque emite substâncias tóxicas que poluem as águas oceânicas.

Esses não são os únicos impactos observados:

Citou-se o consumo de refrigerantes em garrafas plásticas. Essa quantidade, somada à  do refrigerante consumido a partir de latas ou garrafas de vidro, faz com que o consumo médio nos EUA suba para cerca de 100 litros anuais por habitante.  Segundo a Associação Médica Americana, essa é uma das causas da crescente obesidade da população.
E cidadãos obesos gastam mais energia na alimentação, no transporte, e com ar condicionado, agravando sistemicamente o clima.

Além de beber menos refrigerante e menos água engarrafada, que outras ações você poderia tomar para reduzir o impacto ambiental do consumo de plásticos?

Qual seria o impacto logístico das mudanças possíveis nessa área?
Como resolver o nó da logística reversa no caso das embalagens plásticas.

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